Comemorado sempre no primeiro sábado do mês de julho, o Dia Internacional do Cooperativismo, em 2011, é comemorado neste sábado, 2 de julho. Para marcar a data, o tema definido pela Aliança Cooperativa Internacional – ACI propõe uma reflexão sobre o papel do jovem no desenvolvimento e fortalecimento do cooperativismo, bem como a importância das cooperativas na geração de autonomia econômica para a população, por meio do trabalho decente, com reflexos positivos para toda a sociedade. Juventude: o futuro do cooperativismo será o tema de 2011.
Cooperativismo no currículo
A Escola Municipal Antônio Pinto da Silva, da rede de ensino de Amambai, desenvolve há 10 anos um projeto pioneiro na cidade. Os alunos do 6º ano 9º ano tem na grade curricular uma disciplina sobre Cooperativismo com uma professora que trabalha o conteúdo de maneira a integrar todos os alunos com os conceitos do cooperativismo.
Além disso, conta com apoio da OCB / Sescoop (Organização das Cooperativas Brasileiras e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) que são órgãos responsáveis pelo registro de todas as cooperativas em todo o Brasil.
Os alunos tem a disciplina Cooperativismo a partir do 6º ano do Ensino Fundamental, são 10 turmas por ano que desenvolvem o conteúdo. “O objetivo é manter os valores de cooperação, ajuda ao próximo, os alunos aprendem a trabalhar em cooperativa, um auxiliando o outro, para o crescimento de todos”, explica a professora responsável pela disciplina, Kelly Silva Nascimento.
A Escola Antônio Pinto, que tem na direção a professora Maura Vicentim, é a única unidade escolar do Mato Grosso do Sul que trabalha a matéria Cooperativismo dessa forma.
Cooper Art
A cooperativa formada pelos alunos do 9º ano, a Cooper Art, conta com uma diretoria formada pelos próprios alunos, com a coordenação da professora Kelly, que os ajuda no desenvolvimento de seus projetos. “Quando alguém tem uma ideia, a gente leva para a professora, ela analisa e depois leva para a diretoria, que diz se é viável ou não”, diz a aluna Eliane dos Santos, vice-presidente da cooperativa.
Tudo é organizado pelos alunos e decidido por votação, desde a escolha da diretoria da cooperativa, os projetos e também o que fazer com os lucros. “Tudo que é feito pela cooperativa é vendido e a renda é revertida para os alunos, que abriram uma conta no Sicredi. Esse dinheiro pode ser usado para a compra de materiais para os alunos ou ser revertido em benfeitorias para a escola”, explica a coordenadora da escola, Vera Lorenzetti. Por exemplo, continua ela, se os alunos do 9º ano querem pintar a sala de aula, podem usar esse dinheiro.
Fabricação de cachecóis
A cooperativa hoje na Escola Antonio Pinto trabalha com a fabricação artesanal de cachecóis e peças de vestuário feitas pelos alunos em teares. Toda a produção é vendida e o dinheiro arrecadado é depositado na conta do Sicredi.
Vera diz ainda que a intenção da escola é sempre unir todos os alunos, e para isso, são elaboradas gincanas e disputas para que haja a cooperação de todos.
“Nós fizemos uma gincana de reciclagem onde a sala que arrecadasse mais sucatas como garrafas pet, latas e plástico ganharia um passeio em Dourados, deu certo, porque com esse sentimento de competição, cada aluno colabora. Depois de juntar toda a sucata, ela é vendida para a reciclagem e o dinheiro será utilizado no passeio”, diz a coordenadora.
Mudanças de atitude
Para os alunos, o fato de estudar Cooperativismo mudou suas atitudes dentro e fora da sala. “Nós levamos isso pra fora da sala, usamos no nosso dia a dia em casa, aprendemos que não fazemos nada sozinhos, tudo precisa de cooperação, de ajuda”, diz Lohana Nascimento, presidente da Cooperativa. A professora Kelly também destaca mudanças no comportamento dos alunos dentro da escola. “Os alunos dão mais valor para a escola, aprendem a colaborar uns com os outros, o que faz com que eles se interessem mais pelos assuntos escolares”, diz Kelly.
“Os alunos se interessam no que estão fazendo e o objetivo é justamente esse, de promover a integração entre todos. Nem todos os alunos da sala fazem parte da diretoria da cooperativa, mas todos os alunos, de todas as salas, colaboram para que dê certo”, finaliza Lohane.
Saiba mais
O cooperativismo foi idealizado por vários precursores e aconteceu de fato em 1844, quando 28 tecelões do bairro de Rochdale, em Manchester na Inglaterra, criaram uma associação que, mais tarde, seria chamada de Cooperativa. Explorados na venda de alimentos e roupas no comércio local, os artesãos montaram, primeiro, um armazém próprio. Depois a associação apoiou a construção ou a compra de casas para os tecelões e montou uma linha de produção para os trabalhadores com salários muito baixos ou desempregados.
Desde então, as cooperativas existem em vários setores e em todo mundo. Os valores e princípios cooperativos foram preservados, com pequenas alterações, ao longo destes anos.
As normas de organização e de funcionamento dessa cooperativa, elaboradas pelos tecelões, passaram a constituir não somente o modelo cooperativista adotado em todo mundo, como também a própria base da filosofia do cooperativismo. Os planos desses pioneiros eram muito ambiciosos: pretendiam a reformulação dos meios econômicos e sociais da época.
Calcado na ideia de que cada indivíduo depende apenas do próprio esforço e empenho para seu enriquecimento, o capitalismo se apresenta como o meio mais eficiente e eficaz de prosperidade, desenvolvimento e eliminação de pobreza nas sociedades.
Entretanto, as grandes crises do sistema – a crise de 2008, a crise sistêmica de 1974 que abriu o caminho para o desenvolvimento do modelo neoliberal e seu ideário de globalização e a Grande Depressão, ocorrida após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 – trazem evidencias em sentido contrário.
Em contrapartida, a cooperativa é uma forma societária que privilegia a pessoa, e não o capital, tornando-se instituição socialmente mais justa. O fortalecimento do sistema cooperativista passa, entre outras coisas, pelo desenvolvimento de novas lideranças, pela geração de novas ideias e pelo surgimento de novas cooperativas conscientes da doutrina e filosofia, além da profissionalização da gestão.
Fernanda Moreira / Da Redação
Com edição de Viviane Viaut e informações da Cootravale – Cooperativa dos Transportadores do Vale





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