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sábado, 20 de junho de 2026

Índias fazem mutirão por reformas e cursos na aldeia

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Indígenas iniciam na próxima semana um mutirão de reforma do prédio da Associação de Mulheres Indígenas de Dourados (AMID). A presidente da entidade Lenir Paiva Flores Garcia, diz que as obras só serão possíveis através da liberação de um recurso na ordem de R$ 50 mil proveniente do projeto “Carteira Indígena”, do governo Federal.

Além de ampliar a sede da Amid, o dinheiro será destinado para a compra de materiais e maquinários utilizados em cursos como de corte e costura, cabeleireiro, artesanato, confecção de sabão, produtos de limpeza e culinária, oferecidos pela entidade.

Muitas querem montar o próprio negócio. É o caso de Lúcia Reginaldo Bertulino. Com a morte do marido, há dois anos ela ficou com a responsabilidade de dar o que comer para os sete filhos, ainda menores. “Se não fosse a venda do sabonete estaria passando por dificuldades”, revela. Marli Vargas é diarista. Ela disse que teve que se adequar a tudo o que aprendeu em casa com a família com o mundo fora da aldeia. “Numa casa na aldeia sãos as filhas e filhos que servem os pais ou fazem os trabalhos de casa. Para nós não seria comum colocar outra pessoa para fazer este trabalho” compara.

Elizabete Feliciano Flores diz que apesar de ter conseguido emprego fora, muitos índios ainda sobrevivem de cestas básicas doadas pelo governo e que muitas vezes não chegam. “A mulher indígena não quer ser dependente. Queremos trabalhar, conseguir dinheiro para manter nossa família sem doação de ninguém. Queremos dignidade”, reforça.

Para Lenir esta iniciativa das mulheres é um artifício encontrado para que parem de sentir a dor de perder os filhos para as bebidas e drogas, principais “gargalos” para o fim da violência na comunidade.

Para ela faltam oportunidades. O preconceito e o choque cultural ainda dificultam a interação das índias fora da al-deia. “Nossa cultura é de ensinar os filhos a trabalharem desde cedo, ajudando o pai ou a mãe na lavoura e comercialização do que é produzido, seja na aldeia ou fora dela. Infelizmente, a lei diz que criança não pode trabalhar. O que resta para elas? Muitas vão para as drogas, prostituição e bebidas”, lamenta. A expectativa destas mulheres é de que, com a profissionalização, elas consigam trazer para a aldeia um futuro melhor para todos.

Fonte: Dourados Agora

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