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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Programa une Polícia, família e escola em favor de crianças e adolescentes

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Uma ação de policiamento comunitário executada pela 4ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande está ajudando a criar uma rede de proteção a crianças e adolescentes por meio do combate à evasão escolar. Com a participação direta da Polícia, os pais estão sendo chamados e auxiliados a assumir a responsabilidade pela permanência dos jovens na escola. E os próprios estudantes estão aprendendo que, além de direitos, também têm deveres, com o estudo e a disciplina. A ação pioneira é uma forma preventiva deenfrentar a violência, apostando na educação.

Sediada nas Moreninhas, a 4ª DP atende a uma vasta região e vem atuando junto à direção, professores e pais de alunos das escolas daquela área. Recentemente, a iniciativa ganhou apoio da 27ª Promotoria, responsável pela Infância e Juventude, que está apoiando educadores na adoção de atitudes que garantam a permanência e aprovação de crianças e adolescentes na escola.

Juntos, escola, pais e policiais capacitados dentro da filosofia de Polícia Comunitária, estão identificando alunos que têm falta excessiva, e buscando solução para que voltem a frenquentar as aulas. A integração polícia/comunidade quer afastar fatores de risco que interferem na freqüência escolar, como más companhias, e o assédio da violência e das drogas.

O trabalho começa com os professores identificando e relatando à direção os estudantes faltosos. “Nós temos um controle diário de frequência, e, semanalmente, é avaliado o comparecimento, para identificar os casos problemáticos”, conta a diretora da Escola Estadual Elvira Mathias de Oliveira, no bairro Santo Eugênio, Sueli Araújo Lima. Diretores e professores tentam resolver diretamente o problema das ausências, em contatos com os alunos e seus pais. Quando a solução não avança, as informações são passadas por e-mail ou telefone à 4ª DP, que vai atuar como mediadora e orientadora.

Exemplos

A quarta-feira (24/6) foi dia de audiência na Delegacia, com a presença da diretora Sueli Lima e de cinco alunos e seus responsáveis. Coordenador da execução do programa, o inspetor Francisco de Melo é quem faz a mediação, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas implicações legais que a desobediência e o descumprimento de obrigações podem acarretar para pais, educadores ou para os próprios jovens.

Histórias de vida

Numa tarde de junho, o inspetor foi até a casa de um jovem de 16 anos, que está matriculado, mas se nega a ir a escola. A visita aconteceu depois de inúmeras tentativas da direção de resolver diretamente o problema. No imóvel, em pleno horário de aula, o adolescente ouvia música em alto volume, acompanhado de uma colega de 14 anos, aluna de escola de outro bairro, e que estava no local sem o conhecimento dos pais. No dia 24, os dois adolescentes e as mães deles participaram separadamente, de audiência na 4ª DP. Para a mãe da menina, o programa de interação da polícia com sua família “caiu do céu”, devido à dificuldade que ela, sozinha, está encontrando para lidar com a jovem. A mãe do rapaz também já não sabia o que fazer para que o menino e o irmão dele – também com frequência irregular na escola – voltassem a dar atenção aos estudos.

No mesmo dia, outros casos: uma garota de 12 anos que há alguns dias foi encontrada em um ponto de venda de drogas. Um garoto de 14, que parou de ir às aulas e preocupa o tio porque descobriu o cigarro.

Aflitos, às vezes desesperados, os responsáveis por esses jovens demonstram encontrar na atuação comunitária da polícia a parceria que faltava para ajudar a mudar o destino dos filhos. Entre os jovens, o encontro frente-a-frente com a diretora da escola e com o investigador Francisco Melo provoca diferentes reações: timidez, alguma rebeldia, surpresa. Chamados a explicar as ausências, os adolescentes são levados a repensar as atitudes atuais e a acreditar em novas oportunidades. A participação da direção da escola, ajuda a indicar soluções, como a sugerida para o jovem de 16 anos, que aponta como principal razão do desinteresse o fato de estudar no período da tarde. No acordo fechado com a mãe e a escola, ele concordou em voltar a estudar, se for mudado para o noturno.

“Eu nunca vi uma coisa dessas. ‘To’ super contente, agora tenho um parceiro”, diz o zelador Aparecido Donizete da Silva, tio de L. 14 anos, um garoto quieto, que, segundo ele, nunca deu grandes problemas, mas que anda deixando de ir às aulas e começou a fumar na casa de colegas. Órfão de mãe há três anos, com o pai em paradeiro desconhecido, L. tem no tio o afeto de pai. Aparecido se anima ao ouvir as palavras do investidor Francisco e diz que, quem sabe um dia, seu sobrinho poderá estar naquele mesmo lugar.

“Eu ainda acredito que ele vai ser um grande homem”. Ele se emociona ao contar que quer dar ao garoto o amor que não pôde dar a filha de 16 anos, com quem não convive. A esperança é ver o jovem ir muito além da quinta série que ele mesmo não conseguiu concluir. Diante do tio, da diretora da escola e do investigador, o menino é questionado e, timidamente, responde que quer ser médico um dia. Os próximos passos desse jovem e dos demais no caminho para atingir essa meta continuarão sendo acompanhados dia-a-dia, pela escola, pela família e pela comunidade.

Fonte: Notícias MS

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