Começa hoje o 10º Encontro Regional do Ensino de Astronomia; palestra inaugural será às 19h30
“À procura de vida no Universo” é o título da palestra inaugural do 10º Encontro Regional do Ensino de Astronomia (X Erea), que acontece de 13 a 16 de outubro, na Unidade 7 da UFMS, em Campo Grande. Augusto Damineli Neto, professor do Departamento de Astronomia da USP, vai abordar o tema no dia 13, às 19h30, no Teatro Glauce Rocha.
Damineli acha possível que em 15 anos seja obtida uma resposta sobre a existência de vida em outros planetas, “se a vida for abundante como deduzimos a partir das baixas condições que ela requer. Pelo menos poderemos saber se ela é realmente rara, como imaginam outros”, afirma o professor, que atua na formação de pessoal com visão multidisciplinar (astronomia, biologia, química etc.) necessária para abordar este problema.
O professor explica que se for detectada a presença de camada de Ozônio em um determinado planeta, isso indica a existência de seres fotossintetizantes e se forem encontradas camadas atmosféricas de metano (sinal inequívoco de atividade biológica apenas em planetas rochosos, pequenos), indica a existência da vida anaeróbica. “A busca relevante é em exoplanetas [planetas localizados fora do sistema solar]. O sistema solar tem muito poucos lugares adequados e nunca se viu uma camada de ozônio em nenhum planeta que não a Terra”.
Damineli acredita que o ponto de partida para discutir didaticamente essa questão nas aulas de ciências em escolas de ensino fundamental e médio é olhar para a vida na Terra de uma forma global. “O fato de que todos os seres vivos são do mesmo tipo, de que são baseados no DNA, de que os seres unicelulares são e sempre foram a vida comum neste planeta, de que eles são facilmente detectados a partir de gases que produzem e que contaminam a nossa atmosfera. A vida (microbiana) requer condições extremamente simples, em termos de átomos e energia e é muito resistente a catástrofes. Existem trilhões de planetas só na Via Láctea, muitos deles com condições semelhantes às da Terra. A química no espaço é essencialmente a mesma da Terra. A vida é um tipo de química”.
Segundo o professor da USP, a única forma de se elaborar uma teoria geral da vida é encontrá-la em outros planetas fora da Terra, já que aqui só existe um único tipo de vida. “É necessário conhecer o Universo para entender a vida, não contrário”, afirma.
Para Damineli, não existe um conceito de “vida inteligente”, nem como surge, nem como se expressa: “Não sabemos nada sobre isso. Aqui na Terra, a vida complexa (animais) acaba de surgir e se espera que só se desenvolva em planetas bem velhos. A vida comum, microbiana, é fácil de se formar, está aqui desde o início do planeta e contamina de tal modo a atmosfera do planeta que poderia ser percebida facilmente a grandes distâncias. Há mais de 40 anos não existem projetos importantes de procura de ‘comunicação extraterrestre’. Já a procura de contaminação biológica em exoplanetas rochosos está revolucionando a tecnologia astronômica. Os ETs modernos são microscópicos”, conclui.
O X Erea é realizado com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Educação. Mais informações pelo site: www.erea.ufms.br.
Fonte: Notícias MS

