19/04/2017 21h41

'Está se fazendo de idiota', diz Zeca do PT sobre defesa de Puccinelli

Ex-diretor da Odebrecht diz que André recebeu R$ 2,3 milhões


Fonte: Aliny Mary Dias/Midiamax

 
Deputado federal Zeca do PT / Foto: Divulgação Deputado federal Zeca do PT / Foto: Divulgação

Citado em delação de ex-executivo da Odebrecht por ter recebido R$ 2,3 milhões em ano de reeleição, o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), se defendeu por meio de nota dizendo que apenas quitou dívida deixada pelo antecessor Zeca do PT. Nesta tarde, o ex-governador e atualmente deputado federal criticou duramente a fala de Puccinelli classificando o sucessor como "idiota".

A dívida de R$ 79 milhões citada por Puccinelli e que motivou negociações com a construtora foi contraída pelo Estado nos anos 80, quando a Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) asfaltou a MS-030. Anos mais tarde, a CBPO foi comprada pela Odebrecht.

Governador de Mato Grosso do Sul de 1999 e 2006, Zeca disse ao Jornal Midiamax nesta tarde que a dívida citada por Puccinelli na nota enviada à imprensa não foi "criada" por ele e que era da gestão de Wilson Barbosa Martins, do PMDB.

"O André está se fazendo de idiota para tirar o dele da reta. Essa dívida é dos anos 80. Eu acho natural esse tipo de atitude, que é própria da personalidade do André", disparou o deputado.

Em relação ao recebimento da propina por André, conforme relatos do delator à força-tarefa da Lava Jato, Zeca do PT diz não saber se o sucessor realmente recebeu a vantagem financeira.

"Não tenho como acreditar e nem desacreditar, até porque quem denuncia é um ex-diretor da empresa que tinha controle de tudo que entrava e saía da empresa", completou o deputado.

Delação

As negociações para que a dívida fosse quitada pelo Estado se estenderam durante anos. Em 2007, quando Puccinelli venceu primeiro mandato para governar o Estado, as conversas foram retomadas.

Depois de conseguir reduzir o valor da dívida em praticamente 70%, o governador definiu que quitaria o débito de R$ 23,4 milhões em cinco parcelas, mas não fez o pagamento.

Mais três anos se passaram e Puccinelli retomou as negociações com a Odebrecht em 2010, ano de eleição. Para que a dívida fosse definitivamente paga à construtora, o governador recebeu como propina 10% do valor combinado. O valor de R$ 2,3 milhões foi repassado ao governador por intermédio de um empreiteiro "famoso na cidade", de acordo com o delator João Pacífico. Depois de receber a propina em setembro de 2010, o Governo do Estado quitou a dívida com a Odebrecht em janeiro de 2011.

O então secretário de Obras de Puccinelli, Edson Giroto, também teria participado das negociações e segundo o delator recebeu R$ 300 mil para campanha à Câmara Federal, na qual saiu vencedor com 11,5% dos votos dos sul-mato-grossenses.

Outro lado

Para Puccinelli o desconto de 70% obtido para quitar a dívida que ele afirma ser do governo petista figura como um impeditivo para recebimento de contribuições da empreiteira. "Seria inverossímil acreditar que contribuíssem para minha campanha", declara o ex-governador.

Na nota, André afirma que está ‘à disposição da justiça, como sempre estive, e sou político que sempre abriu mão dos sigilos bancário e fiscal desde o primeiro mandato eletivo, até hoje’.

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