05/12/2016 07h21

Por Luiz Peixoto

Foram ganhar a América, ganharam a nós todos!


Por Luiz Peixoto

 

Creio que nos meus 45 anos de vida, nunca vi nada tão emocionante como essa semana os fatos relacionados a Associação Chapecoense de Futebol.

Não sou catarinense. Não sou de Chapecó. Nunca torci pela Chapecoense. Mas sou humano. E meu coração se apertou com as notícias na segunda de manhã. Já andei muito por aí de avião. Inclusive aterrissei duas vezes em Rio Negro, onde houve o acidente. Fiquei surpreso com o fato de haver sobreviventes, fato animador, mas ao longo do dia as notícias de sobreviventes iam reduzindo-se. Ao todo morrem 71 pessoas. Impossível não se sentir tocado.

Andar de avião é uma das experiências mais prazerosas da vida. Aconselho a todos que o façam, nem que seja por diversão mesmo. E os preços estão bem mais em conta. Um acidente desses nos dá um certo medo de voar, mas voar é seguro.

Passei a semana lendo e vendo matérias sobre o tema. Confesso que chorei bastante. Afinal, convivi com a morte de meu pai há menos de um mês, e muita coisa voltou a cabeça. Fiquei refletindo, matutando, sobre a fragilidade da vida.

Naquele voo estavam jovens, meninos ainda, alguns com idade de serem meus filhos, buscando um sonho de toda uma torcida, o de serem campeões de um torneio internacional. Ao cair o avião, caíram os sonhos de muitas pessoas, não só dos que estavam no avião. Os que morreram, se foram, estão fora de alcance. Quem crê, afirma que eles estão jogando no céu, outros afirmam que cumpriram sua tarefa, e por aí vai. Quem fica, fica! E não há consolo. Ver a fotos do filho do goleiro Danilo é de cortar o coração. Criança não deveria ter que lidar com a morte. Criança é sagrada. Ouvir as falas da mãe do Danilo é fortalecedor. Que força. Que vitalidade tem essa mulher. Que gesto nobre, ela, que perdeu o filho, consolar outras pessoas, consolar jornalista. Que fortaleza, palavras da minha mãe.

Que alegria ver a atitude do povo colombiano. Nunca havia visto tanta solidariedade, tanta compaixão, etimologicamente real, sofrer junto, sentir junto. O Atlético Nacional de Medellín se mostrou grande, merece meu, nosso respeito. E terá, certamente, muita torcida brasileira, a minha terá, na disputa do mundial. Somos Todos Nacional.

A Chape vai se reerguer. Será grande, de novo. Maior que antes. Com minha torcida daqui para frente, e com a de muitos. No próximo jogo entre meu flamengo e minha chape, ficarei feliz com qualquer resultado.

Vi muita gente solidária. Mas também vi gente postando e falando idiotices. Sempre haverá gente assim. Mas, acima de tudo, vi um sentimento entre muita gente de que o esporte pode ainda nos unir, pode nos solidarizar. A mídia, como sempre, fez seu papel, em muitos momentos, invasivo e desrespeitoso, mas é de se esperar de uma mídia que conspira para derrubar presidente da república além de algo assim.

Ainda em um misto de sentimento, seguimos. Força Chape. Agora e Sempre. O time foi tentar ganhar um título Sul-americano. Ganhou bem mais que isso. Ganhou o mundo. Ganhou a muitos de nós. Já disse antes, a cidade de Chapecó e de Medellín estarão nos meus próximos roteiros de passeio.

 

O autor é filósofo e escreve semanalmente nesta coluna

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