Fiscais da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), com o apoio de homens do Batalhão Florestal, destruíram na manhã de hoje (8) sete fornos de uma carvoaria ilegal que funcionava na Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Assim que chegaram ao local, os fiscais flagraram duas pessoas cortando árvores nativas da Mata Atlântica, com auxílio de motosserras. A madeira seria utilizada para produção irregular de carvão vegetal.
Os dois foram detidos e levados para a 60ª Delegacia de Polícia, também em Caxias. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, eles serão enquadrados no crime de destruição de Mata Atlântica, previsto na Lei de Crimes Ambientais, e podem pegar até oito anos de prisão. Durante a operação também foram apreendidas 2 toneladas de carvão ensacado, além de seis motosserras e um balão de grande porte.
“Nosso objetivo é impedir a destruição da Mata Atlântica, punir duramente os responsáveis, para acabar com a impunidade em casos de crimes ambientais, e também promover o reflorestamento das áreas devastadas”, afirmou Minc.
Segundo ele, a blitz de hoje faz parte dos esforços da secretaria para reduzir os desmatamentos no estado e ampliar a recuperação da vegetação nativa.
“Queremos dobrar a área de Mata Atlântica no Rio, onde só sobraram 17% dessa vegetação”, acrescentou ele, informando que os ficais chegaram até o local por meio de informações do serviço de inteligência da SEA.
O chefe da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais da secretaria, José Maurício Padroni, que comandou a operação de hoje (8), destacou que cada forno tinha capacidade média de produzir 40 quilos de carvão por dia. “Só que para isso era necessário jogar no forno 120 quilos de madeira”, acrescentou.
De acordo com Wellington Silva, que trabalhava na carvoaria, a destruição dos fornos vai comprometer o sustento da casa onde mora com o pai, de 72 anos, e cinco irmãos. Ele negou que para produzir o carvão era preciso derrubar árvores.
“A gente só pegava resto de poda. A madeira que ficava pelas ruas a gente usava para fazer o carvão, agora não tenho mais o que fazer e como conseguir dinheiro para sustentar minha família”, disse ele que ganhava em torno de R$ 800 por mês com a atividade.
O secretário do Ambiente informou que o governo do Rio está implementando o programa Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) com o objetivo de contratar trabalhadores que atuavam no desmatamento para replantar a vegetação original. Segundo Minc, a medida já foi introduzida em pelo menos três áreas.
“A ideia é dar uma oportunidade de sobrevivência a quem, por causa da necessidade, acabou indo para o crime ambiental. Então, em vez de o cara cortar para receber algum dinheiro, ele vai ser pago para replantar. Mas temos que ver que além desses trabalhadores que precisam, também tem quem articula isso, faz o contato com o comerciante etc., então o esquema também não é tão inocente como possa parecer”, enfatizou.
Fonte: Agência Brasil
