Novas manifestações estão previstas para acontecer hoje na Câmara de Vereadores durante a sessão que começa às 19h30. Os manifestantes exigem a cassação dos políticos envolvidos nos casos de corrupção na prefeitura e defendem novas eleições urgentes.
Na semana passada já não houve sessão por causa dos protestos. O vereador Aurélio Bonatto (PDT) chegou a ser agredido fisicamente, levando uma “sapatada” de um trabalhador.
Caso seja realizada sessão os vereadores podem votar a abertura de uma Comissão Processante, que visa o inicio da cassação do prefeito Ari Artuzi. Para isso é necessário que haja sessão com a participação de pelo menos sete vereadores. O vereador Dirceu Longhi (PT) disse que o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da saúde foi protocolado semana passada, com fortes indícios para justificar o pedido de cassação de Artuzi.
Para a sessão de hoje é dado como certo a participação de pelo menos seis vereadores: Délia Razuk (PMDB), Dirceu Longhi (PT), Gino Ferreira (DEM), Cemar Arnal (PR), Cido Medeiros (DEM) e Albino Mendes (PR). Eles assumiram o cargo no lugar de Edvaldo Moreira (PDT), Paulo Henrique Bambu (DEM) e Júnior Teixeira (PDT).
O promotor Paulo César Zeni, explica que as manifestações populares podem ajudar a sensibilizar a justiça para acatar o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) em afastar os envolvidos nos casos de corrupção em Dourados. Um dos objetivos do afastamento do prefeito, vereadores e funcionários públicos “é manter a ordem pública”, além de inviabilizar os “embaraços” que essas pessoas poderiam promover afim de atrapalhar as investigações.
As manifestações populares estão acontecendo em Dourados desde o dia da Operação Uragano, no dia 1º deste mês.
Na sexta-feira passada por exemplo, as ruas de Dourados amanheceram forradas de panfletos sem identificação de autoria, pedindo a cassação do prefeito Ari Artuzi, da primeira-dama Maria Artuzi, dos vereadores e de secretários municipais.
O panfleto apresentou as fotos de quinze personalidades da política douradenses envolvidas na Operação Uragano sobrepostas com uma grade de cela de presídio.
Na parte inferior do panfleto os autores desconhecidos pedem “eleições para prefeito já” com o reforço da frase “O povo Indignado e envergonhado agradece aos promotores de justiça, juizes, Polícia Federal e desembargadores pelas prisões dos ladrões feitas em Dourados. Pedimos a prisão e cassação de todos”.
Nas fotos do vice-prefeito Carlinhos Cantor e dos vereadores Sidlei Alves (DEM), Paulo Henrique Bambu (DEM) e Júnior Teixeira (PDT) o panfleto diz que eles foram presos por duas vezes, sendo a primeira durante a Operação Owari em julho de 2009.
Afastamento
O juiz da 5ª Vara Cível de Dourados, Jonas Hass Silva Júnior, deve decidir nos próximos dias se acata o pedido de afastamento cautelar do prefeito Ari Valdecir Artuzi (PDT), do vice-prefeito, Carlos Roberto Assis Bernardes (Carlinhos Cantor), da primeira-dama, Maria Aparecida de Freitas Artuzi, dos nove vereadores que foram presos, além de ex-secretários e funcionários públicos.
O ajuizamento da medida cautelar foi feita pelo Ministério Público Estadual (MPE), na quinta-feira na 4ª Vara Cível de Dourados pelos promotores de justiça, Paulo Cesar Zeni, Claudia Loureiro Ocariz Almirão e Amílcar Araújo Carneiro Júnior. Junto com os documentos contém CD´s, que trazem provas que são consideradas pelos promotores como “fortíssimas” para provocar o afastamento.
O promotor Paulo Zeni explicou que se a justiça acatar o pedido de afastamento cautelar, o MPE terá 30 dias para trabalhar na ação principal, de “improbidade”, que poderá resultar em perda do cargo público, inelegibilidade política, multa civil, devolução dos valores desviado e perda do patrimônio, se considerado que é fruto de desvio de dinheiro público, entre outras punições. Suspeita-se que a rede de corrupção que seria chefiada por Artuzi, desviava pelo menos R$ 500 mil mensais dos cofres da prefeitura de Dourados.
As investigações estão sendo feitas com base em cruzamentos de dados com o que existem nas gravações e os documentos, como os contratos de licitações da prefeitura. Estão ajudando nas investigações do MPE, Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Fonte: Jornal O Progresso

