27/03: Dia Mundial do Teatro – “Temos a obrigação de inventar outro mundo no palco e na vida porque sabemos que outro mundo é possível”.
Pela história e pelo valor que representa na formação e educação cultural da sociedade, comemoramos no dia 27 de março o Dia Internacional do Teatro.
A representação existe desde os tempos primitivos, quando os homens imitavam os animais para contar aos outros como eles eram e o que faziam se eram bravos e atacavam. Era a necessidade de comunicação entre os homens.
As homenagens aos deuses também favoreceram o aparecimento do teatro. Na Grécia antiga, na época das colheitas de uva, as pessoas faziam encenações em agradecimento ao Deus Dionísio (Deus do vinho), pela boa safra de uvas colhidas, assim, sacrificavam um bode, trazendo para a comemoração os primeiros indícios da tragédia.
O gênero trágico foi o primeiro a aparecer, retratava o sofrimento do homem, sua luta contra a fatalidade, as causas da nobreza, numa linguagem bem rica e diversificada. Os maiores escritores da tragédia foram Sófocles e Eurípedes.
O gênero cômico surgiu para satirizar os excessos, as falsidades, as mesquinharias. Nas primeiras representações, a comédia não foi bem vista, pois os homens da época valorizavam muito mais a tragédia, considerando-a mais rica e bonita. Somente com o surgimento da democracia, no século V a.C, a comédia passou a ser mais aceita, como forma de ridicularizar os principais fatos políticos da época.
Somente os homens podiam representar, assim, diante da necessidade de simular os papéis femininos, as primeiras máscaras foram criadas e mais tarde transformadas nas faces que representam a tragédia e a comédia, máscaras que simbolizam o teatro.
O Teatro é onde as histórias se encaixam na vida, porque a vida está repleta de histórias para o teatro. Do teatro para a vida, apenas um passo: aquele em que o dramaturgo escuta as emoções quando escreve. Quando o ator surge no palco, permanecemos sentados de espírito aberto às vozes da alma, à história feita de gestos e palavras.
Meu gosto pelo teatro começou na infância muito antes do meu trabalho prático. Ficava fascinada quando assistia Charles Chaplin, achava incrível como aquele palhaço me arrancava risos e lágrimas sem dizer uma só palavra, ele é dono de uma frase que eu adoro e que logo tatuarei em meu corpo “Creio no riso e na lágrima como antídotos contra o terror e o ódio.” Assistia aos seriados do Mazzaropi todos os domingos na casa da minha vó Belinha, pois em casa não tínhamos parabólica e não passava, certa vez fiz xixi na calça de tanto rir.
Adorava uma personagem que se chamava Geléia (personagem que um garoto fazia na Escola Fernando) Posso dizer que aquilo que aprendi vendo, realizou-me ainda mais estudando e fazendo. Descobri as mil possibilidades de um mundo encantado de fantasia e realidade ser expresso pela arte de representar.
O teatro corre pelas minhas veias, por isso não sei pensar na educação sem ele. Fonte de divertimento e inspiração, o teatro contém em si a capacidade de unificar as inúmeras populações e culturas que existem pelo mundo afora. Mas ele representa muito mais do que isso, ao oferecer-nos possibilidades de educação e informação.
O teatro associado à arte educação desperta no aluno um sabor todo especial pela arte, sensibiliza-o para os vários contextos da vida, possibilita-o a se colocar no lugar do outro, desperta sentimentos diversos, desenvolve as capacidades e habilidades de expressão oral e corporal (desinibição), cultiva o trabalho em equipe, é um processo de autodescoberta, que abrange também o despertar de potencialidades que estão adormecidas, até habilidades desconhecidas pela própria pessoa.
Vendo o mundo além das aparências, vejo opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes. Vejo o mundo muitas vezes, injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Teatro não pode ser apenas um evento, é forma de vida! Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade, mas sim aquele que a transforma!
O teatro possui esse dom de nos fazer rir, de nos fazer chorar, mas ele deve, também, fazer-nos refletir e reagir.
Continuemos a exigir dos nossos governantes que olhem mais para esta arte que é vida, a promover a produção cultural deste País. Como dizia o grande Escritor Espanhol Federico Garcia Lorca, “Um Povo que não ajuda ou não fomenta seu teatro, se não esta morto, esta moribundo.”
Por Alessandra Tavares
A autora é amambaiense, atriz e diretora teatral formada pela instituição de ensino Actor Scholl Brazil. Hoje desenvolve em Amambai, pelo segundo semestre, o projeto Teatro em Amambai, com apoio da Prefeitura Municipal e que conta com quase 100 alunos, de 9 anos até a terceira idade.




