Maio começa com o dia do trabalhador. E logo no dia 8 será comemorado o Dia das mães. O que estas duas datas têm a ver entre si? Muita coisa: hoje o Brasil tem mais de 40 milhões de mulheres trabalhadoras, dessas, sete milhões empregadas domésticas.
E no dia 1º de maio, parte dessas mulheres estarão se manifestando em prol do aumento da licença maternidade para todas.
Tanto a Organização Mundial de Saúde quanto o Ministério da Saúde sugerem que os bebês sejam alimentados apenas com o leite materno até completarem seis meses. Existem estudos que comprovam que crianças amamentadas até os dois anos de idade têm menos doenças infecciosas e do aparelho respiratório.
Se todas as mulheres amamentassem seus filhos até os seis meses, haveria uma diminuição considerável no número de internações de bebês e crianças na rede pública de saúde. Isso significaria menos filas nos postos e hospitais, e mais qualidade de vida para os nossos brasileirinhos.
Mas, como uma mulher trabalhadora poderia alimentar os filhos exclusivamente com leite até os seis meses se sua licença maternidade vai até os três meses?
Pensando nisso, mulheres brasileiras se organizam neste dia 1º de Maio para exigir a extensão da licença maternidade para seis meses.
Devemos lembrar que até a década de 1980 era permitido a um empregador submeter seus funcionários a uma carga de até 48 horas de trabalho semanais. Em 1988 a Constituição estabeleceu o limite máximo de 44 horas de trabalho por semana.
Na época, as entidades representativas dos empregadores afirmavam que era impossível reduzir tão rapidamente as jornadas de trabalho sem redução de salários e que as indústrias e empresas iam “quebrar” por diminuição da produção ou pela contratação de mais funcionários. As empresas não quebraram, o processo de industrialização e modernização do país avançou e, hoje, sabemos que as indústrias e empresas têm condições de se adaptar às conquistas trabalhistas de seus empregados e empregadas.
Por isso, o lema da campanha das mulheres é: “O meu chefe precisa de mim, mas meu filho precisa mais – pelo aumento da licença maternidade para seis meses”.
Parto do Princípio
A Campanha “Meu Bebê Precisa Mais” é encabeçada pela rede de ativistas Parto do Princípio, que reúne mais de 200 mulheres e homens de todo o Brasil em defesa do parto humanizado.
Para saber mais sobre esta campanha e acessar mais materiais sobre o tema, acesse www.partodoprincipio.com.br.
Gênero e trabalho
Apesar de serem maioria na população e terem mais instrução, as mulheres continuam em menor número no mercado de trabalho.
Maioria entre a população, as mulheres seguem com menor inserção no mercado de trabalho. Do total de pessoas ocupadas, 42,6% são do sexo feminino, segundo dados da Pnad 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O levantamento do IBGE mostra que as mulheres inseridas no mercado têm mais instrução do que os homens. Em média, as trabalhadoras têm 8,7 anos de estudo, um ano a mais do que os homens.
Entre o total de mulheres economicamente ativas, 11,1% estavam desempregadas no ano passado. Entre os homens, essa proporção era de 6,2%.
Do total das 39,5 milhões de ocupadas, a maior parte faz serviços domésticos. Essa parcela representa 17% do contingente de trabalhadoras, pouco acima das mulheres que fazem atividades de educação, saúde e serviços sociais, que significam 16,7% do total de empregadas.
A Pnad confirmou ainda uma tendência histórica na pesquisa: as mulheres que trabalham ainda são as responsáveis por afazeres domésticos. Do total das empregadas, 90% também se preocupam com a casa. Entre os homens, essa proporção é bem menor, de 49,7%.
Fonte: Portal Parto do Princípio

