15/03/2019 10h08

Dengue hemorrágica avança na Capital e preocupa Saúde

Prefeitura está em alerta e não descarta decretar situação de emergência por conta da doença


Fonte: Correio do Estado/Taína Jara

 

À beira de enfrentar nova epidemia de dengue, a população de Campo Grande está mais suscetível a contrair o tipo II da doença. De acordo com o prefeito Marcos Trad, as cerca de 6 mil notificações registradas em 2016 demonstram sintomas mais comuns a esta versão do vírus. Crianças com menos de 10 anos e idosos, que não tiveram contato com dengue hemorrágica nas últimas epidemias, devem ser os principais atingidos.

Este é justamente o perfil das duas mortes investigadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Ontem, Sidney dos Reis Nantes, 5 anos, morreu quatro dias depois de apresentar os primeiros sintomas de dengue hemorrágica. Em janeiro, a vítima foi uma idosa de 76 anos.

Conforme o Ministério da Saúde, além das manifestações constantes no grau I da doença - febre alta e dores musculares -, o tipo II é acompanhado de hemorragias espontâneas (sangramentos de pele, petéquias, epistaxe, gengivorragia e outras). A incidência de dengue na Capital está prestes a atingir as 300 notificações para cada 100 mil habitantes, necessárias para se considerar a ocorrência de uma epidemia e, portanto, ser decretada situação de emergência.

Conforme o prefeito, até o momento, a incidência é de 294 notificações para cada 100 mil habitantes. Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram cerca de 6 mil notificações contra 2,3 mil em todo ano passado.

Na ocasião da última epidemia de dengue na Capital, só nos primeiros dois meses de 2016, a incidência era de 19,3 mil casos. Nos doze meses, o total foi de 32,9 mil notificações para cada 100 mil habitantes.

"Todos nós sabemos também, inclusive o ministro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] nos confidenciou, que a dengue se espalhou pelo Brasil todo em razão da sua sazonalidade. De dois em dois anos, em razão do criadouro, esse mosquito tende a vir com mais contundência", explicou o prefeito.

Conforme o último Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), de novembro do ano passado, 14 regiões da cidade apresentaram alto índice de infestação do mosquito. Aero Rancho, Moreninhas, Jardim dos Estados, Mata do Jacinto, Estrela do Sul e Maria Aparecida Pedrossian estavam entre os bairros com grande risco de desenvolvimento de criadouros do inseto.

Imóveis fechados

De acordo com o prefeito, o principal desafio no combate ao Aedes aegypti é a grande quantidade de imóveis fechados. Nesses locais, estão instalados cerca de 90% dos criadouros do mosquito. "Não adianta nada se o vizinho fizer a parte dele. Não tem como os agentes combaterem se esse imóvel estiver fechado e for de difícil acesso".

No início do ano, a prefeitura entrou com pedido na Justiça para acessar esses locais. No entanto, mesmo com parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE), a medida não foi autorizada.

Medida

Uma das medidas determinadas pelo prefeito foi o aumento de efetivo dos profissionais, principalmente nas unidades de urgência e emergência (UPAs e CRSs), reforçando os protocolos clínicos e fluxograma predefinidos, para dar mais agilidade ao diagnóstico e à contenção da doença, o que está previsto no Plano de Contingência elaborado pela Sesau.

O secretário de Saúde, Marcelo Vilela, anunciou o aumento nas equipes de borrifação a ultrabaixo volume (UBV) popularmente conhecido como fumacê. A partir de agora, nove equipes rodarão diariamente nas sete regiões de Campo Grande, também aos fins de semana. Será ampliada ainda equipe de apoio, passando de 15 para 30 médicos, clínicos gerais e pediatras.

Envie seu Comentário