13/06/2018 10h02

"Brilhando para o mundo" é lema do dia para refletir sobre pessoas com albinismo

Relatora especial pede reflexão sobre as vítimas de ataques porque vivem com essa condição; grupo feminino escala maior monte africano desafiando mitos sobre o albinismo.


Fonte: ONU News

 
Desafios dos albinos incluem exclusão social. Desafios dos albinos incluem exclusão social.

A ONU marca este 13 de junho o Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo sob o lema "brilhando para o mundo".

Para o secretário-geral, a data é uma oportunidade para expressar solidariedade com as pessoas que vivem com albinismo. Outro propósito é a luta conjunta para que "os que mais são deixados para trás possam viver livres de discriminação, do medo e tenham mais poder para usufruir seus direitos humanos".

Discriminação

Em mensagem, António Guterres lembra que o albinismo é uma condição genética que afeta pessoas em todo o mundo sem depender de raça, etnia ou género. Ele lamentou a continuação da discriminação generalizada, o estigma e a exclusão social.

O chefe da ONU ressaltou que muitos, incluindo crianças e mulheres, são extremamente vulneráveis, isolados e sujeitos ao abuso e à violência.

Guterres elogiou como ponto importante o Plano de Ação Regional sobre Albinismo em África adotado pela Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e pelo Parlamento Pan-Africano. Mas destaca que "muito mais pode ser feito em nível global para aumentar a consciência sobre a situação das pessoas com albinismo".

Contribuições

Em nota separada, a relatora independente da ONU sobre os direitos de pessoas com albinismo, Ikponwosa Ero, destaca as "notáveis contribuições" de pessoas que convivem com albinismo.

 
Ikponwosa Ero visitou Moçambique em setembro de 2017 para analisar situação dos albinos. Foto: ONU/Marie Frechon Ikponwosa Ero visitou Moçambique em setembro de 2017 para analisar situação dos albinos. Foto: ONU/Marie Frechon

Um dos exemplos que ela menciona é o da queniana Goldalyn Kakuya, de 14 anos, que "teve os melhores resultados em exames do ensino fundamental" do seu país em dezembro. Para Ero, ela quebrou estereótipos e mitos sobre pessoas que convivem com a condição.

Ela destaca ainda as crenças segundo as quais "pessoas com albinismo não são capazes de aprender". A especialista disse que esse tipo de preconceito mostra a discriminação de albinos em relação ao acesso à educação.

Outras são o "bullying persistente e a falta de condições para pessoas com dificuldades de visão", um problema que muitas vezes afeta pessoas com albinismo.

Kilimanjaro

Ero citou o esforço de seis mulheres com albinismo, que incluem vítimas de ataques e de mutilação, que escalam o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, "desafiando mitos sobre o albinismo num dos pontos mais altos do mundo".

 
A especialista em direitos humanos Ikponwosa Ero. A especialista em direitos humanos Ikponwosa Ero.

Para a relatora, essa iniciativa mostra de forma muito simbólica as capacidades das mulheres com albinismo.

O pedido da especialista é que o mundo reflita sobre vítimas de ataques e morreram ou foram mutilados por viverem com albinismo. Ela disse estar encorajada com o compromisso de acabar com essas atrocidades.

Ero disse ainda que é facto que a batalha segue em frente, mas o os albinos estão ganhando terreno.

A Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável pretende "não deixar ninguém para trás". Sob essa convicçã, Ero afirma que é essencial que todos apoiem as pessoas com albinismo que buscam os seus direitos. A relatora disse haver desafios, mas ques estes são evidentemente superáveis para chegar a esse propósito.

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