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terça-feira, 9 de junho de 2026

Sem local adequado e sem apoio, skatistas de Amambai fazem das ruas suas pistas

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15/05/2013 15h22 – Atualizado em 15/05/2013 15h22

Fonte: Da Redação

Ainda não se sabe exatamente quando apareceu o skate, mas pode-se dizer que foi no princípio dos anos 60, na Califórnia. Era em uma época onde reinava o surf e a curtição total sobre uma prancha, mas como as coisas nunca davam certo, aqueles mesmos surfistas pegaram as rodas de seus patins, e colocaram em “shapes”, para que assim pudessem surfar em terra firme.

O skate, que hoje tem adeptos pelo mundo todo, ganhou aceitação rápida. Mas foi mesmo na década de ouro, nos anos 80, que ele realmente volta ao seu auge, explorando o instinto radical das pessoas com pura adrenalina nas manobras como, heelflip, 360 flip, 50-50 entre outros.

O skate é um esporte muito grande no país, o sétimo mais praticado, e é um esporte que vem tirando muita gente do lado ruim da vida como drogas, ruas, crime e ajudando na recuperação de dependentes químicos e levando para o lado bom.

Skate e projetos educativos

Existem no Brasil projetos, como por exemplo, o projeto Skate na Escola que recebe em média 400 crianças por semana nas escolas. O projeto consiste em todo sábado profissionais e instrutores do esporte irem a escolas públicas onde instalam obstáculos e nestes ensinam as crianças a prática do esporte. Com isso, as crianças vão tomando gosto pelo o esporte e assim começam a praticá-lo ao invés de irem para outros caminhos. Grandes nomes, como Pedro Barros e Felipe Conga, participam e apoiam o projeto.

O Skate ganhou espaço se tornando uma grande Tribo Urbana, e como não seria diferente em Amambai, também existem adeptos a este movimento. Em entrevista à redação do jornal eletrônico Amambai Notícias, terça-feira (14), Eduardo Andrade, fala sobre o esporte em Amambai e da realidade que eles vêm enfrentando depois da demolição da pista skate da cidade para implantação do Tribunal da Justiça.

Skate é um estilo de vida

Segundo Eduardo, “Skate não é apenas um estilo, é um estilo de vida”. Ele aprendeu a amar o movimento em sua infância, quando morava em Campo Grande, onde cresceu, vendo e admirando meninos e meninas os conhecidos Skateboarding em pista públicas em seu bairro.

Com passar do tempo, ele começou a participar dos grupos de Skateboarding, onde aprendeu a importância do esporte e também a andar de skate, se tornando depois da sua vinda para Amambai, o líder do atual movimento que pede por Skate Parque amambaienses.

“Quando você vira um Skateboarding, você não ganha apenas amigos. A partir do momento que você vira adepto do esporte, começa se vestir como skatista e a participar dos encontros. Nos tornamos irmãos, comemorando quando um de nós acerta uma das manobras e quando outro erra ou cai, sofremos junto com ele. Isto é amar o skate. Isto é ser um Skateboarding.” diz Eduardo Andrade.

Como acontece em vários lugares do Brasil, Eduardo e seu grupo possuem projetos para ajudar a tirar crianças das ruas, tirar pessoas de vícios – como drogas e bebidas – e assim trazer campeonatos, como o estadual de skate que já aconteceu na cidade, logo quando foi construída a pista, que já hoje não existe mais.

Skate Parque

Mas estes projetos não podem sair do papel se não tiver um Skate Parque, com pistas de skates projetadas por engenheiros capacitados, ajuda de órgãos como Fundesc (Fundação de Esporte e Cultura) e patrocínio de empresários e comerciantes da cidade, que se preocupem com importância do esporte na vida de uma pessoa e acreditarem no potencial de grupos como os Skateboarding, que podem sim trazer esperança a uma pessoa, que já não tem mais uma perspectiva de vida, sofrem com problemas como na família e não tem entrosamento social, sofrendo dificuldade em lidar com outras pessoas.

Eduardo afirma que achou desnecessária a demolição da pista de skate para construção do Tribunal da Justiça e Trabalho e usa a seguinte afirmação: “Amambai não tem trabalho muito menos justiça, se houvesse ao menos isto, dai sim seria importante o Tribunal de Justiça e Trabalho.” E continua: “É destruir patrimônio publico, é como derrubarem a prefeitura”.

O Movimento Skateboarding, depois da demolição da pista em 2012, está sem fazer os seus encontros e por isto não podem dar assistência àqueles que querem aprender mais sobre o esporte e praticá-lo. Devido a esta dificuldade, os jovens e crianças andam nas calçadas em frente aos comércios e até mesmo nas ruas, correndo riscos de acidentes e sofrendo xingamentos e ofensas

Preconceito

O líder dos Skateboarding ainda complementa que existe muito preconceito e desinteresse por parte da sociedade quando se trata do skate, ele conta que muitos ligam a imagem do skatista ao marginal, drogas e vândalos por isto ele busca reconhecimento, pois ao contrario do que pensam o skate liberta e ajuda.

“Por causa de um, somos julgados isto é generalizar. Seria a mesma coisa que dizer que um politico rouba, quer dizer que os outros todos também roubam” Explica Eduardo.

Eduardo ainda afirma que no meio do grupo dos skatistas não existe preconceito, muito menos em parte de religião, somos todos bem ecléticos e recebemos a todos de braços abertos.

Desinteresse

Em protesto contra o desinteresse da sociedade e órgãos da prefeitura referente ao esporte, ele como líder diz as seguintes frases: “Entramos em contato com o diretor Fundesc e até levamos baixo assinado para reivindicação da pista de skate, porém prometeram entrar em contato comigo, mais já faz meses e até hoje não retornaram contato”.

“A construção da pista de skate e do espaço para skatista é direito do cidadão e dever do estado e da prefeitura”, avalia Eduardo.

Os Skateboarding são, ao todo, aproximadamente mais de 40 homens e mulheres e não querem confusão, muito menos intriga. Assim como todos, eles pagam impostos e estão apenas lutando por seus direitos e espaço na sociedade.

Depois que eles conseguirem a Skate Parque e suas pistas, será implantada a ASKA (Associação dos Skatistas Amambaienses), mas para que isto ocorra eles pedem por ajuda e patrocínio e principalmente reconhecimento da sociedade.

Se alguém quiser aderir ao movimento ou patrocinar, o telefone para contato é o (67) 9811-1379 – Eduardo Andrade.

Skatista de Amambai - (Foto: Moreira Produções)

Eduardo Andrade lider do Skatistas de Amambai e  Daniely Córdobam Foto: Moreira Produções

Foto: Moreira Produções

Skatista de Amambai sofrem com ausência de Skate Parque Foto:Moreira Produções

Depois da demolição da pista de skate,os jovens e crianças andam nas calçadas em frente aos comércios e até mesmo nas ruas, correndo riscos de acidentes e sofrendo xingamentos e ofensas por parte dos comerciantes locais (Fotos: Moreira Produções)

Skateboarding mulheres sofrem muito preconceito pela sociedade - Afirma Eduardo (Foto:Moreira Produções)

A direita, Lider da ASKA Eduardo Andrade e a Esquerda, Elton Diretor da FUNDESC

“A construção da pista de skate e do espaço para skatista é direito do cidadão e dever do estado e da prefeitura”, avalia Eduardo.

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