23/06/2012 09h49 – Atualizado em 23/06/2012 09h49
Fernanda Moreira / Da Redação
O Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd) e o Comitê Municipal Antidrogas (Comad) realizam durante a semana, no período de 19 até o dia 27 de junho, uma campanha de combate às drogas e violência no município de Amambai.
A Semana de Combate às Drogas teve início no dia 19, na Câmara de Vereadores de Amambai, com palestra de apresentação dos programas realizados no município. Na segunda-feira (25), inicia o circuito de palestras, sendo a primeira na Escola Municipal Julio Manvailer; no dia 26 será organizada uma blitz educativa com os alunos participantes do Proerd com participação da Polícia Militar, a partir das 9 horas na Praça Coronel Valêncio de Brum. Também no dia 26, será ministrada a palestra na Escola Municipal Antônio Pinto da Silva.
Fechando a Semana de Combate às Drogas no dia 27, haverá palestra para os pais às 19 horas no auditório da Semed (Secretaria Municipal de Educação). No decorrer do evento, será apresentado o novo projeto “Proerd para os pais” – que busca mostrar aos pais as ferramentas que podem ser utilizadas para que estes possam ajudar seus filhos a fazerem escolhas corretas para se manter longe das drogas, sejam lícitas ou não.
O Proerd foi instituído no município de Amambai no ano de 1992, e atualmente conta com três cursos: Proerd para Educação Infantil, para Séries Iniciais e Proerd para o 5º e 7º Ano do Ensino Fundamental. Em Amambai, o programa é coordenado pelo Sargento da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar, Geraldo Silva.
Opção de tratamento
O Proerd ensina os jovens sobre o problema das drogas e alerta para que crianças e adolescentes se mantenham longe do vício. Mas, e quando o jovem é um dependente químico ou psicológico da droga, seja ela álcool, cigarro, maconha ou crack?
Em Amambai, a opção para reabilitar esse jovem (ou mesmo adulto), trazendo-o de volta ao convívio social é o Pró Vida. Criado em 2007 pelo pastor da Igreja Evangélica Presbiteriana Renovada, Lucivaldo da Silva Lima, o Pró Vida recebe jovens que buscam livrar-se da dependência química através do trabalho em contato com a natureza. Os internos da fazenda do Pró Vida ajudam no trabalho com animais, cuidam de hortas e fazem trabalhos manuais. Mas ninguém é obrigado a ficar preso na fazenda do projeto localizada na vila Santo Antônio, próximo ao Quartel do 17º RC Mec.
“O tratamento é baseado na vontade do paciente de se internar e ficar no Pró Vida para buscar a reabilitação. Muitos procuram ficar longe das drogas, mas alguns internos não aceitam o modo de vida pregado no Pró Vida, pois precisa ajudar nos afazeres da fazenda e acabam fugindo e consequentemente, voltando para o vício”, diz o pastor Lucivaldo.
De acordo com o pastor, alguns jovens buscam internação por vontade própria, para estes, se manter longe das drogas é mais fácil, pois eles mesmos entendem o problema que possuem e querem se livrar dele. Já para quem entra por imposição da família, é mais difícil, pois não criam consciência de que a droga lhes faz mal.
“Temos o caso de um rapaz que ficou um mês no Pró Vida, e numa noite, quando todos foram para a igreja, ele disse que não queria ir e aproveitou para fugir da fazenda. Para casos como esse, não podemos interferir, pois é a vontade do internado”, comentou o pastor.
“É necessário frisar que o Proerd e a Polícia Militar apoiam o programa Pró Vida de Amambai, pois é uma forma dos jovens e adultos dependentes retornarem à sociedade limpos para recomeçar suas vidas”, completou o Sargento Geraldo Silva.
Maior problema: crack
“O crack não é um problema encontrado só em Amambai, mas sim, é um problema a nível nacional. O crack é uma droga devastadora, chega a ser mortal”, diz o Sargento Geraldo.
De acordo com o pastor Lucivaldo, a dependência do crack começa muito rápido, logo na primeira ou segunda vez que a pessoa experimenta. “São dois fatores que fazem o crack ser tão disseminado e tão devastador. O perigo maior está em sua composição que mistura vários produtos químicos que são altamente prejudiciais e é altamente viciante pois a primeira vez que o jovem fuma, fica tão alucinado, a sensação é tão forte que quando passa, ele quer mais daquilo. Por isso o usuário de crack fica tão marginalizado, pois para voltar a ter a primeira sensação da droga, fuma cada vez mais”, explica Lucivaldo.
“Quem está viciado em crack começa a praticar pequenos furtos para manter o vício, mostrando que o consumo da droga está ligado ao aumento da violência”, conta o Sargento.
Ponto de encontro
No município de Amambai, durante os finais de semana, jovens de todas as idades, inclusive menores, reúnem-se na Praça Coronel Valêncio de Brum para encontrar os amigos. O local é ponto de encontro para a maioria dos jovens amambaienses que, após reunidos, compram cerveja ou misturam vodka com refrigerante e ficam em suas turmas conversando. Bebida e cigarro são facilmente vistos nas mãos dos adolescentes. Além das drogas lícitas consumidas por eles, é possível encontrar usuários de crack e maconha que não se importam de fumar próximo a outros jovens.
“O papel da Polícia Militar não é coibir os jovens de se divertir, encontrar os amigos e conversar, ouvir música; o nosso papel é de coibir abusos, atos infracionais provenientes dessas atitudes dos jovens”, pontua o Sargento Geraldo.
Segundo o comandante da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar de Amambai, Tenente Coronel Valdecir Escalhar, a Praça Coronel Valêncio de Brum é considerada um problema antigo.
“A praça central é monitorada durante o final de semana onde são realizados procedimentos como abordagem e vistoria aos grupos de adolescentes, tudo isso com apoio do Conselho Tutelar e Ministério Público Municipal para coibir abusos e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas tanto por menores de idade quanto por adultos que podem colocar em risco a segurança nas ruas. A movimentação de jovens menores de idade bebendo no local é um problema antigo da sociedade amambaiense”, explica o comandante.
“O problema enfrentado tanto das drogas quanto do álcool entre os adolescentes é de responsabilidade de toda a sociedade. É responsabilidade dos pais dos jovens que os deixam sair de casa para beber com os amigos, e às vezes não sabe onde o filho está, isso é um erro. Os pais devem sempre saber onde seus filhos estão”, finaliza o Sargento Geraldo.





