Por iniciativa da Associação Cultural Casa Paraguaia, um grupo de pessoas reuniu-se na última sexta-feira, 25, para discutir a viabilidade de resgate de uma festa folclórica que já fez muito sucesso e parte da vida de muitos amambaienses: a “sortija”.
Segundo Aral Rodrigues, a festa mais tradicional da sortija acontecia nos anos 60, onde hoje se localiza o Supermercado Planalto, sempre no dia 8 de dezembro, dia da “Virgen de Caacupê”, a Padroeira do povo paraguaio, na casa de uma senhora chamada Salomé, devota da santa. Após a finalização da novena, os cavaleiros de Amambai se reuniam para brincar a sortija e a corrida da bandeira.
A Sortija que quer dizer argolinha, ou em uma definição em espanhol – sortija es un anillo liso (latín: sortícula, ‘diminutivo de ‘sors’ (suerte, destino)’ Siempre ha tenido carácter simbólico por el hecho de no tener principio ni fin.” Diz-se que o torneio data da Idade Média, onde os cavaleiros vinham a todo galope para acertar com uma espécie de lança uma “argola” que fica sobreposta a uma altura de 2,5 m a 3 metros de altura.
Em Amambai, essa tradição foi trazida pelos paraguaios, sendo muito festejada, especialmente nas datas que faziam referencia a independência daquele país – 15 de maio – e no dia de sua padroeira, o 8 de dezembro.
Segundo Reducindo Lima, 78 anos, morador da região do Itapoty, primeiramente para brincar a sortija é preciso ter uma pista de mais ou menos cem metros para se ter espaço para o cavaleiro desenvolver a corrida, depois se enfeita de folhas de bocajá – bocaiúva – ou outro tipo de arbusto o arco onde se coloca as argolas que ficarão penduradas, o cavaleiro, com uma espécie de lança na mão, uma vareta de mais ou menos 50 centímetros, desenvolve uma corrida, e tenta pegar a argola com a vareta, a cada sucesso um lenço colorido e amarrado nos apetrechos do cavalo, ao final do torneio e declarado vencedor, aquele cavaleiro que tem mais lenços amarrados no “arreio” do seu cavalo.
O espetáculo é muito bonito, pois além da competição e da demonstração de habilidade dos cavaleiros, os lenços multicoloridos amarrados nos cavalos dão um ar de graça e flauna ao animal.
Visando resgatar essa tradição é que o advogado Odil Puques e o contabilista Jose Almada Ajala, da Associação Cultural Casa Paraguaia, reuniram-se com o historiador Almiro Pinto Sobrinho, o comerciante Davi Alvarenga e seu filho Davi Alvarenga Junior, o “Caçula”, os sortijeros Odil Puques (pai), Reducindo Lima, Aral Rodrigues e seu filho Amaral, além do representante do CTG Sentinela de Amambai, Pedro Nunes da Silva.
Formou-se uma comissão que convidará integrantes dos clubes de laço de Amambai e região, do 17º RC MEC e os proprietários de fazendas, chácaras e sítios da cidade que queiram participar do resgate dessa brincadeira. Ficou acertada como uma data de “ensaio geral” o dia 20 de agosto – o Dia do Folclore – e a competição em si ficou marcada para o dia 8 de dezembro na pista de laçadas do CTG. Espera-se a adesão da população em geral, especialmente aquelas mais antigas para participar dessa que foi uma das festas mais tradicionais no município.
Por Odil Puques




