04/05/2019 22h02

Poluição e crimes ambientais no município de Bonito serão tema de audiência conjunta

Com a drenagem irregular, mais de dois mil hectares de brejos do Rio Prata — fundamentais para o ecossistema da região — já desapareceram, disse o senador Nelsinho Trad (PSD-MS)


Fonte: Agência Senado

 
Foto: Leonardo da Silva/Wikipedia Foto: Leonardo da Silva/Wikipedia

Três comissões permanentes do Senado vão debater o impacto ambiental provocado por plantações, construções irregulares e estradas em áreas de preservação do município de Bonito, no Mato Grosso do Sul. A audiência pública conjunta incluirá as comissões de Meio Ambiente (CMA), Agricultura e Reforma Agrária (CRA), e Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).

Bonito é considerado um polo do ecoturismo mundial. Paisagens naturais, mergulhos em rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas, cavernas e dolinas fazem do município o principal atrativo do complexo turístico do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Em 2018, a cidade recebeu mais de 201 mil visitantes.

Reportagem do programa Fantástico, exibida no dia 7 de abril pela TV Globo, revela que as águas cristalinas de Bonito estão ficando cheias de lama. Ambientalistas dizem que o problema é causado por plantações, construções irregulares e estradas em áreas de preservação. O requerimento para a audiência pública, apresentado pelos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Lucas Barreto (PSD-AP) e Otto Alencar (PSD-BA), foi aprovado pela CMA na última quarta-feira (24).

Nelsinho Trad defendeu a realização da audiência pública durante pronunciamento no Plenário. Ele disse que uma das causas do problema é o crescimento agrícola desordenado.

— Mais de 40 quilômetros de drenos foram escavados pelos agricultores para escoar as águas dos brejos da região. Com isso, mais de dois mil hectares de brejos do Rio Prata já desapareceram, viraram plantação de soja e outros grãos. Os banhados, os brejões são importantes, porque funcionam como esponjas naturais, como se fossem um filtro coador da própria natureza — afirmou.

De acordo com Trad, o governo do Mato Grosso do Sul liberou R$ 5 milhões para obras em estradas e fazendas para impedir que a terra carreada pelas águas da chuva contamine os rios da região. Mas o senador adverte que caminhos de terra abertos dentro de chácaras para passeios turísticos não são equipados com o sistema de retenção.

Foram convidados para a audiência pública representantes dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; do Meio Ambiente; e do Turismo; do governo de Mato Grosso do Sul; da Prefeitura e da Câmara Municipal de Bonito; e de agências de turismo locais. A data do debate ainda não foi confirmada.


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