15/06/2012 10h54 – Atualizado em 15/06/2012 10h54
Fonte: G1
A Rússia não está discutindo planos para uma transformação política na Síria que aconteceria após uma eventual saída do presidente Bashar al Assad, disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, nesta sexta-feira (15), enfatizando a oposição de Moscou a qualquer interferência externa no conflito sírio.
Rússia e China, que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, já bloquearam tentativas de potências do Ocidente de condenar Assad e pedir sua renúncia durante os 15 meses de protestos contra o governo, que se tornaram numa revolta armada violenta, com mais de 14.400 mortos, em sua maioria civis, segundo a oposição.
Nações ocidentais querem que a Rússia abandone seu apoio a Assad e têm realizado discussões diplomáticas seguidas com autoridades russas nas últimas semanas, enquanto a violência –principalmente por parte das forças do governo, segundo a ONU– impede a aplicação com sucesso de um plano de paz do enviado internacional Kofi Annan.
Numa entrevista coletiva após receber seu colega iraquiano, Lavrov disse que viu reportagens na imprensa indicando que a Rússia e os Estados Unidos estariam discutindo “uma transformação política na Síria após a saída de Bashar al Assad.”
“Se isso foi mesmo dito, não é verdade”, disse Lavrov. “Essas discussões não estão sendo realizadas e não podem ser realizadas, porque decidir pelo povo sírio contradiz nossa posição completamente”, disse ele.
“Não nos envolvemos em derrubar regimes — nem através da aprovação de ações unilaterais pelo Conselho de Segurança da ONU nem pela participação em qualquer golpe político”, disse Lavrov.
Observadores
O chefe do grupo de observadores da ONU para a Síria, o general Robert Mood, afirmou nesta sexta-feira que o trabalho de verificar o cessar-fogo no país é “limitado pela violência”.
“A violência se intensificou nos últimos dias (…) e com isso aumentam os riscos para nossos observadores. A escalada de violência limita nossa capacidade de observar e verificar” a situação, disse Mood à imprensa, seis semanas depois do início da missão, no dia 29 de abril.
Mood acrescentou que a violência também dificulta “nossa ajuda para comprometer as partes com o diálogo”.

