20/03/2017 08h02

Carne Fraca: ministério interdita três frigoríficos e afasta 33 funcionários

Intervenções ocorreram no frigorífico da BRF de Mineiros (GO) e nas unidades da Peccin em Jaraguá do Sul (SC) e em Curitiba (PR)


Fonte: Portal Brasil

 
Secretário-executivo da pasta Eumar Novacki ressaltou que as denúncias se referem a casos isolados
Foto: Divulgação Secretário-executivo da pasta Eumar Novacki ressaltou que as denúncias se referem a casos isolados
Foto: Divulgação

Como resposta à Operação Carne Fraca, deflagrada nessa sexta-feira (17) pela Polícia Federal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) interditou três frigoríficos e afastou 33 servidores das suas funções. O anúncio foi feito pelo secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki.

A operação investiga o pagamento de propina para obtenção de licenças sanitárias. O secretário observou que o corpo técnico do Mapa é altamente qualificado e que o sistema de inspeção federal é submetido a avaliações constantes, incluindo as de autoridades sanitárias estrangeiras por parte de 150 países importadores de carnes brasileiras.

"Não vamos tolerar desvios e atos de corrupção. Estamos tomando medidas enérgicas em relação a servidores e empresas e compartilhando informações com a Polícia Federal e com o Ministério Público", disse Novacki. A medida já havia sido antecipada ontem pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Intervenções

As intervenções do Mapa ocorreram no frigorífico da BRF de Mineiros (GO), de abate de frangos, e nas unidades da Peccin em Jaraguá do Sul (SC) e em Curitiba (PR), que produzem embutidos (mortadela e salsicha). Em relação aos servidores, estão sendo abertos processos administrativos.

"Cabe ressaltar que há processos que foram abertos já no passado, em fase de investigação, e que estamos dando todo o suporte à PF", ressaltou o secretário. As primeiras denúncias do caso divulgado hoje ocorreram há quase sete anos e, há dois anos, foram iniciadas as investigações culminado com as prisões e conduções coercitivas", acrescentou.

O secretário enfatizou que o Mapa não admite atos ilícitos e apoia integralmente quaisquer ações para os reprimir. Além de desenvolver ações próprias, assinalou, o Ministério da Agricultura tem parcerias com outros órgãos federais para fornecer dados, coletas oficiais de amostras, análises laboratoriais e resultados de ações fiscalizatórias.

Novacki ressaltou que as denúncias se referem a casos isolados e que o produto brasileiro tem reconhecimento no exterior. Ele lembrou ainda medidas adotadas no Mapa, desde que Blairo Maggi é ministro, como a portaria que impede a remoção de fiscais por parte de superintendentes regionais, sem motivação.

Em novembro do ano passado, Maggi publicou a Portaria 257/2016, que centralizou na Secretaria de Defesa Agropecuária e na Secretaria-Executiva essas remoções. O secretário afirmou ainda que, em dez meses foram abertos mais processos administrativos do que nos dois anos anteriores.

Na tarde deste sábado (18), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou, em nota oficial, que outros 21 servidores estão sob investigação especial da pasta. Além disso, reforçou que o sistema de fiscalização é um dos mais rigorosos do mundo, agindo para garantir ao consumidor a "qualidade dos produtos de origem agropecuária de nosso País".

Leia a nota do Mapa:

Sobre os fatos investigados na Operação Carne Fraca da Polícia Federal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil esclarece:

  1. O Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160 países. Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações.

  2. Alguns fatos pontuais começaram a ser investigados após denúncia de um servidor da área de fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ao todo, 33 fiscais federais estão sob investigação e três plantas foram interditadas, enquanto outras 21 estão sob fiscalização especial.

  3. O governo brasileiro, através dos seus serviços de fiscalização, da Polícia Federal e outros órgãos de controle cumpre seu papel de garantir a qualidade e sanidade, tanto dos produtos alimentícios destinados ao mercado externo quanto ao mercado interno, sejam de origem animal ou vegetal.

  4. A investigação da Polícia Federal e a pronta reação das nossas autoridades do Ministério da Agricultura são a maior prova de que nosso sistema de proteção e fiscalização está alerta e funcionando plenamente e servem como garantia ao consumidor da qualidade dos produtos de origem agropecuária de nosso país.

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