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terça-feira, 7 de abril de 2026

Terra disputada em Dourados vale R$ 102 milhões

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A área de 6 mil hectares disputada entre indígenas e fazendeiros em Dourados vale cerca de R$ 102 milhões. A estimativa é imobiliárias e ruralistas. Segundo eles, cada hectare está avaliado hoje em R$ 17 mil. De acordo com o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados (Aeagran), Bruno Tomasini, uma área de 6 mil hectares tem capacidade para produzir R$ 14 milhões por safra de soja. Levando-se em conta que são duas colheitas por ano este valor dobra, movimentando a economia em cerca de R$ 28 milhões. A estimativa da receita contabiliza as despesas e o lucro do investidor.

A questão agrária volta a ser tema de discussão com a Semana do Lavrador, comemorado amanhã, dia 23. Em Dourados, a situação no campo é preocupante para ruralistas, tendo em vista a ocupação de terras por indígenas. De acordo com o produtor rural Darci Decian, proprietário da terra de 26 hectares que hoje está ocupada por grupos das etnias guarani e Caiuá, a disputa já vem gerando prejuízos financeiros e emocionais.

“Minha meta é ir embora de Dourados, porque apesar de tantos investimentos estou à mercê de perder tudo. Não sou contra os indígenas reivindica-rem seus direitos, mas desde que não passem por cima da lei. Com esta insegurança jurídica qual é o empresário que vai querer investir em Dourados sabendo que pode perder tudo? Eu recomendo que investidores pensem duas vezes antes de vir para esta cidade, que está se tornando uma terra sem lei”, desabafa.

Segundo ele, a área pretendida pelos indígenas – 6 mil hectares – tem a capacidade para gerar cerca de 1,2 mil empre-gos. “Já ingressamos com um pedido de reintegração de posse e aguardamos agora que as autoridades competentes cum-pram o seu papel”, destaca, observando que se não conseguir plantar soja na área ocupada até agosto poderá perder a safra de inverno.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, a vinda do Conselho Nacional de Justiça para Dourados trouxe boas expectativas para a categoria. Segundo ele, o que se espera é que o impasse seja resolvido dentro da legalidade e da Justiça. Ele diz que o sindicato acompanha o caso de perto e que não está medindo esforços para que tudo seja resolvido o quanto antes.

Funai

A coordenadora da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Dourados, Maria Aparecida Mendes de Oliveira, disse ao douradosagora que ainda é cedo para se manifestar a respeito desta área, se é realmente de propriedade indígena. Segundo ela, a Funai não incentiva mas também não pode proibir a comunidade indígena de reivindicar direitos. Ela acredita que o índio pode estar ocupando uma terra menor do que deveria.

Maria Aparecida explica que em 1920 o governo Federal declarou uma área de 3,6 mil hectares para os indígenas, mas eles estariam ocupando apenas 3,5 mil hectares; área que foi demarcada. Por causa disto, um estudo será realizado para identificar os 100 hectares supostamente remanescentes. Os trabalhos vão se concentrar na localização de marcos e placas no interior da Reserva, que limitavam a área destinada aos nativos.

De acordo com informações do antropólogo da Funai de Dourados, Diógenes Cariaga, algumas dessas placas desapa-receram com o tempo e através de resgate desses pontos será possível identificar se a área ocupada pertence ou não aos indígenas. Após obter o resultado do levantamento dos pontos, a Funai em Dourados pretende solicitar a presidência em Brasília para que realize uma perícia mais aprofundada para diagnosticar a área.

Indígenas

O grupo de lideranças indígenas justifica a ocupação alegando que as terras pertenceram a antepassados. Segundo eles, a desapropriação não significa que a terra deixará de ser produtiva, pelo contrário. “Queremos terra para plantar e criar nossos filhos com o esforço do nosso trabalho e com o que a terra nos dá”, explica o cacique guarani Shatalim Graito Benites.

Ele explica que a ampliação da Reserva de Dourados é necessária porque as famílias indígenas estão “sufocadas” nas aldeias. O fato, segundo ele, contribui para que a população local sofra com a pobreza e violência que tomaram conta das aldeias. “A cesta básica mensal não é suficiente para as famílias. Além disso, não queremos mais depender do poder público para comer. Queremos viver do resultado do nosso trabalho”, destaca.

Segundo Shatalim, os indígenas que ocuparam a área estão vivendo apenas pela fé. “São muitas famílias que se formaram recentemente e não são nem ao mesmo cadastradas em programas sociais de alimentação”, destaca. Ele comenta que a maior preocupação é com crianças. “Elas estão aqui passando frio e fome. Não muito diferente do que acontece na Bororó e Jaguapiru onde estavam. Não queremos ver mais nossos filhos morrerem na miséria e por isto resolvemos lutar por nossos direitos”, destaca.

Fonte: Dourados Agora

Terra disputada em Dourados vale R$ 102 milhões

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