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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

“Lula foi um excelente gerente do capital”

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02/03/2012 09h40 – Atualizado em 02/03/2012 09h40

Fonte: Instituto Unisinos Humanitas

“Nós criamos esse mito, o Lula, como esse homem que iria governar o país bem. Ele governou muito bem, mas governou para as elites. Infelizmente nenhuma mudança estrutural foi feita. Nenhuma”.

Essa é a opinião de Nilton Viana, editor do jornal Brasil de Fato, em entrevista publicada na revista Caros Amigos, fevereiro de 2012.

Segundo o jornalista, “a crítica à esquerda é muito complicada, porque nós, como um todo, erramos e vivemos momentos equivocados. O Brasil, hoje, é o grande polo. O Lula conseguiu vender um país lá fora muito bem e administrar muito bem. A grande verdade é o seguinte: Lula foi um excelente gerente do capital. Usando a expressão dele: “Talvez nunca antes na história desse país houve um gerente do capital tão competente.” Essa é que é a verdade”.

“Lula chegou com aquela origem conciliadora do sindicato, que sempre foi – continuaa o editor o editor do Brasil de Fato. O Lula era um sindicalista conciliador. Agora, quando você chega na presidência da República, no Estado, não tem que ficar fazendo conciliação, negociação. O Estado determina, você toma medidas. Então, o Lula quis ser um conciliador de classes, juntar todos e administrou. E conseguiu. Ele enganou bem a classe trabalhadora como um todo, que de certa forma você administra dando umas migalhinhas. É o paizão cuidando bem dos filhos daqui e os outros filhos sendo muito bem cuidados, como sempre foram. Então, ele disse: “Vou dar essas migalhinhas para a classe trabalhadora e seguro, inclusive as organizações das classes trabalhadoras.” Elas foram muito bem domesticadas nesse processo todo. E tudo isso tem um pacote de elementos: ele foi um excelente gerente, o Brasil foi vendido lá fora, o capital internacional vê isso aqui como algo bem administrado e controlado, injetou muito dinheiro e está injetando muita grana. Por que trouxe a Copa e as Olimpíadas para cá? Foi bem vendida e administrada, porque se fosse um país onde estivessem as lutas das classes trabalhadoras efervescendo, nós não teríamos nem Copa do Mundo nem nada. O capital diria: “Está louco colocar Copa no Brasil?” Esta aí os megaeventos, a construção das grandes hidrelétricas, a qualquer custo com impactos ambientais, sociais, culturais. E tudo isso nos foi vendido ao preço do Brasil Potência”.

Para ele é claro que é preciso desconstruir essa fantasia, esse imaginário pois “existem medidas sociais que deveriam ter sido feitas, mas há um conjunto de elementos, como um todo, que a esquerda como um todo não soube lidar com um governo que veio do campo da esquerda para administrar para a direita. Essa é que é a verdade. E nós havíamos tido essa experiência e foram oito anos e não conseguimos aprender com isso e estamos seguindo para mais quatro com a Dilma que, também, segue para o mesmo rumo, embora não seja tão competente quanto o Lula, porque ela não tem esse diálogo direto”.

Segundo sua análise, Dilma Rousseff, “não tem esse imaginário. Nós construímos o Lula durante 20 anos no imaginário, no inconsciente coletivo. Nós criamos esse mito, o Lula, como esse homem que iria governar o país bem. Ele governou muito bem, mas governou para as elites. Infelizmente nenhuma mudança estrutural foi feita. Nenhuma”.

"Lula foi um excelente gerente do capital"

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