07/04/2017 07h55

Crônicas de uma alma solta

Em tempos de ódio, ande amado!


Por Luiz Peixoto

"Amar em tempos de ódio é um ato revolucionário" (Edna Frigato)

 

Vivemos um tempo estranho. Onde opiniões de todos os tipos circulam em redes sociais cada vez mais rápidas e mais eficazes em propagar o que se pensa, quando se pensa.

Eu participo de redes sociais desde que elas começaram no Brasil. Nunca me acostumei com a enxurrada de informações. Talvez tenha a ver com minha idade.

Sou do tempo que a gente sentava na Praça Central para tomar tereré, ou um vinho, e papear, olho no olho. Se tínhamos com alguém algum problema, resolvíamos ali mesmo, na conversa, com os amigos medicando para não aumentar o conflito. Não que tudo se resolvesse assim, algumas vezes chegamos às vias de fato também, mas era assim, olho a olho, sem meias palavras e sem esse cinismo escondido na covardia das indiretas.

Lembro com carinho das confusões que causamos em 1989, em decorrência da primeira eleição livre e direta para presidente no regime pós-golpe ditatorial. Perdemos amizades. Criamos celeuma na família. Ganhamos novos amigos. E sobrevivemos. Saímos daquela experiência mais fortes, não fisicamente, afinal foi desgastante fazer aquela campanha, mas fortes sim na consciência de que dependia de cada um e de cada uma a construção de um outro mundo possível.

Nas muitas andanças pelo mundo, mantive essa certeza. Ainda mudaríamos o mundo. E mudamos. Um mundo de cada vez. A mudança sonhada acontece em cada um e cada uma. Eu mudei meu mundo me tornando professor, coisa que nunca havia imagino, afinal eu sou gago desde muito novo, tenho letra horrível, falo muito depressa... fui educando-me para fazer da minha profissão uma mudança de mundo, do meu e de tantos e tantas que já passaram pelas minhas aulas, em sala, embaixo do pé de manga, na praça, onde foi necessário.

Vivemos um tempo difícil. Está complicado ler o noticiário. Dá uma sensação de vergonha, de tentar entender onde erramos como espécie humana. O discurso fascista ganhou um espaço que eu, como filósofo, não consigo ainda entender a atratividade, principalmente para a juventude.

É inadmissível ver um representante da população no parlamento fazer afirmações fascistas, racistas, machistas, homofóbicas, misóginas, xenofóbicas, sem que sofra nenhuma penalidade por parte do parlamento. A liberdade de expressão não pode ser usada como limite para falar as asneiras que quiser.

Adoraria evocar a máxima de que esse tipo de comportamento não passará! Mas passou. Virou mito!!! Infelizmente.

Mas nem esse tipo tira de mim aquilo que a história e a vida me ensinaram: eu acredito que podemos mudar o mundo. Eu tenho esperança!!!

Eu sigo! Eu amo o que faço e ando assim, armado de amor pela vida, pela educação, pelas pessoas, pelo sonho e pela utopia!


 

O autor é filósofo e escreve semanalmente nesta coluna

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