09/11/2011 08h55 – Atualizado em 09/11/2011 08h55
Portal G1
“Manter a calma”, essa é a principal recomendação feita pela bióloga, veterinária e coordenadora do Biotério da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, Paula Helena Santa Rita, no caso de uma pessoa sofrer uma picada de uma cobra peçonhenta.
Segundo Paula, a primeira coisa que acontece após uma pessoa ser picada, é o coração disparar. “Quando acontece isso, a circulação acelera e o veneno se espalha para corrente sanguínea mais rápido”, alerta.
No domingo (6), um homem de 27 anos morreu após ser picado por uma cobra peçonhenta em Campo Grande. Segundo o Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), a vítima foi picada pelo animal por volta das 17h de sábado (5) e deu entrada no Hospital Regional na madrugada.
Segundo o responsável clínico pelo Civitox, Sandro Trindade Benites, a cobra que picou o homem foi uma cascavel. O veneno dessa serpente, conforme o médico, é neurotóxico e atua no sistema nervoso central e periférico.
“A pessoa perde a força muscular, as pálpebras caem e a visão fica turva. Se não for aplicado o soro antiofídico evolui para insuficiência respiratória, chegando até a uma parada cardíaca”, explica, completando, entretanto, que o ataque de cascavel não é tão comum na região de Campo Grande, quanto o de outro tipo de serpente, a jararaca.
“Os casos mais comuns de picadas na nossa região são de jararacas. Elas preferem ambientes úmidos, onde existem rios e córregos. Justamente como o nosso. De cada dez casos, pelo menos nove são de picadas desse tipo de serpente”, concluiu.
A bióloga diz que em casos como o de domingo a melhor recomendação para a vítima é procurar auxílio médico imediato. “Tem que procurar uma unidade de saúde, que fará o encaminhamento ou receberá a orientação sobre o atendimento do Civitox”, explica.
Nada de crendice
Paula diz que no caso de picada de cobra peçonhenta a vítima em hipótese alguma deve seguir as crendices populares. “Nunca se deve fazer torniquete, furar o local e sugar o veneno. Também não pode tomar nenhum tipo de remédio, pois pode agravar o caso. E pior ainda colocar qualquer tipo de coisa sobre o local da picada. Algumas pessoas chegam a colocar fezes de animal e até borra de café, isso não ajuda em nada e pode complicar o caso”, recomenda.
Cuidados
Caso uma cobra peçonhenta seja encontrada dentro ou próximo de casa, a recomendação da especialista é evitar qualquer tipo de tentativa de captura do animal. “Se não tiver prática ou algum tipo de treinamento, não deve tentar conter o animal, porque a pessoa pode acabar sendo picada. É preciso chamar a Polícia Militar Ambiental (PMA), o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou nós aqui do Biotério” disse a bióloga.
Risco maior
Paula alerta que no verão a maior parte das serpentes peçonhentas entra no período reprodutivo e, por isso, esse tipo de animal começa a ser encontrado com mais frequência, aumentando o risco de acidentes.
A bióloga cita ainda algumas regiões da capital em que o aparecimento de cobras peçonhentas já foram relatados. “Na região do bairro União e Parque dos Poderes nós recebemos várias doações, principalmente de jararacas. E na região de Rochedo, cascavéis”, concluiu.
Melhorar atendimento
Segundo o médico responsável clínico do Civitox, no dia 24 será realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Universitário, um curso de capacitação de todos os médicos e enfermeiros da rede municipal de saúde, para preparar esses profissionais para identificar e tratar com maior agilidade os casos de picadas de animais peçonhentos.
O curso, conforme ele, será ministrado por profissionais do Civitox e do CCZ.


