Cerca de 100 professores das redes de ensino estadual e municipal de Amambai participaram na manhã desta quarta-feira, 16, de ato público em prol da educação.
Desde as 8 horas eles estiveram em concentração no Simted – Sindicato dos Trabalhadores em Educação – de Amambai, onde participaram de reunião com o presidente Humberto Vilhalva. Em seguida, o grupo realizou carreata e passeata pela avenida Pedro Manvailer e se dirigiu à Prefeitura Municipal. Lá, eles foram recebidos pelo vice-prefeito e secretário de Indústria e Comércio, José Aguiar, secretária municipal de Administração, Brasília Aparecida Farias, e chefe de gabinete, Tiago Mariano. O prefeito de Amambai, Dirceu Lanzarini, está em Brasília. Logo após, eles também se dirigiram à Câmara Municipal.
“Temos que mostrar a cara (…) temos que ser profissionais enquanto categoria; queremos respeito, queremos ser dignos de receber um salário justo”, argumentou Humberto Vilhalva.
O movimento aconteceu em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. Em Amambai, todas as escolas municipais e estaduais não tiveram aulas hoje, com exceção da escola municipal Dr. Rachid Saldanha Derzi, onde os professores votaram pela não adesão ao movimento. Todas as demais escolas (cinco estaduais, 10 municipais e sete Centros de Educação Infantil, da rede pública municipal) tinham representantes no ato público realizado hoje.
Esta foi a primeira mobilização dos Trabalhadores em Educação de 2011 e teve como principal objetivo a valorização dos profissionais que atuam na rede pública de ensino. A próxima mobilização deve acontecer no mês de abril e será conduzida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) na Semana em Defesa da Escola Pública.
Lutas
Os Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul foram às ruas para dizer que a Lei Nº 11.738/2008 que regulamenta o Piso Salarial Profissional ainda não é cumprida integralmente pelos governos estaduais e municipais. Além disso, o reajuste de 6% como medida de reposição inflacionária, concedido pelo governo do Estado em dezembro passado, não atualizou os valores do Piso Nacional da categoria, atingiu apenas os professores e deixou os administrativos de lado.
A Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) continua na luta pelo cumprimento da Lei do Piso, melhores condições de trabalho, Plano de Cargos e Carreiras, redução da carga horária, fim da superlotação nas salas de aula, concurso público imediato e o cumprimento das metas estabelecidas na Conferência Nacional de Educação (CONAE/2010).
Reivindicações específicas
As reivindicações feitas pelos professores da rede estadual são em relação à alteração no estatuto da classe, incorporação de 40% referente à regência de classe, mais 1/3 da diferença entre o vencimento base atual e o piso nacional e ainda a inflação do ano de 2010, além do reajuste para os servidores administrativos da educação nos mesmos índices dos professores.
Já para os professores da rede municipal, o pedido é de uma maior atenção por parte do poder publico e que seja elaborada uma política salarial justa para a classe. “Não existe no momento, uma política salarial em Amambai, e nós reivindicamos esse direito, além de pedir mais atenção do poder público para a classe”, explicou Humberto.
Denúncias
A categoria de Amambai denunciou que as faixas, colocadas pelo Simted nas ruas da cidade alusivas ao movimento, foram retiradas na madrugada de quarta-feira. Reclamou também que nenhum serviço de carro de som do município estava disponível para acompanhar os professores na passeata e o Simted teve que contratar um de Cel. Sapucaia. Além disso, a principal reclamação é que o prefeito de Amambai não recebe os dirigentes do Sindicato. “Há um desrespeito, um descaso incrível com a gente (…) ainda por cima não recebe a gente, não fala com a gente e mandam tirar as faixas”, reclamou o sindicalista.
Audiência
Ainda na tarde desta quarta-feira, os trabalhadores em Educação do Estado participam de audiência pública sobre o Piso que acontece no Plenário Júlio Maia, na Assembleia Legislativa, Parque dos Poderes, a partir das 14h e que deve contar com a presença de educadores de todo o MS. Humberto Vilhalva viajou à Campo Grande, logo após a reunião na Prefeitura, para participar desta audiência.
Encaminhamentos
Na reunião realizada no gabinete do prefeito com a presença dos secretários municipais, chefe de gabinete e comissão de professores, foi feito o compromisso de agendar reunião com o prefeito Dirceu Lanzarini na semana que vem para discussão do reajuste salarial dos professores do município que têm data base em 1º de abril.
“Considero justo o movimento dos professores, a atual administração tem respeito pela categoria do magistério (…) não há desconsideração; é público e notório as dificuldades que os municípios têm passado”, falou o José Aguiar.
A Educação em Amambai
Em Amambai, aproximadamente 250 professores atuam na rede estadual e cerca de 500 no município; muitos deles atuam nas duas redes. A maioria dos trabalhadores em Educação não é filiada ao sindicato. “A gente fica muito triste quando vê que a minoria dos professores está aqui”, reclamou o presidente do Simted durante a reunião.
A rede de ensino de Amambai tem cinco escolas estaduais, 11 municipais e uma particular. Há ainda sete Centros de Educação Infantil, da rede pública municipal, e quatro instituições que oferecem cursos superiores.
Aproximadamente um terço da população de Amambai, mais de 10 mil pessoas, são alunos do ensino regular (Ensino Fundamental e Médio), Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Infantil e Ensino Superior. Segundo o censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Amambai tem uma população de 34.739 pessoas.
Da Redação
Veja aqui mais fotos do ato público em Amambai.

