Nos primeiros oito meses deste ano quase dez mil microempreendedores ingressaram na economia formal de Mato Grosso do Sul, índice superior ao de novas empresas constituídas no Estado neste período – 5.100. Em agosto a Junta Comercial do Estado (Jucems) cadastrou 1.350 novos microempreendedores. Deste total, 778 são de Campo Grande.
O Banco da Gente, agência de microcrédito do Governo do Estado, tem dado suporte financeiro e de gestão para que esses empreendedores montem seu negócio e tenham sucesso. Arcindo Roberto Braga, 47 anos, foi um dos trabalhadores que resolveram se formalizar e investir na atividade exercida aos finais de semana. Nos momentos de folga do trabalho de pedreiro, Arcindo fazia bolsas e mochilas de lona e nylon para vender aos amigos. Desde março resolveu optar pela atividade alternativa e inscreveu-se como microempreendedor individual. “Eu vi uma possibilidade de crescimento melhor que na construção civil”, diz Braga.
Logo que se tornou empreendedor individual o ex-pedreiro contraiu empréstimo, pela primeira vez, no Banco da Gente no valor de R$ 3 mil para comprar outros tipos de matéria-prima. Além de diversificar o material das bolsas e mochilas, Arcindo também resolveu ampliar o negócio e fazer sandália rasteirinha e capa de violão. Na casa onde mora, ele mantém a oficina e a loja para venda das mercadorias.
O ex-pedreiro tinha dificuldade para calcular o custo do produto e resolveu se profissionalizar. Na última semana ele participou de uma palestra promovida pelo Banco da Gente e pelo Sebrae sobre fluxo de caixa e recebeu informações sobre o assunto em CD, que ele pretende estudar em casa para entender melhor.
A opção por se tornar microempreendedor não foi espontânea, admite Givanildo José Nunes, 31 anos, dono de um box na Feira Central, mas segundo ele acabou sendo um bom negócio. Os proprietários de pontos comerciais no camelódromo e Feira Central de Campo Grande foram orientados pela prefeitura a se formalizarem. Moto-entregador durante o dia, Nunes resolveu investir no seu comércio, aberto há 10 anos. Depois de se cadastrar e receber o CNPJ, Givanildo fez um empréstimo no Banco da Gente para capital de giro e repôs o estoque de videogames, jogos e garrafas térmicas entre outros produtos, sem precisar pegar dinheiro emprestado do pai, como fazia.
No interior do Estado, em proporção ao número de habitantes e porte do município, Porto Murtinho se destaca com 163 empreendedores individuais cadastrados. Os outros municípios com maior número de registros são Dourados com 409, Corumbá 249, Três Lagoas 211, Ponta Porã 171 e Navirai 129.
Nos últimos três anos e seis meses o Banco da Gente já concedeu mais de 2150 empréstimos, envolvendo aproximadamente R$ 7 milhões.
Microempreendedor individual
A modalidade Microempreendedor Individual (MEI) é voltada às pessoas que trabalham por conta própria e querem se legalizar como pequenos empresários. O profissional deve ter renda anual de até R$ 36 mil, não ter participação como sócio ou titular em outra empresa e ainda permite a contratação de um empregado que receba um salário mínimo ou o piso da categoria.
Com a formalização o trabalhador tem acesso a benefícios como auxílio-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria, além de obter registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita a abertura de conta bancária, pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais. O empreendedor individual também pode ser enquadrado no Simples Nacional e ser isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL).
A contribuição para esta modalidade é o valor fixo mensal de R$ 57,10 para os que trabalham com comércio ou indústria e R$ 62,10 para prestação de serviços, que incluem o recolhimento à Previdência Social, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ou Imposto Sobre Serviços (ISS). Os valores são atualizados anualmente, de acordo com o salário mínimo.
Empresas ativas
A política de diversificação da base econômica adotada pela administração estadual e qualificação da mão-de-obra proporcionou desenvolvimento dos vários setores da economia. Este ano foram ativadas mais de 9,2 mil empresas em Mato Grosso do Sul somando um total de 108 mil empresas ativas.
Nos seis primeiros meses deste ano foram abertas mais de 4,5 mil empresas, o que representa 58% das unidades empresariais constituídas em 2009 e quase 70% em comparação a 2007. Com a inclusão de mais 622 cadastros no mês de agosto o número de empresas constituídas em 2010 ultrapassa 5,1 mil no Estado.
Fonte: Site Oficial André Puccinelli


