Torneio de futebol. Música ao vivo. Apresentações culturais. Concursos. Almoço com churrasco. Guachire. Estas foram as atividades realizadas nesta semana na Aldeia Amambai, em Amambai, alusivas ao Dia do Índio.
Para o capitão da Aldeia Amambai, Rubens Aquino, a comemoração deste ano contou com uma participação e envolvimento maiores da comunidade. “Houve muita colaboração, foi muito bom”, falou Rubens.
Esta também foi a opinião do professor de Educação Física, Ismael Morel, responsável pela realização das atividades na escola municipal e dos torneios de futebol. Neste ano, explica ele, houve uma preocupação maior que as atividades fossem organizadas por nós mesmos. “Todos colaboraram com um pouco”, disse Ismael.
Escolas
A programação realizada na Escola Municipal Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá, esteve sob a coordenação do professor de Educação Física, Ismael Morel, e da diretora da escola, Lurdes Cáceres. No local, aconteceram concursos de poesia, de desenho e de garoto e garota indígenas e apresentações culturais. A unidade escolar atende cerca de 1200 alunos matriculados no Ensino Fundamental.
Também na Escola Estadual Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá, localizada na aldeia Amambai foi realizada uma programação alusiva à data. Para comemorar o dia do índio deste ano, alunos e professores organizaram diversas apresentações. Além da encenação de um teatro, foram produzidas salas temáticas, com exposição de desenhos e outros materiais artísticos, declamação de poesia e apresentação de danças típicas, entre elas o Guachire, que envolveu tanto os índios como os não índios. A unidade escolar atende 170 alunos.
Esporte
O torneio de futebol envolveu cerca de 300 atletas e foi realizado nas categorias masculino adulto – 10 times, feminino adulto – 8 times e infantil masculino – 18 times. Os jogos aconteceram nesta segunda e terça-feira.
Almoço
O tradicional almoço em comemoração ao Dia do Índio reuniu cerca de 1.200 indígenas Guarani Kaiowá da aldeia Amambai nesta terça-feira, 19. Para o churrasco, a comunidade conseguiu doações da Prefeitura Municipal, Sindicato Rural, João Grisa, Cláudio (Xirú) e outros colaboradores. A Funai doou cestas básicas para os acompanhamentos do churrasco. Esta atividade foi coordenada pelo capitão da aldeia Amambai, Rubens Aquino. A Sorveteria Panduí também esteve presente na festa, como faz há 19 anos, e distribuiu gratuitamente 1.000 picolés par as crianças.
Na segunda-feira à noite, houve ainda apresentação musical do grupo Garotos do Balanço, patrocinado pelo capitão e pelo músico Raul. Nesta terça-feira, 19, Dia do Índio, a programação da noite inclui as danças típicas, como o Guachire, o Che Roki e o Guahu.
A Aldeia
A Aldeia Amambai é a segunda mais populosa do Mato Grosso do Sul e reúne cerca de 7.500 indígenas da etnia Guarani Kaiowá. Segundo a Funasa, são 8.883 indígenas, o capitão Rubens fala em 7.260. O município de Amambai conta ainda com outras duas aldeias – a Jaguari e a Limão Verde, totalizando aproximadamente 10 mil indígenas, quase um terço da população..
Entre as principais dificuldades da comunidade, está a dificuldade na produção agrícola. Há necessidades para plantar, para fazer a lavoura. Também a emissão de primeira e segunda vias de documentos é outro problema enfrentado pelos Guarani Kaiowá de Amambai. Além disso, as estradas da aldeia necessitam de reparos sistematicamente e cada chuva muitos delas ficam intransitáveis. A proximidade com a cidade – a aldeia fica a cerca de cinco quilômetros da região central de Amambai – trouxe o álcool e as drogas, um dos maiores males para juventude indígena.
Da Redação
Saiba mais sobre os Guaranis
“Opy, lugar sagrado onde tudo começa”.
“A tradição da reza é o que sustenta o mundo Guarani”.
“Nós, os Guarani, sabemos que viemos para a Terra já com essa missão: manter a cultura e a língua materna”.
“Quanto maior o conhecimento que as pessoas tiverem de nossa cultura, menor será o preconceito que ainda sofremos”.
Há, no território brasileiro, cerca de 46.000 índios Guarani, segundo a Comissão Nacional de Terras Guarani. Estão presentes nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará. Na América do Sul, encontram-se também no Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia.
A língua Guarani, da família linguística Tupi-Guarani, divide-se em dialetos que caracterizam os diferentes grupos que compõem a etnia Guarani, sendo eles, no Brasil: Mbya, Kaiowa e Nhandéva. As diferenças entre os dialetos estão, entre outras coisas, na ênfase, na pronúncia e no significado de diversas palavras. Também são falantes do Português, principalmente para a comunicação com os não índios. “Nas aldeias a língua falada é o Guarani. Muitas pessoas falam também o Português, mas os mais velhos e as mulheres preferem não falar em Português”.
O atraso no reconhecimento do território guarani obtido com as demarcações ainda é um grave problema. “Nossas aldeias há muitos anos vêm sofrendo devido à situação de instabilidade e falta de terras para viver e plantar. Guarani é o povo mais excluído do processo demarcatório de Terras Indígenas pelo governo nacional. No Sul e Sudeste do Brasil, a maior parte das aldeias Guarani é insuficiente e não está demarcada, o que gera insegurança, conflitos de terra com a sociedade envolvente, expulsões etc. Isso prejudica o modo de viver na cultura Guarani e é um grande problema para todas as nossas aldeias”.
“Somente em áreas com segurança e com condições ambientais para vivermos dentro da cultura Guarani é que poderemos desenvolver outras ações para garantir nossos conhecimentos sobre agricultura e medicina tradicional, sobre as plantas e árvores sagradas, sobre o trabalho das parteiras e os cuidados com as crianças, sobre nossa educação tradicional e o fortalecimento da união entre as aldeias”.
Os grupos Guarani estão, de maneira geral, assim distribuídos pelo território nacional: os Mbya ocupam as regiões Sul e Sudeste; os Kaiowa concentram-se, em sua maioria, no estado de Mato Grosso do Sul; os Nhandéva convivem tanto com os Kaiowa quanto com os Mbya, com aldeias em toda a porção centro-sul do país. Além disso, ocupam regiões da Argentina, Paraguai e Bolívia.
Fonte: Rede Cultura Indígenas





