29/08/2011 14h01 – Atualizado em 29/08/2011 14h01
Diretor da Embrapa alerta para o aumento das demandas por pesquisa e defende ciência ao alcance da sociedade
Iagro
Reflexões e questionamentos sobre os desafios da Embrapa diante dos novos cenários deram o tom da palestra do diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, realizada no dia 24 de agosto de 2011, na Embrapa Informação Tecnológica. Durante cerca de duas horas, os empregados da Unidade tiveram a chance de analisar as perspectivas para o futuro da divulgação da ciência, principal missão dos projetos desenvolvidos pela Unidade em benefício da sociedade brasileira e de países com os quais começam a ser firmadas novas parcerias.
“As nossas tarefas são muitas e nem sempre é possível parar para avaliar a importância do nosso trabalho, da nossa trajetória profissional, como parte integrante dos processos de apoio à área fim da Embrapa, que é a pesquisa”, comentou o gerente-geral da Unidade, Fernando do Amaral Pereira. “Precisamos estar antenados para podermos caminhar juntos”.
Com o tema Cenários e tendências em inovação agropecuária – desafios e oportunidades para a Embrapa Informação Tecnológica, a palestra destacou os avanços da agricultura brasileira ao longo das últimas décadas, em especial a partir dos anos 60, quando a falta de conhecimento, de políticas de promoção e incentivo à atividade agropecuária dificultavam o desenvolvimento.
“Em um curto período, no entanto, esse panorama evoluiu e a importância da produção alimentar conduziu o Brasil à autosuficiência”, disse o diretor Maurício Lopes, destacando o fato de que hoje apenas 30% da produção interna de alimentos são exportados e 70% destinam-se ao consumo do povo brasileiro.
A necessidade da adoção intensiva de sistemas sustentáveis de produção, como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta, na sua opinião, tem norteado a agenda nacional da pesquisa agropecuária e associado diferentes instituições da área, com o apoio das políticas públicas para o setor. “Tem aumentado o debate em torno da questão da sustentabilidade, do desafio da busca pela energia limpa, da substituição da matriz energética”, comentou ele, chamando a atenção para o papel da comunicação, da informação e do conhecimento científico no panorama atual.
“É preciso reconhecer, no entanto que vários fatores impulsionaram o avanço da agropecuária nacional, como a ciência e a tecnologia, as condições climáticas, a disponibilidade hídrica, a infra-estrutura básica, mas acima de tudo o empreendedorismo do homem do campo”, disse.
Na sua opinião, para que o Brasil se mantenha na posição de destaque que hoje ocupa, como segundo produtor mundial de alimentos, é preciso superar os impactos ambientais, sociais, reduzir a pressão sobre os biomas frágeis, em benefício de uma agricultura que ainda é carente e descapitalizada. “E é aí que a comunicação e a informação entram como apoio e incentivo”, afirmou, referindo-se às estratégias do Governo Federal, como o Brasil sem Miséria, do qual a Embrapa faz parte, com o objetivo de reverter situações como a diagnosticada por recente levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o qual aponta que dos 5 milhões de estabelecimentos rurais em todo o País, apenas 983 mil dispõem de tecnologia.
Mais demandas
O diretor Maurício Lopes disse acreditar que haverá mais demadas para a Embrapa, com a posse do brasileiro José Graziano da Silva, no cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em um momento em que o mundo se aproxima da marca de 7 bilhões de habitantes, dos quais 1 bilhão não tem o que comer.
As mudanças climáticas, que vão resultar em estresse biótico e agravar as limitações de solos ácidos e pobres, em especial na região subequatoriana onde está localizado o Brasil, segundo o diretor, vão exigir formas de adaptação alternativas, como fixação biológica de nitrogênio, descarbonização da agricultura, adoção de metodologias de zoneamento, voltadas ao controle da expansão das atividades de acordo com as restrições ambientais.
Segundo ele, também é fundamental que a tríade alimentação-nutrção-saúde seja reforçada por meio da pesquisa que deve contribuir com o aumento da densidade nutricional e a funcionalidade dos alimentos, como forma de criar formas preventivas de doenças.
Para o ano de 2012, Maurício Lopes chamou a atenção para a realização do evento Rio +20, em que a economia verde, baseada na baixa emissão de carbono, uso eficiente de recursos naturais e na economia sustentável, vão nortear as metas para o futuro. “A agricultura tem que ser provedora desses serviços ambientais”, disse. “Os produtos e processos ainda estão dispersos nas instituições de pesquisa agropecuária”.
Como “provocação” aos empregados da Embrapa Informação Tecnológica, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento, falou sobre a necessidade crescente de levar à sociedade a informação para os diferentes públicos usuários do conhecimento produzido pela Embrapa. “Devemos melhorar a capacidade de inovação, continuamente e acabar com a visão gradualista da mudança”, comentou. “Esta unidade está contribuindo muito para que o Brasil avance nesse sentido e certamente vai contribuir ainda mais na condução dos desafios”.
