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terça-feira, 12 de maio de 2026

Expedição de pesquisadores inicia jornada pelo Pantanal em MS e MT

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25/07/2011 08h01 – Atualizado em 25/07/2011 08h01

Acrissul

A expedição de uma equipe formada por técnicos ambientais, biólogos e jornalistas deve percorrer 19 mil quilômetros do Pantanal até dezembro para mapear iniciativas que contribuam para a conservação da região da Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP). A equipe do Instituto SOS Pantanal dividiu o percurso em nove rotas.

São mais de 160 mil quilômetros quadrados de Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Uma área maior que a Holanda, Portugal e Bélgica juntos.

Foi na fazenda Caiman, em Miranda, que o Instituto SOS Pantanal fez o lançamento deste projeto ousado, a Expedição Pantanal. “Esta expedição vai conhecer pelo Pantanal quais são as boas práticas que existem”, diz o presidente do instituto, Roberto Kablin.

O lançamento oficial foi durante a premiação dos peões campeões de um torneio de laço. O peão pantaneiro se diverte praticando o que ele mais faz no campo e demonstra destreza e pontaria perfeitas. Nessa região de extremos, o homem precisa saber que quem manda é a natureza.

O banqueiro André Esteves comprou alguns milhares de hectares no Pantanal do Rio Negro, onde pretende tocar fazendas de pecuária e investir em preservação. “Não adianta a gente pensar em preservar o meio ambiente e não trazer uma alternativa econômica a isso, graças a Deus, aqui, esta equação é muito bem resolvida, temos isso há centenas de anos”.

A vice governadora Simone Tebet, que é da região do bolsão, também esteve presente e se encantou com as belezas pantaneiras. “Não tem como este projeto não colher algo fundamental para Mato Grosso do Sul, para o meio ambiente, que é analisar e perceber as nossas vulnerabilidades. Teremos condições de executar ações concretas para transformar aquilo que está colocando em perigo o nosso Pantanal em ações pioneiras e inovadoras de preservação.”.

Mas veio do senador Delcídio do Amaral (PT/MS) a promessa mais esperada: a de criar uma lei específica para proteger o bioma Pantanal. Isso é previsto na constituição de 1988, mas, até agora, não saiu do papel.

“Estabelecendo uma série de medidas para disciplinar a atuação do homem sobre o bioma pantaneiro; eu vou preservar, eu tenho que ser remunerado por aquilo que preservei e não adotarem um tipo de procedimento comigo semelhante ao que adotam para quem devasta, a quem não trata adequadamente o nosso bioma”.

Mesmo quem não é do Pantanal já descobriu que esse paraíso precisa de muita atenção. Tanto que uma empresa que fabrica automóveis investe muito em preservação e, aqui, é uma das patrocinadoras. “Encontramos uma sinergia nesta atividade, nós estamos muito felizes em participar disto”, disse o diretor executivo da Fundação Toyota, George Costa Silva

O papel da imprensa é fundamental para levar até as pessoas, as informações sobre o que acontece nesses recantos. “Eu acho nos temos uma grande discussão que é o Pantanal, o centro-oeste, enfim, o meio ambiente como um todo, da Amazônia até o sul, o Brasil é uma coisa só que temos que olhar com a mesma preocupação”, disse o vice-presidente do Grupo Zahran, Caio Turqueto.

Após o lançamento oficial, a equipe de expedicionários saiu rumo a primeira rota. A primeira parada foi no fim do aterro, a única estrada de acesso às fazendas. O grupo chega à Aquidauana, na fazenda Retirinho e encontra grande movimentação.

A fazenda, em março, estava completamente inundada, o rebanho foi retirado e levado para outra área. Os animas já retornaram depois que as águas abaixaram e, agora, o gado já está sendo transportado para o frigorífico. Este sistema de trabalho faz parte do trabalho de estudo da expedição.

“Embora a gente faça um pré-agendamento, a ideia é conhecer o dia a dia de cada prática que a gente está visitando, tudo isto é muito didático”, avalia Lucila Egydio, coordenadora da Expedição Pantanal.

No meio dos peões, está Jesus Xaviera, que há vinte anos na lida com o gado na região pantaneira. “A gente acostumou aqui”.

No único ponto onde as carretas chegam o fazendeiro construiu uma estrutura para embarcar o gado que é usada por toda a vizinhança, pois só assim conseguem embarcar o gado.

Muitos fazendeiros precisam voar para chegar as suas terras, o que torna o avião uma necessidade, principalmente em época de cheia. A casa do produtor Timóteo Proença construída há 50 anos, é um ponto de passagem para quem vai se embrenhar no Pantanal do Rio Negro.

Logo na recepção, que é feita com muita hospitalidade, o pessoal da expedição já começa a tentar entender um pouco a história da família e se preparam para o almoço, um verdadeiro banquete preparado pelas cozinheiras da fazenda. Depois do almoço sob a sombra fresca, às margens do rio Aquidauana, Timóteo explica como é a lida de quem depende do Pantanal.

“É uma prática sustentável. A própria natureza não deixa você o que quer, para que se preserve, isso aí tem que ter remuneração, é o caminho mais certo. Se você não tiver produzindo, vai ter que vender uma parte de sua área”.

Os caminhos no Pantanal mudam conforme a época. Quando vem a enchente são feitos atalhos, já não existem estradas, apenas trilhas que passam por dentro das fazendas.

A equipe chega na fazenda Nova Estância. Após o período de cheia o gado precisa ser levado para outro pasto. O produtor Kalil Ibrahim Zaher faz parte da terceira geração da família que vive no Pantanal, diz ter encontrado uma paixão e uma fonte de renda. A fazenda tem 11 mil hectares, 5,5 mil cabeças de gado. A natureza deu o pasto e onde tem mata ele preservou.

“Custo de produção é mais baixo, não precisa tanta tecnologia, como na serra. Aqui você não gasta com reforma de pastagem, o calcanhar de Aquiles da pecuária”.

São pelo menos 11 pantanais diferentes dentro do Pantanal. Dependendo da região, a paisagem é completamente diferente e o jeito de lidar nas fazendas também. Nas últimas décadas, muitas propriedades abriram as porteiras para o turismo.

Na pousada Barra Mansa, a expedição encontrou a catarinense Poliana, que se casou com neto de pantaneiro e há um ano é gerente da pousada da família. A expedição quer registrar esse mosaico, essas diferentes situações em que vive o Pantanal hoje.

O bioma está com mais de 80% da planície preservada por causa do estilo de vida do jeito pantaneiro de ser.

Pesquisa do Instituto SOS Pantanal vai mapear iniciativas de conservação. Grupo dividiu Pantanal em nove rotas, trabalho que irá durar nove meses.

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