31/10/2011 15h34 – Atualizado em 31/10/2011 15h34
Brasil de Fato
Manifestantes realizam um ato em frente à Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) no campus Butantã, nesta segunda-feira, a partir das 18h. O objetivo é chamar atenção para o aumento da repressão contra parte da comunidade acadêmica e para exigir o respeito do reitor João Grandino Rodas ao direito de livre organização e manifestação política.
O ato acontece um dia antes de uma assembleia geral dos estudantes que ocorrerá na terça-feira (01) no vão do prédio dos cursos de História e Geografia, também às 18h.
Estudantes ocupam a diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) desde a última quinta-feira (27), exigindo, como condicionantes para deixar o prédio, o fim do convênio assinado pela Universidade com a Polícia Militar, a saída dos policiais militares do campus e a revogação de processos administrativos contra estudantes e funcionários.
Pelo menos 26 estudantes e cinco diretores do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão sendo processados por motivações políticas.
A maioria dos alunos processados respondem por uma ocupação de um bloco do administrativo do Conjunto Residencial da USP (Crusp), com a finalidade de garantir mais vagas para a permanência estudantil.
Já os diretores do Sintusp correm o risco de sofrerem demissão por justa causa por terem prestado apoio ao movimento de trabalhadores terceirizados na Universidade que, somente neste ano, já organizaram duas paralisações contra o atraso no pagamento dos salários.
Entenda o caso
A ocupação foi decidida em assembleia com mais de 500 estudantes, após um confronto que ocorreu no estacionamento da FFLCH entre estudantes e dezenas de policiais, que estavam em quinze carros da Polícia Militar. Entre bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes de um lado e pedradas do outro, a Polícia recuou e se retirou da Faculdade às pressas.
A revolta começou por volta das 18h, depois que PMs abordaram e prenderam três estudantes do curso de Geografia, que fumavam maconha dentro de um carro, no estacionamento que fica entre o prédio dos cursos de História e Geografia e o prédio do curso de Ciências Sociais. Após horas de manifestação, os alunos foram deslocados para uma sala de aula, com a presença dos seus advogados e da diretora da FFLCH, Sandra Nitrini. Os três acabaram detidos e seguiram para 91º DP, localizado na Avenida Gastão Vidigal, cerca de nove quilômetros do Campus.
A relação de desconforto vem aumentando desde que a PM intensificou os enquadros a funcionários e estudantes da Universidade. Em setembro deste ano, a Universidade firmou um Convênio com a Polícia Militar para, supostamente, aumentar a segurança no campus. O que houve, entretanto, foi o aumento da repressão. Atualmente, é comum estudantes relatarem abordagens truculentas e revista por policiais. Até mesmo senhoras, conforme lembraram estudantes durante a assembleia, já foram revistadas e ficaram indignadas.

