09/04/2019 20h57

Kemp destaca troca de ministro da Educação e critica desvinculação orçamentária


*Fonte: Fernanda Kintschner/Agência AL/MS *

 
Pedro Kemp também citou guerra contra o marxismo / Foto: Luciana Nassar Pedro Kemp também citou guerra contra o marxismo / Foto: Luciana Nassar

A troca do comando do Ministério da Educação foi tema de discurso do deputado Pedro Kemp (PT), durante sessão desta terça-feira (9). O parlamentar havia criticado a gestão de Ricardo Vélez Rodríguez e também apresentou moção de repúdio a uma das falas polêmicas do ex-ministro, que foi substituído na segunda-feira pelo economista Abraham Weintraub.

"Eu fiquei pensando se a exoneração do ministro foi efeito do meu pronunciamento ou da moção, mas acredito que contribuíram. Fiquei ainda com esperança de que o substituto pudesse ser um pouquinho melhor, mas vamos ver. O Vélez tinha como principal programa vincular o militarismo às escolas, mas como ele foi muito incompetente, o presidente Jair Bolsonaro [PSL] o substituiu. Agora indicou esse Abraham, que é ligado ao mercado financeiro. Nossa esperança era ser alguém da Educação", lamentou Kemp.

Segundo o parlamentar, a preocupação dos educadores é de que o novo ministro insista na proposta de desvinculação orçamentária, já citada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. "Atualmente, pela vinculação obrigatória, a União deve investir ao menos 18% de sua receita na Educação. Os estados ao menos 25% cada um. Acabando com isso, cada gestor ficaria livre para investir o quanto quiser. Ou seja, vai criar um atraso muito grande, pois hoje os recursos já são escassos", criticou o deputado.

Kemp exemplificou a falta de investimento em políticas contra o analfabetismo, o analfabetismo funcional, as reformas educacionais e o melhoramento das bases curriculares. "Até hoje não tem presidente do INEP, jajá chega o novo Enem e não tem o responsável. Falo isso com tristeza, porque a Educação está indo ao precipício e é a pasta carro-chefe das políticas de desenvolvimento de um país. Só vejo notícias com cunho esdrúxulo de querer combater o marxismo nas escolas ou uma guerra cultural e ideológica sem sentido, como se existisse uma rede de comunistas infiltrados nas escolas do país", ressaltou.

O deputado Capitão Contar (PSL) comemorou a troca do comando. "Esse foi mais um acerto do governo Bolsonaro na tentativa de fazer o melhor para o nosso país. Abraham é professor universitário e tem sua formação em gestão vai ser boa para administrar os recursos, então foi um acerto. Quanto ao combate ao marxismo também acredito que deva ser feito", afirmou Contar.

Pedro Kemp rebateu que não se deve impedir ninguém de estudar. "Eu, por exemplo, fiz mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e utilizei muito o marxismo em minha formação para entender o funcionamento da sociedade capitalista. Sou muito feliz por ter tido essa oportunidade e acesso a esse conhecimento, que ninguém deve ser impedido de ter. Se a pessoa por fim decidir ser marxista, que seja. Se ao estudar quiser se tornar um ultraliberal, também que seja. As teorias são ferramentas para entender o mundo e o combate ao marxismo é uma guerra infrutífera, pois é apenas mais uma ferramenta para entender como fazer uma sociedade mais justa e igualitária", finalizou o deputado.


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