20/07/2011 14h05 – Atualizado em 20/07/2011 14h05
Iagro
A pesquisadora Cecília Vieira, do mestrado em Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), comprovou a eficiência de uma técnica que otimiza o plantio da soja. O estudo mostra uma nova maneira de matar os ovos da principal praga do grão, o percevejo. A novidade foi tirar a pesquisa dos laboratórios e levá-la para campo, onde ainda não havia sido testada. Os resultados comprovam que esta pode ser uma alternativa aos inseticidas atuais, que oferecem risco ambiental.
A pesquisa rendeu a Cecília o primeiro lugar do Prêmio Jovem Inventor da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) na categoria Pós-graduação. Ela ganhou R$ 10 mil e pretende investir o dinheiro em mais estudos. A pesquisadora já tem um projeto de doutorado na área de Ecologia e quer estudar as particularidades dos insetos da família Mutillidae, uma vespa parasitóide semelhante a formigas.
A professora Ivone Diniz, diretora do Departamento de Zoologia e coordenadora da Pós-graduação em Ecologia, considerou o prêmio como um atestado do desempenho acadêmico da UnB. “Demonstra que estamos desenvolvendo bons trabalhos”, diz. Ivone explica que o trabalho se situa em uma área interdisciplinar, que reúne biologia, química e botânica. “Para entender essas interações entre animais e plantas, é preciso de uma visão múltipla”, diz.
PESQUISA
A dissertação intitulada Ecologia Química de insetos parasitóides de ovos e sua aplicação no controle biológico de pragas – clique aqui para acessar o estudo – foi uma parceria da UnB com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, divisão responsável pela biotecnologia na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Cecília passou nove semanas no campo experimental da Embrapa, em Brasília, onde usou uma plantação de soja atacada por percevejos.
A pesquisadora espalhou uma substância na plantação que atrai vespas, parasitas naturais do percevejo. A vespa põe seus ovos dentro dos ovos do percevejo. As larvas da vespa desenvolvem-se dentro desses ovos e alimentam-se dos nutrientes deles. Isso mata as larvas do percevejos e deixa a plantação praticamente livre da praga.
Sintetizado no Japão, o cis-jasmone é um extrato orgânico e por isso não traz danos para o ser humano e nem para a agricultura. A substância é liberada pela planta quando está sendo atacada pelos percevejos. “É um mecanismo de defesa para se comunicar com o ambiente”, diz. Segundo Cecília, a vespa já é usada em plantações do Sul do Brasil, mas a substância para atraí-la não. “A substância pode auxiliar na retenção dessas vespas na área em que foi aplicada”. A pesquisadora explica que o manejo integrado de pragas, que usa métodos ecológicos de controle dos insetos, beneficiaria a agricultura como um todo, que ainda usa muitos produtos nocivos. “O inseticidas deveriam ser o último recurso”, afirma.

