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terça-feira, 5 de maio de 2026

Da cadeia, Beira Mar comandava tráfico com bilhetinhos

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O traficante Fernandinho Beira-Mar comandava o tráfico de entorpecentes via bilhetes, durante o período em que cumpria estava no Presídio Federal de Campo Grande (MS), revela o programa Fantástico, exibido ontem pela Globo. As mensagens que teriam sido escritas de janeiro a junho de 2010, eram levadas escondidas nas roupas das pessoas que visitam o preso.

Em reportagem especial de Vladimir Netto e Tyndaro Menezes, a Globo mostrou como ele continua comandando o crime organizado da cadeia. “Vou lhes fazer um resumo e quero que seja feito exatamente como eu determinar”, está escrito em outro bilhete. Se ele percebe um erro… “Eu não acredito que vocês fizeram isso sem me consultar. Já deixei bem claro que as firmas são minhas e que vocês não podem tomar certas atitudes antes de me consultar”, disse em um dos bilhetes.

De acordo com a Globo, Arcelino Damasceno, diretor do presídio na época, hoje à frente da unidade de Mossoró, no entanto, diz desconhecer os bilhetes. “Eu não tenho conhecimento de tais cartas. Ele tem o direito a papel, tem direito a caneta até para escrever suas cartas. Agora se passou ou não isso não é do meu conhecimento”, afirma o diretor do Presídio de Mossoró, Arcelino Damasceno.

O Fantástico conseguiu com exclusividade os originais desses bilhetes, O maior tem seis centímetros e meio de largura e a menor, menos de um.

O traficante fazia de tudo para que os papeizinhos passassem despercebidos. Conseguia escrever três ou quatro linhas no espaço de uma. Usava apenas a ponta da carga de uma caneta esferógrafica, disfarçada entre os dedos. Provavelmente, apoiava os papéis nos livros que gosta de ler ou no próprio corpo.

“Quero tudo no papel. Me mandem por escrito detalhadamente da mesma forma que mando carta para vocês. Para que eu possa trazer para a cela, ler com calma, analisar e codificar. E, na outra visita, se eu tiver dúvidas, mandar por escrito. Pois o meu tempo de visita é muito curto e não dá tempo para eu ler o que vocês me mandam, analisar e mandar resposta”, escreveu Beira-Mar em um dos bilhetes.

De acordo com a Globo, os bilhetes saíam do presídio e iam para as favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde foram encontrados durante a ocupação do fim do ano passado. Beira-Mar não é do Alemão, mas o conjunto de favelas tinha se tornado o centro das operações da maior facção criminosa do Rio.

A Polícia Civil do Rio estima que em 2010 o traficante enviava a cada 15 dias para o Complexo do Alemão cinco toneladas de maconha, que ele chama no bilhete de “café “. Quando o conjunto de favelas foi ocupado, em novembro, 33 toneladas de maconha foram apreendidas. Dez toneladas eram de Beira-Mar, mas a maconha é apenas um dos produtos que o traficante negocia nas bocas de fumo, ou “firmas”, como ele prefere.

“Além do café, viriam junto para os meus fiéis e para minhas firmas sem custo de frete, hidropônica, haxixe, armas, munições, comprimidos e as misturas para as minhas firmas”, escreveu Beira-Mar em um dos bilhetes.

Beira-Mar acompanha tudo, até a cotação no mercado externo de um fuzil, que ele chama de “bico”. “O preço de um bico aqui em cima varia de 13 a 14 mil dólares. pistolas na média de 1.200 a 1.500 dólares, mais frete e a porcentagem da casa de câmbio”, diz Beira-Mar em um dos bilhetes.

Depois que a droga é vendida, começa a etapa da lavagem do dinheiro. E agora vem a grande revelação dos bilhetes obtidos pelo Fantástico: o lucro da droga entra e passa a circular no sistema bancário brasileiro através de uma estrutura paralela ao tráfico, que a polícia está chamando de “terceiro setor”.

Funciona da seguinte maneira: o dinheiro sai da favela em pacotes de notas pequenas, que somam, no máximo, R$ 10 mil, e são carregados por mulheres da própria comunidade. Elas levam o dinheiro para agências bancárias próximas à favela e fazem vários depósitos miúdos, às vezes minuto a minuto.

O dinheiro entra em contas do esquema de lavagem espalhadas por agências bancárias de todo o Brasil. Em cada um desses bancos, as somas são sacadas na boca do caixa e depositadas em dinheiro vivo em outras contas do próprio esquema, de bancos de outros estados. Assim, evitam transferências que podem ser rastreadas. O destino final do dinheiro a polícia ainda não sabe qual é.

O grande objetivo da polícia agora é descobrir quem administra essa engenharia financeira que lava o dinheiro do tráfico, mas já identificou 182 pessoas físicas e jurídicas, donas de contas por onde passaram R$ 62 milhões do tráfico só no ano passado.

Fonte: Dourados Agora

Da cadeia, Beira Mar comandava tráfico com bilhetinhos

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