02/02/2012 13h21 – Atualizado em 02/02/2012 13h21
Fonte: Brasil 247
O Brasil melhora cada vez mais sua reputação na natação mundial. Ídolos como Gustavo Borges e Fernando Scherer abrilhantaram o esporte nos anos 90. Agora, a natação brasileira colhe os frutos daquela geração e olha com esperança para a atual. Uma das grandes promessas desta nova geração é Henrique de Souza: aos 19 anos, ele já é o segundo melhor nadador do país, 35º do mundo e está muito perto do sonho olímpico.
Henrique está bem cotado para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres em agosto, mas sabe que tem que trabalhar muito para conquistar a vaga. O nadador defende a equipe do Pinheiros com o medalhista Pan-Americano Gabriel Mangabeira. No último torneio nacional de 2011, Henrique conquistou duas medalhas de ouro, uma prata e um bronze. Nos 100m borboleta, atingiu a marca de 53s62. Henrique está a apenas 30 centésimos do tempo necessário para estar na “terra da rainha”. A Revista Olímpica conversou com esta jovem promessa da natação brasileira.
Como funciona o sistema de índices para as Olimpíadas?
Para conseguir o índice, é preciso atingir um tempo. Atualmente, eu sou o segundo melhor do país, mas eu estou a 30 centésimos deste índice. Tenho mais dois campeonatos para disputar e tentar atingir esta marca.
Vai haver alguma frustração caso você não consiga atingir este índice?
A carreira do atleta é cheia de altos e baixos. Teve até uma situação em 2009 em que eu consegui atingir um tempo necessário para estar no Mundial, mas a minha vaga durou apenas dois minutos, pois na outra série um nadador fez um tempo mais baixo. É obvio que eu quero ir para as Olimpíadas. Mas se acontecer de eu não conseguir, vou trabalhar para o próximo campeonato e quem sabe estar nos Jogos do Rio, que é a competição para a qual estamos mais animados, pelo fato de ser no Brasil.
Você esperava já estar tão perto das Olimpíadas?
É uma coisa engraçada, pois sempre tive esse objetivo. Mas depois daquela situação em 2009, fiquei quase um ano e meio não nadando muito bem: fiquei chateado e perdi o foco nas piscinas. Quando já não estava mais pensando em olimpíada, comecei a nadar muito melhor. Em 2010, fiz tempos legais e, no ano passado, fiquei muito próximo. Foi uma surpresa, com certeza, pois eu estava em sétimo do ranking e consegui ir para segundo. Hoje, estou entre os 35 melhores do mundo.
Como é nadar com ídolos atuais da natação como César Cielo e Thiago Pereira?
Não sinto peso nenhum, pois eles estão mais próximos da gente, e isso nos motiva a conseguir tempos cada vez melhores. Pressão, mesmo, será nas Olimpíadas, em disputar com grandes nomes como Michael Phelps.
Quais são suas inspirações no esporte?
Sempre procuro seguir a linha de pensamento dos grandes ídolos. Leio as biografias de atletas como Aytorn Senna, Michael Jordan, Fininho (Fernando Meligeni). Mas na natação, eu me espelho em Gustavo Borges e o Xuxa, que são ídolos do passado, e, é claro, em César Cielo, Felipe França, Thiago Pereira e Gabriel Mangabeira, que fizeram a natação brasileira o que ela é hoje. Eu me inspiro neles.
E como é a preparação?
A preparação é muito forte. No final do ano passado, passamos Natal e Ano Novo treinando muito, tudo para conseguirmos tempos cada vez melhores e estar em alto nível nas próximas competições.
Caso você vá para Londres, será como uma competição para ganhar experiência para a Rio-2016?
Caso eu vá para Londres, não vou para passear. Vou tentar o meu melhor e atingir os meus objetivos. Não vou para Londres pensando no Rio em 2016, pois muita coisa pode acontecer até lá. Quero estar focado em uma competição de cada vez.
Você tem adversários no Pinheiros?
Sim, o Gabriel Mangabeira. O engraçado é que ele me ajuda em tudo, ele me dá uns toques para melhorar meu desempenho, briga comigo quando eu erro e usa toda sua experiência para me ajudar. Ele já disputou as Olimpíadas de Atenas (2004) e Pequim (2008), é campeão Pan-Americano, então eu tento chegar ao nível dele. Sei que ainda estou longe, mas sempre tento melhorar para estar onde ele está. E é sempre bom ter esta rivalidade sadia, pois conseguimos atingir nosso melhor. Quando vemos nossos adversários no treino fazendo tempos baixos, nos motiva a melhorar mais ainda.
Hoje, a natação brasileira é uma das melhores do mundo. Isso faz com que os nadadores sigam em alto nível?
A natação brasileira feminina está crescendo cada vez mais, a masculina já está em um patamar mundial, e isso nos força a treinar mais para manter o país bem representado lá fora. Agora, estamos tendo muita ajuda, como a dos clubes, e temos mais patrocínio, tudo o que deixa o esporte mais forte. Acabou de ser construído um centro de treinamento em Campinas, interior de São Paulo, então já temos toda a estrutura para darmos o nosso melhor.

