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domingo, 26 de julho de 2026

Promessa do futebol amambaiense reclama da falta de apoio

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06/03/2012 17h03 – Atualizado em 06/03/2012 17h03

Fonte: Da Redação

O jovem Matheus Escobar Beloti, 15 anos, como quase todo menino, sonha em jogar futebol em um time brasileiro. Ele se prepara, estuda e mantém boas notas na escola para que não perca a oportunidade de treinar e se aprimorar na arte do futebol.

Buscando realizar seu sonho, Matheus participou de uma peneirada organizada pelo time paulista Santos, cujos olheiros estiveram na cidade de Naviraí em maio do ano passado para descobrir novos talentos para as categorias de base do time.

“Eu fiquei sabendo da peneirada em Naviraí e fui por conta própria, eu e mais dois amigos daqui de Amambai, foram mais de mil meninos avaliados nessa peneirada e apenas 21 foram selecionados e eu fui um dos escolhidos. Foi difícil ir pra Naviraí sozinho, sorte que meus pais conheciam pessoas lá e eu pude ficar na casa deles”, conta Matheus.

Após ser selecionado na peneirada, Matheus ficou aguardando a hora que iria ser chamado para uma série de testes físicos e treinos no Centro de Treinamento do Santos, que fica na Baixada Santista, em São Paulo. O convite chegou, mas a família não tinha condições para bancar a viagem do jovem atleta.

Segundo a mãe de Matheus, Celestina Miranda Escobar, a viagem iria custar mais de R$ 800,00 e então, aconselhada por amigos e disposta a ajudar o filho, ela foi até a Prefeitura de Amambai e conversou diretamente com o prefeito Dirceu Lanzarini.

“Eu tive a ideia de organizar uma promoção de pizzas para que o Matheus arrecadasse o dinheiro para fazer a viagem e não perder essa oportunidade, foi então que alguns amigos aconselharam a procurar o poder público para que me ajudassem com a promoção de pizzas”, explica Celestina.

Porém, o prefeito disse que não era necessário fazer a promoção, pois ele iria bancar toda a viagem de Matheus. De acordo com Celestina, Dirceu disse que assim que ligassem para levar Matheus para São Paulo, ela poderia procura-lo na prefeitura para que pegasse o dinheiro.

Há quase um mês, Matheus recebeu o aguardado telefonema marcando a data para que ele se apresentasse no Centro de Treinamento do Santos. Depois de receberem o telefonema, Celestina voltou a procurar a prefeitura para pegar o dinheiro que o prefeito havia prometido ao menino.

“Fazia chuva e sol, eu ia à Prefeitura pra procurar o Dirceu, mas os secretários dele sempre diziam que ele não estava, que estava viajando. Na última quinta-feira (1º), eu cheguei na prefeitura às 8 horas e saí às 10 da manhã, não é justo isso. O que eu fico chateada é que eu não fui pedir o dinheiro pra ele. Eu fui pedir apoio pra fazer a promoção de pizzas, se eu tivesse feito, o Matheus poderia ter ido, pois iria vender as pizzas e conseguiria o dinheiro”.

Celestina conta que a única pessoa que mantinha contato com ela em nome do prefeito Dirceu era o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Rozenaldo dos Santos Mauricio, que no final da tarde da sexta-feira (2), ligou para Celestina dizendo que não seria possível à ajuda prometida a Matheus.

“O Rozenaldo ligou de tarde, era mais de 17 horas já, dando uma desculpa que não iriam poder ajudar o meu filho. Foi uma desilusão total, porque nós estávamos contando com essa ajuda (…) Porque promete as coisas se não vai cumprir? Eu acreditei na palavra dele, eu podia ter feito alguma coisa pra ajudar o Matheus, mas contei com o prefeito”, desabafa a mãe.

“É ruim, eu só me iludi com a ideia de ganhar a viagem. Mas eu acreditei e deixei tudo pronto. Na escola já estava com a transferência pronta, já estava me despedindo dos meus amigos, pensando em deixar tudo pra seguir meu sonho porque eu acreditei que iria dar certo. Era pra eu ter viajado no sábado dia 3, mas por conta disso tudo, vou ter que esperar mais 90 dias até minha mãe juntar o dinheiro e poder pagar o responsável por levar os meninos pro clube”, diz Matheus.

“Mas agora eu tenho 90 dias pra conseguir o dinheiro pra poder mandar o Matheus pra São Paulo, e eu sei que eu vou conseguir juntar esse dinheiro, vou ajudar meu filho a realizar o sonho dele”, finaliza Celestina que trabalha como pizzaiola numa panificadora de Amambai e é casada com um caseiro de sítio.

Matheus diz que de tudo que ele mais quer na vida, jogar futebol profissionalmente é a meta maior. “Eu vou tentar jogar profissionalmente até não ter mais idade pra tentar uma oportunidade, é isso que eu quero, é o meu sonho!”, completa o menino que já recebeu proposta para estudar em uma escola particular de Amambai, vestindo a camisa da instituição em competições dentro e fora de Amambai.

Posição da Fundesc

Na Fundesc (Fundação de Desporto e Cultura de Amambai), que seria um meio de Matheus conseguir patrocínio para viajar para São Paulo, o diretor de Esportes, Miudinho disse que não teve conhecimento do caso do jovem e que não poderia interferir no assunto.

Segundo Rozenaldo dos Santos Mauricio, oficialmente a Prefeitura de Amambai não foi comunicada sobre o pedido de ajuda do atleta e sua mãe. Foi ele quem recebeu a solicitação. Quando ele foi verificar, seria necessário uma série de procedimentos, nota fiscal, por exemplo, para concluir o encaminhamento do subsídio. Como o rapaz não teria, disse ele, não conseguiu ajuda-lo.

Nem a presidente da Fundesc, Jaqueline Raymundo, nem o diretor de esporte, Miudinho, sabiam da solicitação feita pelo jogador.

Após ser comunicado sobre a matéria, Rosenaldo ligou para a mãe de Matheus pedindo para que ela não fizesse a matéria, alegando que “o prejudicado seria o prefeito Dirceu Lanzarini e o prefeito nem sabia dessa história”. A mãe disse que já havia procurado a imprensa para comunicar o fato.

Matheus e sua mãe, Celestina, na redação do jornal eletrônico Amambai Notícias, onde eles foram procurar ajuda para desabafar suas indignações.

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