A degradação e o assoreamento na cabeceira do córrego Guariroba ameaçam comprometer o fornecimento de água potável em Campo Grande nas próximas décadas, de acordo com ambientalistas, e o risco iminente preocupa autoridades locais. O manancial situa-se em uma área de preservação de 36 mil hectares e pertence a uma microbacia responsável por 51% do abastecimento da cidade.
Desrespeito à mata ciliar e manejo inadequado de gado foram algumas das situações encontradas pela equipe do movimento Guariroba Vivo, que vistoriou o local no início do ano. O professor Jânio Macedo conta que houve avanços na conservação do solo, porém ainda falta muito a se fazer. “A erosão ficou estagnada e já foi feito o recuo do plantio de eucalipto. Mas o assoreamento a partir da nascente é visível”, explica.
Há pelo menos uma década, o córrego sofre com os danos ambientais provocados pelo uso intensivo do solo para a agropecuária. O conselheiro da ONG Ecologia e Ação, Eduardo Romero, observa que se nada for feito a fonte pode se exaurir. “Alguns anos atrás ninguém tinha preocupação em preservar o Guariroba. Se a a fonte secar, além da tragédia ambiental, a população terá de arcar com os custos da abertura de novos poços”, argumenta o biólogo.
O Ministério Público Estadual também chama a atenção para a resolução dos problemas no manancial. Em janeiro deste ano, a 26ª Promotoria de Justiça em Campo Grande firmou um termo de ajustamento de conduta com o proprietário de uma estância localizada na área da nascente. A iniciativa é parte de um trabalho integrado com outros produtores da região, visando minimizar as agressões ao meio ambiente. Atualmente 62 famílias rurais vivem no entorno da nascente do Guariroba.
Alternativas – O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e doutor em engenharia de água e solo, Teodorico Alves Sobrinho, não crê na hipótese de que o manancial do Guariroba possa secar em curto ou médio prazo. Para o estudioso, várias ações já estão sendo implantadas para frear o assoreamento. Como exemplo citou o Rehidro, que prevê o reflorestamento de áreas para monitorar os índices de sedimentos enviados ao leito do córrego. “O Rehidro é uma parceria entre poder público, privado e pesquisadores, para encontrar soluções à preservação das nossas bacias”, explica.
Outro programa que pode ajudar a mitigar o assoreamento é o Manancial Vivo, coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur). O projeto quer garantir pagamento aos produtores rurais que mantiverem o gado afastado das áreas de preservação, e conta com R$ 1,58 milhão para incentivar as boas práticas agropastoris.
Cerca de R$ 700 mil foram repassados pelo Ministério Público Estadual e servem para recuperar partes da microbacia. Outros R$ 880 mil se destinam à remuneração dos produtores.
Cada produtor precisa apresentar um projeto técnico para prestação de serviço na área de proteção ambiental. Como o programa ainda é piloto, não houve repasses até agora. Mas de acordo com a Semadur, a adesão é satisfatória: seis de nove produtores da região participam do Manancial Vivo. A expectativa do órgão é de que, a partir dos primeiros resultados positivos, os demais passem a participar.
Fonte: Iagro
