23/11/2011 13h25 – Atualizado em 23/11/2011 13h25
Fonte: Portal ALMS
O atentado contra indígenas e a possível execução do líder espiritual do grupo, Nísio Gomes, no assentamento Guaiviry, entre Aral Moreira e Amambai, na região sul do Estado, gerou debates na sessão de ontem (22) da Assembleia Legislativa. Os deputados estaduais Zé Teixeira (DEM) e Pedro Kemp (PT) falaram sobre o assunto.
Kemp cobrou do Governo Federal uma solução urgente para o fim dos constantes conflitos entre índios e produtores rurais. Ele defende uma indenização justa para os proprietários rurais que perderem terras por conta dos estudos antropológicos da Funai (Fundação Nacional do Índio).
A intenção é controlar o clima de tensão e terror na região Sul, evitando mais violência contra os indígenas e mortes. “Estamos vendo morte atrás de morte e não vemos solução”, disse.
Ele lembrou que o mundo todo está acompanhando a situação de desrespeito aos direitos humanos. O ataque contra os índios foi destaque no jornal norte-americano The New York Times e notícia em jornais de todo o mundo.
“Chega de derramamento de sangue. A imagem de Mato Grosso do Sul é de um estado sem lei”, afirmou. “Chega de mortes, assassinatos e pessoas desaparecidas”.
Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), 250 indígenas foram mortos em Mato Grosso do Sul nos últimos oito anos.
Zé Teixeira – Representante dos produtores rurais, o deputado Zé Teixeira (DEM) também defendeu uma solução pacífica para o problema.
“Toda a vez que acontece um incidente mancha a imagem do Estado”, disse. “O que está acontecendo é uma coisa muito ruim para o País. O produtor rural não gosta de desrespeitar a lei”.
Em seu discurso, o democrata acusou ainda o Cimi de incentivar a “desordem” e a invasão de terras. “O Cimi fica instigando o índio contra o produtor rural”, afirmou.
Manifesto – Na próxima sexta-feira (25), o Plenário Júlio Maia, da Assembleia Legislativa, será palco de um ato em defesa aos povos indígenas.
A data marca a morte do líder indígena Marçal de Souza Tupã-I, assassinado em 1983, na porta de casa, em Antônio João.
O ato contra a impunidade e em defesa dos povos indígenas está marcado para às 9h.
Segundo o deputado Pedro Kemp, o manifesto suprapartidário está sendo organizado pela Assembleia Legislativa, Comissão de Direitos Humanos e entidades.

