25/07/2011 08h07 – Atualizado em 25/07/2011 08h07
Acrissul
Em Mato Grosso do Sul, os produtores estão de olho no melhoramento genético do rebanho. O pecuarista Danilo Cristófaro tem cerca de duas mil cabeças de gado das raças nelore e brangus. Ele faz cria, recria, engorda e também investe em gado de elite. Para isso apostou em um programa de transferência de embriões, tecnologia usada para multiplicar os animais que mais se destacam na propriedade.
“Além de eu conseguir reproduzir os meus próprios reprodutores e matrizes, a transferências de embriões trouxe precocidade nos animais que vão pro abate de seis meses, em média, de antecedência e com mais peso do que antes. Além disso, eu consigo ainda um desmame de um mês a menos, com peso de 40kg a 50kg, mais que no desmame natural”, afirma o produtor rural Danilo Cristófaro.
O pecuarista conta que seguiu a risca a cartilha da transferência de embriões. Contratou uma equipe especializada em genética e em três anos, gastando em média R$ 350 a R$ 400 por prenhez, teve os primeiros resultados.
“Embora você invista um pouco mais na tecnologia, você consegue lá no final, seja com reprodutores ou matrizes e pelo preço da carcaça que irá para o frigorífico ou para comercialização, você consegue absorver os custos tendo de abrir mão de poucos ganhos financeiros”, afirma o produtor.
Transferência de Embriões
A tecnologia de transferência de embriões está há pouco mais de dez anos no mercado pecuário. A cada dia vem se tornando mais popular e acessível entre os criadores brasileiros. Para quem quer investir, o primeiro passo é a escolha das receptoras, as chamadas barrigas de aluguel. Antes do procedimento, as vacas passam por um tratamento hormonal.
“Todas as receptoras foram previamente sincronizadas para darem cio ao mesmo tempo e ela também estará sincronizada com a quantidade de vida do embrião. Ela estará com sete dias de cio e o embrião com sete dias de vida”, explica o médico veterinário Moisés Máximo.
O veterinário explica ainda que até o manejo influencia no resultado. Vacas estressadas podem rejeitar o embrião e por isso os peões passam por um treinamento.
“Desde o campo, o manejo nas invernadas, tudo tem de ser devagar com os cavalos, não pode ser na correria para não deixar os animais estressados. A vacinação tem de ser em grupo, tudo junto, a alimentação também tem que ser balanceada”, explica o capataz Orácio Bueno.
Somente depois do tratamento com as vacas é então é feita a transferência por um médico veterinário, especialista em biotecnologia.
O procedimento é rápido. É que o embrião não pode ficar muito tempo fora da estufa, onde ele foi preparado.
“A taxa de prenhez varia muito, depende da relação vaca X touro, mas ela varia de 40% até 60% de prenhez. A cada 100 embriões transferidos, você pode ter 50, 60 receptores que conseguiram conceber o embrião”, afirma Máximo.
Vantagens
Uma das vantagens da transferência de embriões está na quantidade de filhos que ela pode gerar. Pelo método convencional por exemplo, uma vaca produz um bezerro por ano. Pela técnica transferência de embriões, esta mesma vaca pode gerar de 50 a 150 filhos por ano, usando várias receptoras. Especialistas afirmam que a técnica é a mais usada atualmente para quem busca aprimoramento genético.
Os animais produzidos com a utilização da tecnologia são vendidos em feiras e leilões por milhões de reais em todo o Brasil. Quem compra, está interessado em multiplicar as características dos animais.
“Quando o material chega no laboratório, colocamos na maturação para ser fecundado. Depois faremos a fecundação. Isso demora 24h. A estufa simula o corpo do animal. A temperatura e a umidade tem de ser controlados”, descreve a bióloga Ione Castro.
Custos
A exigência mundial para a produção de alimentos seguros tem motivado a pecuária a pensar em ferramentas para acelerar a produção. Isso justifica porque as biotecnologias não param de crescer. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de embriões in vitro, com quase 80% das transferências desses embriões.
“Em torno de 600 reais é o custo total do processo, ou seja laboratório e campo, sem contar a genética. Nós também temos alguns projetos voltados a pecuária de leite. Nessa área temos vacas excelentes que doam seus oócitos que são aspirados e levados ao laboratório mais próximo, aí fecundados. Pra fecundar é preciso buscar touros aprovados que vão custar de R$ 500 a R$ 2 mil”, detalha o empresário Felipe Berni.
Berni afirma ainda que uma dose de sêmen pode fecundar até 10 vacas em média.
“Com isso, nós temos então um custo reduzido. Essa dose de 500 reais, sai 50 reais por vaca e que produz em média 5 embriões que vão gerar de 2 a 3 prenhezes. Ou seja, cada prenhez terá um custo genético de 30 reais”.

