29/08/2016 07h16

Crônicas de uma Alma Solta

Porque ainda escrevo!


Por Luiz Peixoto

Tenho um amigo, lá da capital, que é jornalista e que me perguntou assim "Quanto você ganha para escrever semanalmente? ". Respondi de pronto "Nada". Aí veio a pergunta difícil "Porque você escreve? ". Ficou difícil responder...

Fiquei, como de costume, matutando. Matutar é ótimo. O matuto é aquela cara da roça, que tem tempo de pensar nas coisas. Queria eu ser assim... Tempo é pouco. Mas uso as madrugadas para matutar. Não sei porque escrevo, mas tenho algumas possibilidades de resposta.

Escrevo porque gosto. Sempre gostei. Quem lê muito tem ideias para pôr no papel (no caso aqui, na tela). Eu sempre coloquei coisas por escrito. Não comecei a escrever para publicar, comecei bem antes. Tenho acervos de cartas trocadas com amigos, sobre vários temas. Um dia ainda as publicarei.

Escrevo porque tenho o que dizer. Vendo e ouvindo algumas pessoas públicas, dá-me a impressão que tem pouco ou nada a acrescentar no debate. Nunca me furtei a debater, a me posicionar. Isso me levou a ter o que dizer em vários temas.

Escrevo porque acredito que cada um de nós tem seu papel social a desenvolver. Não quero ocupar espaço de ninguém, mas não admito que ocupem o meu. Por isso penso e coloco pensamentos em papel.

De fato, não ganho nada em valores monetários, mas tenho ganho muito em reconhecimento. Em valorização. Em respeito. Cada pessoa que lê um texto meu e que comenta na rua que leu, me dá um pagamento. Se de tudo o que eu disser, uma ideia ficar, já valeu a pena.

Esse retorno chama-se capital intelectual. E isso ninguém paga e ninguém rouba. Por isso tenho muito cuidado com o que falo, com o que escrevo. Sou eu, no texto, limpo e claro, transparente. Uns gostam. Uns não. Assim é vida.

Sigamos...


O autor é filósofo e escreve semanalmente nesta coluna

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