29/02/2012 15h54 - Atualizado em 29/02/2012 15h54

Até 2013, Escola Agrícola de Amambai deve fechar suas portas

“Problema não é a falta de recursos, mas sim a falta de compromisso com a educação.”

 

Da Redação / Fernanda Moreira

 
Há 23 anos a Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal atende alunos, a grande maioria da área rural, do município e da região sul do Estado. Há 23 anos a Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal atende alunos, a grande maioria da área rural, do município e da região sul do Estado.

Primeiro foi o Ensino Fundamental. Uma resolução municipal de 2009 determinou que o ensino fundamental da Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal, da rede municipal de ensino de Amambai, fosse, de forma gradativa, sendo desativado. O ano de 2011 foi o último que contou com uma turma de ensino fundamental.

Agora é o Ensino Médio que está sendo desativado aos poucos. Neste ano, já não foi mais aberta a turma do primeiro ano. Somente duas turmas – uma do segundo e outra do terceiro do Ensino Médio – estão em funcionamento.

A unidade escolar foi construída na gestão do ex-prefeito Geraldo Felipe Corrêa, implantada na gestão do ex-prefeito Anilson Rodrigues de Souza e está sendo desativada na atual administração municipal. Há 23 anos a Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal atende alunos, a grande maioria da área rural, do município e da região sul do Estado. É á única escola agrotécnica da região sul do Estado.

Secretaria de Estado de Educação está ciente da situação

Já no ano de 2011, foi enviado à secretária de Educação do Estado do Mato Grosso do Sul, Maria Nilene Badeca da Costa, um ofício de agradecimento ao empenho dado pelo governador André Puccinelli em firmar um convênio para manutenção da Escola Agrotécnica de Amambai. No documento, a secretária também foi informada que as atividades da escola estariam em desativação progressiva, pois como em 2009 foi iniciado o processo desativação do Ensino Fundamental, o Ensino Médio, mantido pela Escola Estadual Vespasiano Martins, também seria desativado ainda em 2011.

Depois de enviado o ofício, toda a estrutura da Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal ficaria à disposição da Secretaria de Educação a partir deste ano de 2012, sendo mantido o Ensino Médio pela Escola Vespasiano até o final do ano letivo.

 
José Carlos, diretor do Vespasiano Martins. José Carlos, diretor do Vespasiano Martins.

De acordo com o diretor do Vespasiano, José Carlos da Silva, a tendência vista é de que a Escola Agrotécnica encerre suas atividades no final do ano letivo de 2013, sendo que neste ano, foram oferecidos apenas o 2º e 3º anos do Ensino Médio.

“A Escola Agrícola na verdade já era pra ter sido desativada, pois de nenhum lado, tanto municipal quanto estadual, há interesse em manter a instituição. Gera custo e não há tantos benefícios, então ela foi sendo desativada aos poucos, provavelmente, no ano que vem haverá apenas o 3º ano do Ensino Médio e depois será fechada”, alerta José Carlos.

35 alunos estudam hoje na escola

Atualmente, 35 alunos estão divididos nas duas salas do Ensino Médio, que mantém as aulas em período integral onde os alunos têm, além das disciplinas básicas (Português, Matemática, Física, Química, História, etc.), matérias relacionadas ao trabalho de campo e pesquisas agropecuárias, formando técnicos agrícolas que saem prontos para o mercado de trabalho.

O Ensino Médio da Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal funciona desde o ano de 2008, sendo mantida pela Escola Vespasiano Martins.

Vespasiano é beneficiada pelos cursos técnicos da Agrícola

Segundo o diretor José Carlos, a Escola Estadual Vespasiano Martins é beneficiada pelos cursos técnicos que são desenvolvidos na Escola Agrotécnica. “Os cursos técnicos contribuíram para que a Escola Vespasiano Martins saísse na frente com os laboratórios”, diz o diretor.

 
A Escola Agrotécnica é a única escola agrotécnica da região sul do Estado. A Escola Agrotécnica é a única escola agrotécnica da região sul do Estado.

De acordo com José Carlos, a manutenção da Escola Agrotécnica é de responsabilidade tanto do poder municipal quanto do governo do estado.

“O estado contribui cedendo os professores, coordenação pedagógica e 50% da merenda servida na escola. Já o município fica com a parte de infraestrutura, funcionários, os outros 50% da merenda e a contratação de um coordenador técnico”, explica José Carlos. Mas nesse ano de 2012, houve a mudança que a Prefeitura de Amambai não irá mais bancar o coordenador técnico.

Problema não é a falta de recursos, mas sim a falta de compromisso com a educação

“É algo que acontece, o poder municipal não vê a Escola Agrotécnica como nós profissionais da educação vemos, com esse ideal de valorizar a educação, valorizar o ensino que é realizado nessa instituição”, diz o diretor. Ele finaliza dizendo que o problema da Escola Agrotécnica não é a falta de recursos provenientes do governo, mas sim a falta de compromisso com a educação oferecida na escola e com os alunos que procuram a instituição.

“Nesse ano houve procura de pelo menos 15 alunos, era pra ter sido aberta a turma de 1º ano do Ensino Médio, mas infelizmente, se não houver uma parceria forte entre os governos do Estado e do Município, o destino da Escola é mesmo fechar as portas”, conclui José Carlos.

Posição da secretaria municipal de Educação

Em contato com a secretária de Educação do município de Amambai, Zita Centenaro, ela explicou que, o que houve na Escola Agrotécnica foi a falta de divulgação das vagas oferecidas para o Ensino Médio, além do que, a escola teve uma baixa procura por vagas durante o ano.

 
Zita Centenaro, secretária municipal de Educação. Zita Centenaro, secretária municipal de Educação.

Sobre o Ensino Fundamental, ela diz que a escola tinha poucos alunos, uma média de 25 por turma, o que gerava uma despesa “exorbitante” e pouco retorno. Porém, de acordo com a secretária, a Prefeitura de Amambai está tentando instalar cursos técnicos federais e cursos profissionalizantes na Escola Agrotécnica.

“A Prefeitura não vai deixar a Escola Agrotécnica abandonada, sem um destino”, disse Zita. Além disso, continua a secretária, a parceria entre a Prefeitura e a secretaria estadual de Educação se mantém enquanto for oferecido o Ensino Médio na unidade.

Enquanto não são tomadas atitudes para resolver o impasse da Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal, alunos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Júlio Manvailer que participam do programa Mais Educação (ensino integral) utilizam as dependências da unidade para desenvolver atividades pedagógicas e de lazer.

Opinião de pai de aluno

“Acho o cúmulo o município não se preocupar com o destino da Escola Agrícola, pois não é toda cidade que tem uma escola com o ensino que é oferecido aqui. Acho que ao invés de fechar a escola, o município devia se empenhar para manter o ensino e melhorar ainda mais a escola”, reclama Silvio Buss, pai de aluno da Escola Agrotécnica.

“Meu filho no começo não gostava de estudar na Agrícola, mas agora ele adora, é uma das melhores escolas de Amambai, o que falta mesmo é investimento do poder público na escola, mas realmente, se fechar será muito ruim”, finaliza Silvio.

Histórico da Escola

A Escola Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal está instalada em área junto à fazenda Itapoty, localizada na rodovia que liga Amambai a Aral Moreira, na altura do km 15. Foi criada através da lei municipal 1.427/87.

Está instalada em uma área de 100 hectares, recebida de doação de Júlia de Oliveira Cardinal. Possui 30 hectares de reserva natural, 20 hectares com pastagens, 40 hectares destinados a lavouras diversas e 10 hectares de área construída.

A Escola iniciou suas atividades no ano de 1988, provisoriamente nas dependências da escola municipal Antônio Pinto da Silva. No ano de 1989, o Conselho Estadual de Educação autorizou seu funcionamento.

No ano de 2000, teve sua denominação alterada conforme lei municipal 1.584/00 para Escola Municipal Agrotécnica Lino do Amaral Cardinal. Nesse mesmo ano passou a pertencer ao Sistema Municipal de Ensino.

Desde sua criação, a escola oferecia o Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano, com pré-qualificação em agropecuária, atendendo alunos de Amambai e região em regime de internato e semi-internato em turno integral.

No ano de 2008, foi implantado o curso técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio, uma extensão da escola estadual Vespasiano Martins.

Com edição de Viviane Viaut

Matéria sugerida por leitor do jornal eletrônico Amambai Notícias

(31) Comentários

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nosso so tenho boa lembranças dai ,professorara dala ,marlene,prof caras,antonio nosso so gente boa sai de campo grande pra estuda ai

 
marcão de1989 em 25 de julho de 2013 às 13:49

Que absurdo,estudei na escola agricola meu apelido era Chinchila
tenho um amor tao grande pela escola.
Diga não ao fechamento da escola agricola
a escola que me deu a estrutara que eu prescisava para seguir em frente
hoje sou formado Técnico agricola e trabalha em uma multnacional conceituada.
Não posso deixar que isso aconteça....não não não......

 
Gerson Souza de Aguiar em 07 de julho de 2013 às 21:20

não acredito q a atual administração vai deixar isso acontecer,não iria ficar bonito,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

 
somar em 07 de março de 2012 às 20:00

Acordem vereadores de amambai ficam discutindo aapenas projetos sobre academia ao ar livre... academia ao ar livre enquanto isso o escola felipe de brum... caindo...

 
jfd em 07 de março de 2012 às 11:53

Pois é CARLAO=AMAMBAI acho que você desconhece a situação da escola. Pois como disse minha colega de classe Maiara estamos expondo nossas opiniões.. pois antes de você falar deveria conhecer os alunos que estudam nessa escola, para não falar que é uma pessoa só que estão fazendo esses comentários... pois acho que cada pessoa é responsável e tem o direito de expor sua opinião em relação ao assunto... pois nesse caso os maiores prejudicados serão as pessoas que estudam aqui!!

 
Estela Rocha em 06 de março de 2012 às 16:05

Joao Lucas, não é bem assim não, eu que estudo lá no 3° ano do E.M. sei, para ter demanda, é preciso divulgar o curso, mas como o diretor vai divulgar um curso se nem ele sabe se vai ter???
até então, as duas salas de ensino médio que lá existem, viriam pra cidade, nem sei onde, onde seriam dadas as aulas, e algum dia, iriamos fazer aula pratica em alguma fazenda, mas como foi decidido pela prefeitura, que o projeto mais educação do julio manvailer iria pra lá, as duas salas la permaneceram.

 
Victor Hugo em 05 de março de 2012 às 21:47

DAQUI A POUCO VÃO JOGAR A CULPA DO FECHAMENTO DA ESCOLA AGRICOLA ENCIMA DO PAPAI NOÉL.HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

 
Atento em 05 de março de 2012 às 15:10

Manter o curso tecnico independe da vontade do prefeito, mas sim do governador André Pucinele.

quem conhece o governandor, sabe do que estou falando.


 
Paulo em 05 de março de 2012 às 12:55

Pessoal!
antes de criticar alguem tem que conehcer os fatos de forma reais.
porque ninguem questioa a Secretária de Estado de Educação, o Governador, o diretor da escola Vespasiano?
Até onde sei o muiicipio colocou a disposição da estado toda a estrutura da escola agricola, mas secretária de educação do estado profª Nilene Badeca da Costa, não quer assumir a escola e alega que o diretor da Escola vespasiano Martins diz que não tem demanda. se não divulga na época certa e não abre as matriculas no periodo adequado não vai ter damanda mesmo.
Então Pessoal é deles que voces tem cobrar. Pois eles são os reais responsveis pelo curso técnico e esnsino Médio.

 
joao Lucas em 05 de março de 2012 às 12:52

Carlão=Amambai

é o fechamento de uma escola, independente de grupo político, isso é lamentável para Amambai.

 
Alex em 04 de março de 2012 às 14:36

Me desculpa CARLAO=AMAMBAI mas somos um grupo sim, e não "só uma pessoa" como você diz, estudamos todas juntas e cada uma disse o que pensava, um grupo de estudantes que apenas querem uma resposta sobre o término do curso. E eu penso que pedir o minimo de educação para nós não denegrir ninguém. E sim correr atra do que é nosso por direito "O estudo" =D

 
Maiara em 04 de março de 2012 às 12:57

As pessoas que estão vendo a matéria a maioria das pessoas que escrevem é uma só, olha a Estela, a Mayara e a Pamela, certamente as 3 são uma só mandaram uma mensagem atrás da outra com tempo de 2 ou 3 minutos, tempo este para se digitar outra mensagem, isso na verdade não é nada mais nada menos pessoas que fazem parte de um grupo político que como sempre fizeram tentam denegrir quem esta no poder, e ainda tem alguns (analfabetos) que sem saber a veracidade das coisas acreditam nessas pessoas de má índole.

 
CARLAO=AMAMBAI em 04 de março de 2012 às 08:32

É um tiro no próprio pé. Deve haver alguma razão obscura por trás...Não se desativa uma escola agrotécnica numa região que sobrevive tão somente da produção rural...Em educação o muito que se investir é pouco!

 
Claudio Arantes - CG/Amambai em 03 de março de 2012 às 14:49

Bom dia,nos é que estamos errado em votar nos politicos brasileiros,e tambem não sabemos ainda COBRAR NOSSOS DIREITOS.
Ainda vamos ler sobre essas barbaridades na educação do Brasil...

 
waldecy b.rocha em 03 de março de 2012 às 08:30

Vao consegui fechar fechar a escola agricola, onde estamos que educação é essa, que se diz a segunda melhor do estado. Enquanto outras cidades estão atrás de uma escola no porte da que temos em nossa cidade, a nossa vai fechar por incompetencia pulitica.

 
Rodrigo. em 03 de março de 2012 às 04:32

Curso técnico necessita de investimento,conheci a escola agrícola com mais de 100 alunos....e em crescimento, mas desde da administração do prefeito Dirceu, todo ano o objetivo era fechar uma turma....

pergunta a qualquer professor ou funcionário que trabalhou na agrícola, quem estava lá sabe...

 
Alex em 02 de março de 2012 às 23:53

Entendo que o Sr. Ney Magalhães descreveu com muita propriedade os fatos e, realmente, temos o dever legal de adotar medidas. Comprometo-me, uma vez que já realizamos vistoria na escola agrícola no ano passado e temos elementos, a propor na sessão da câmara da próxima segunda-feira a formação de uma comissão especial para visitar/fiscalizar a escola e avaliar o cometimento de eventual ilegalidade/irregularidade por parte do prefeito municipal. Realmente, a câmara já falhou no momento de investigar e punir os responsáveis, em tese, pelos desvios dos recursos federais do temporal/chuva de pedra - valor de 1milhão e 100 mil reais.

 
Cristino Toledo em 02 de março de 2012 às 21:36

Noossa é tão triste isso'' Nós alunos agricolinos temos uma história tão liinda naquela escoola, onde aprendemos tantas coisas, criamos um vínculo tão forte um com outro somos como uma família que vive em busca do conhecimento pra contribuirmos com o mercado de trabalho na região levando o nome da cidade que infelizmente não possui tantos profissionais nessa área como deveria e ... .. isso é um privilégio que nem todas as cidades do estado de MS tem e que infelizmente o nosso privilégio se encontrará no passado após o fechamento desse curso ''

 
Mariluci Costa em 02 de março de 2012 às 20:32

Faço uso das palavras da excelentíssima secretária de educação Zita Centenaro:" a escola tinha poucos alunos, uma média de 25 por turma, o que gerava uma despesa “exorbitante” E POUCO RETORNO".

O que?? O que a nossa secretária quer receber de retorno???

Acho que retorno para investimento na educação,é ver nossos alunos capacitados,formados...E isso vem acontecendo de forma bastante promissória..Ja duas turmas se formaram,hj com certeza todos trabalham ou fazem faculdade....Ai esta o retorno.....Alunos levando o nome da cidade e da Escola pra fora..Ou que seja alunos trabalhando dentro de Amambai mesmo...
O descaso com a nossa escola é tremendo...Hj na Agrícola temos alunos que vieram de Dourados,Ponta Porã,Caarapó e Aral Moreira, estes alunos devem tudo á Escola...

FECHAR A ESCOLA AGRÍCOLA É FECHAR AS PORTAS PARA TODOS QUE BUSCAM ESTE CURSO TÉCNICO..QUE INFELIZMENTE,VÃO BUSCAR OUTROS ESTADOS PARA SE FORMAREM...TIRANDO DO MATO GROSSO DO SUL ESSES PROFISSIONAIS TÃO IMPORTANTES PARA A AGROPECUÁRIA

 
Fábio Santos em 02 de março de 2012 às 17:51

Como aluno da escola penso que fechar a escola e interromper a educação de muita gente, faz 6 anos que estudo na escola e ela já teve dias melhores... Tínhamos cursos profissionalizantes e muitas palestras, que nos ajudavam a se tornar profissionais mais capacitados. Nossos vereadores deveriam ajudar a formar mais profissionais em nossa cidade, e não fechar o que já temos. Eles deveriam pensar em nosso futuro. E uma forma de fazer isso é manter a escola. Ninguém pode dizer que a escola traz prejuízos, pois a cidade que tem um curso como esse tem um grande privilégio, ainda mais numa região como a nossa.

 
Guilherme Becker em 02 de março de 2012 às 12:13
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