01/09/2017 09h21

Conversa nada fiada / Por Odil Puques

Gol de Placa!!!


Por Odil Puques

 

Alvissareira a notícia que dois renomados médicos, oriundos da capital do estado, Campo Grande, passaram a atender em Amambai. Gol de placa da administração municipal e do galeno que está à frente desta, visto que certamente tal se deu pela influência dos laços fraternos de amizade que os une, além é claro de já trabalhar há tempos por essas plagas, com a diferença que o fazia esporadicamente e agora vem em definitivo. Outro motivo, este muito mais sagrado a nosotros é que bebeu da água do Panduy. Portanto...

Segundo constou na nota oficial da municipalidade que deu a notícia, Jeferson Baggio, é cirurgião geral e médico especialista em urologia, ginecologia, oncologia, ermatologia, mastologia, entre outras especialidades. Além disso, segundo a mesma nota, vem acompanhado da esposa a médica auxiliar Ariane Dembogurski. Ambos atenderão no Hospital Regional de Amambai, bem como na clínica particular e "já realizaram grande volume de atendimentos e dezenas de cirurgias, o que fortalece ainda mais a saúde pública municipal."

O profissional da medicina ainda é uma espécime rara no Brasil. Seja pelas grandes dificuldades em se conseguir passar nos concorridíssimos vestibulares e Enem’s da vida, das universidades públicas, nos não tão concorridos assim, mas caríssimos cursos das universidades particulares, seja pela escassa oferta, o fato é que os doutores são profissionais que tendem a ser muito bem sucedidos financeiramente e não raro quando dispõe de algum carisma são natos a ocupar cargos eletivos. Vide exemplos que vão de Bandeira a André Puccinelli, passando por Jamal, Paulo Siuffi, Antonio Cruz, Moka e tantos outros, só para ficarmos restritos ao nosso estado.

Quando tal profissional é especialista em alguma área então, nem se fale. Quase à unanimidade permeiam pelos grandes centros, onde a prática da profissão tem mais garantias, devido ao grande público, às inovações tecnológicas, às comodidades e confortos que só as cidades maiores podem oferecer. Ao usuário interiorano com alguma posse, resta se aboletar atrás de um desses e aos sem condição a eterna fila do SUS e da bendita regulação que ao chegar a vez, encontra o desinfeliz com duas outras enfermidades mais graves, consequência daquela primeira ou ainda a notícia só chega aos parentes que de há muito já o prantearam.

Para as administrações públicas municipais não é nada fácil manter a Saúde, porque tudo é muito caro. Medicamentos, profissionais – do atendente ao enfermeiro - equipamentos, cirurgias, instalações consomem boa parte do orçamento e a procura é infinitamente maior do que se pode atender. Por isso é louvável e digno de loas quando se consegue profissionais desta gabaritagem para aqui estar, o que nos remete a outra constatação, para tanto há de se enxugar a máquina pública de tantos barnabés e seus penduricalhos, mas para isso é preciso c...oragem para fazer a tão propalada reforma administrativa.


 

O autor é advogado e escreve semanalmente nesta coluna


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