24/05/2018 09h47

Greve dos Caminhoneiros já causa impactos em Amambai

Postos de combustível já estão sem gasolina e supermercados começam a ficar sem alguns produtos. Caminhoneiros amamabaienses estão na rodovia MS-386, no trecho que liga Amambai a Ponta Porã. Caminhões carregados de produtos perecíveis como animais, por exemplo, tem passagem liberada.


Fonte: Redação / Agência Brasil

 
Caminhoneiros estão paralisados na rodovia MS-386 / Foto: Divulgação Caminhoneiros estão paralisados na rodovia MS-386 / Foto: Divulgação

Amambai (MS)- Impactos da mobilização dos caminhoneiros já começam a serem sentidos. Na noite dessa quarta-feira (23), com medo de desabastecimento, motoristas fizeram fila nos postos de combustível de Amambai e chegaram a pagar R$ 4,71 pelo litro de gasolina.

Após o intenso movimento de clientes em busca do produto, todos os postos de Amambai encontram-se sem combustível e não têm previsão para o reabastecimento, já que os caminhões das transportadoras estão paralisados.

Supermercados também sentem o impacto

Os supermercados de Amambai já temem o desabastecimento e a falta de produtos nas prateleiras, o que reflete na alta dos preços dos produtos, principalmente os perecíveis, como hortifrúti e carnes.

 
Supermercado Sol já sente falta de produtos / Foto: Arquivo do Amambai Notícias Supermercado Sol já sente falta de produtos / Foto: Arquivo do Amambai Notícias

"Ainda conseguimos segurar até a semana que vem, mas se passar disso, a coisa vai ficar séria"

— Paulo Pereira Lima, Supermercado Sol

De acordo com Lauro Sérgio, gerente do Supermercado Ki-Carne, produtos da sessão de frutas e hortaliças já estão faltando, assim como o gás de cozinha.

"Está ficando preocupante porque estamos ficando sem produtos do tipo no estoque e isso afeta a precificação desses itens (...) nossa sessão de verduras suporta até segunda-feira, depois disso, não teremos mais (...)", afirmou.

No supermercado Sol, o problema é o mesmo, segundo o gerente comercial, Paulo Pereira Lima. Ele conta que a espera pelos produtos que estão já comprados, porém parados na estrada, pode inviabilizar a tradicional promoção de final de mês do estabelecimento, o Mega Saldão.

"Nós estamos praticamente sem frutas, verduras e carnes, mas ainda não é motivo para um caos, ainda conseguimos segurar até a semana que vem, mas se passar disso, a coisa vai ficar séria", ponderou. Até o fechamento desta matéria, a reportagem não conseguiu contato com o Supermercado Planalto.

 
Caminhões não passam pelo bloqueio feito por motoristas amambaienses na MS-386 / Foto: Divulgação Caminhões não passam pelo bloqueio feito por motoristas amambaienses na MS-386 / Foto: Divulgação

Mobilização em Amambai continua

Iniciada em Amambai na tarde da terça-feira (22), a mobilização dos caminhoneiros continua e eles permanecem alojados na rodovia MS-386, no trecho que liga Amambai a Ponta Porã. De acordo com Paulo Habitzreuter, uma das pessoas que está a frente da organização do movimento em Amambai, para não prejudicar o abastecimento dos comércios, caminhões carregados com produtos perecíveis como animais por exemplo, tem passagem liberada, assim como ambulâncias, ônibus e carros de passeio.

Temer reúne ministros para discutir greve dos caminhoneiros

Antes de viajar para Porto Real (RJ) e Belo Horizonte (MG), o presidente Michel Temer coordena hoje (24), a partir das 8h45, no Palácio do Planalto, reunião para discutir o impasse em torno dos preços dos combustíveis. A conversa ocorre no dia seguinte ao anúncio da Petrobras de redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 15 dias.

Temer convocou para a reunião os ministros Eduardo Guardia (Fazenda), Moreira Franco (Minas e Energia), Valter Casemiro (Transportes, Portos e Aviação), o presidente da Petrobras, Pedro Parente, e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

Com a decisão de ontem (23) da Petrobras, o governo espera conseguir negociar com o movimento dos caminhoneiros, que hoje atinge o quarto dia de greve, paralisando o abastecimento de vários setores no país. Os caminhoneiros se queixam do preço final do diesel.

Trégua

Após a reunião do presidente Temer com os ministros, a previsão é de que outra conversa ocorra ao longo do dia. Será a vez de os ministros se reunirem com as lideranças dos caminhoneiros, a exemplo do que ocorreu ontem, no Palácio do Planalto. O objetivo é conseguir um acordo para encerrar a paralisação e acabar com o bloqueia das rodovias e a ameaça de desabastecimento em vários setores.

 
Caminhoneiros paralisados em Amambai / Foto: Divulgação Caminhoneiros paralisados em Amambai / Foto: Divulgação

Porém, líderes dos caminhoneiros disseram ontem que o anúncio da Petrobras, de redução de 10% do preço do diesel por 15 dias, não resolve e que, assim, a paralisação continuará.

Impactos

A Petrobras avalia que, a partir da medida, a redução média será de R$ 0,23 por litro nas refinarias, resultando numa queda média de R$ 0,25 por litro nas bombas dos postos de combustível.

A diminuição do preço deve ser maior para o consumidor, porque o imposto incidente acabará sendo menor. O custo do combustível nas refinarias será de R$ 2,1016, valor fixado para os próximos 15 dias. Ao fim do período, a tarifa será corrigida de forma progressiva até voltar a operar de acordo com a política de preços adotada pela estatal.


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