“A gente paga por conta da sujeira dos outros; cada um tem que fazer a sua parte (…) a responsabilidade não é só da Prefeitura, o dever é de todos, cada um deve ter a consciência que tem que cuidar, porque a dengue mata”.
O desabafo é da cabeleireira de Amambai, Maria Klein, que pegou o vírus da dengue pela segunda vez, a primeira em 2010 e a segunda nesta última semana de janeiro. Ela mora na avenida Pedro Manvailer, 4480, e conta que a Prefeitura deu todo o apoio a ela. “Eles me acompanharam para fazer os exames, parabenizo o trabalho da Prefeitura”, elogia Maria.
Esta comunicação rápida e eficiente feita entre agentes de saúde, agentes de combate a vetores e secretaria de Saúde é que está facilitando o combate à dengue em Amambai. No caso de Maria Klein, a Prefeitura realizou, antes mesmo de notificar o proprietário, a limpeza de terreno localizado ao lado da casa da cabeleireira e que estava sujo de mato.
Amambai é área sem circulação do vírus da dengue
Com visitas feitas em 100% dos domicílios residenciais e comerciais da cidade, é promovida a conscientização da população para o tratamento adequado dispensado ao lixo doméstico e combate a focos do mosquito Aedes Aegypti, que deposita seus ovos em água parada e limpa.
Segundo o presidente do comitê de combate a dengue de Amambai, Wilson Vicente Freitas, Amambai hoje é considerada área sem circulação do vírus da dengue. Mas para ser mantido esse posto, toda a comunidade deve continuar colaborando com os agentes de controle de vetores e abrindo suas casas para vistoria.
Ainda assim, segundo a secretaria estadual de Saúde, o município é considerado risco alto segundo a incidência de dengue. O levantamento dos dados da semana 3, até 22 de janeiro, mostra que as notificações de casos de dengue no Mato Grosso do Sul somam 1.133.
2010 teve 1.257 notificados, 2011 já teve 15
Neste ano de 2011, já foram 15 casos notificados e apenas um confirmado. No ano de 2010, foram 1.257 notificações com 769 confirmados. Não houve óbitos.
O trabalho de rotina realizado pelas equipes consiste de visitas periódicas pelos agentes epidemiológicos, que vistoriam quintais e terrenos a procura de possíveis focos do mosquito. Eles contam com a participação dos agentes de saúde da família, que ajudam na divulgação de métodos de combate à dengue e na notificação de novos casos suspeitos. Foi organizada também uma força tarefa com apoio de equipes formadas por militares do Exército lotados no 17º RC Mec de Amambai.
A fiscalização preventiva realizada pelos agentes acontece desde outubro e se intensifica até o período de pico, que é entre os meses de janeiro a maio, quando ocorrem mais chuvas no município.
Conscientização e prevenção
Para o coordenador do Centro de Controle de Vetores de Amambai, Leonildo Acosta Martins, a conscientização dos moradores e a prevenção ainda são as melhores armas para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue.
“Os agentes passam de casa em casa, e com isso nós cobrimos 100% dos domicílios de Amambai, e quando encontramos um imóvel fechado, buscamos entrar em contato com o proprietário. Se isso não for possível, através de um pedido junto ao Fórum, podemos entrar na casa e fazer a vistoria. A Secretaria de Serviços Urbanos também colabora bastante com o trabalho, pois faz a coleta de lixo em toda a cidade”, disse Leonildo.
Fiscalização e notificações
Em Amambai, as pessoas tem se conscientizado quanto à correta destinação do lixo doméstico e também mantendo seus quintais limpos e livres de locais onde o mosquito possa colocar seus ovos. Mesmo assim, já houve moradores notificados. “Quando é encontrado o mosquito numa casa, fazemos a varredura em toda a vizinhança e notificamos o dono do local exato, caso ele não cumpra as adequações, sofrerá multa, mas isso ainda não foi necessário em Amambai, até porque não é esse o objetivo, mas sim a conscientização da população diante do problema”, explicou Leonildo.
Procedimentos médicos
Quando uma pessoa chega ao posto médico com sintomas suspeitos de dengue, ela é atendida e é feito o exame de diagnóstico da doença. “Feito o exame, o resultado é passado em até 24 horas para a Secretaria de Saúde e o caso é acompanhado, faz-se a visita à residência do doente e fazemos a varredura em 300 metros ao redor do domicilio para eliminar focos do mosquito e identificar outros possíveis casos. Uma pessoa já é uma transmissora do vírus a partir de seis horas que foi infectada, ou seja, antes mesmo de apresentar os sintomas”, completa Leonildo Martins.
Essa rápida ação feita, entre o caso ser notificado e diagnosticado positivo, torna Amambai ponto de referência no combate e tratamento da dengue no estado. “O fluxo de informações trocadas entre os agentes de saúde e epidemiológicos e a central de combate a dengue faz de Amambai um polo de combate a essa doença” frisou o presidente do conselho de combate a dengue, Wilson Vicente.
Fernanda Moreira / Da Redação
Com edição de Viviane Viaut


