16/09/2012 17h50 – Atualizado em 16/09/2012 17h50
Fonte: Da Redação
Editoria
Aconteceu nos dia 6 e 7 de setembro de 2012, o segundo Foro de Historia do Paraguay 400 Anales, homenaje a Ruy Díaz de Guzmán, representación histórica, análisis regional y fronteras, organizado pela Escuela de Ciencias Sociales y Ciencias Politicas da Universidad Nacional de Asunción, Cientro de estudos Historicos del Paraguay e pela Unidade Universitária de Amambai da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
Estiveram a frente da organização do evento a coordenadora do curso de ciências sociais Célia Foster, a coordenadora do curso de história da Unidade de Amambai, Tânia Regina Zimmermann, e a professora e diretora da Unidade de Amambai, Viviane Scalon Fachin, em parceria com pesquisadores da universidade do Paraguai.
Participação da UEMS
O evento teve a participação de doutores, mestres e acadêmicos da Argentina, Brasil e Paraguai. No que se refere à participação de pesquisadores brasileiros, ressalta-se a participação de professores que mediaram os grupos de trabalho (GTS), como Aline Crespe Liuti, Aroldo Careaga, Fabrício Deffacci e Carlos Magno Amarília, todos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), da unidade de Amambai dos cursos de História e Ciências Sociais, entre outros que apresentaram suas pesquisas.
A participação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul foi de fundamental importância, pois a instituição passa a estabelecer um intercâmbio maior com outras instituições para além das fronteiras nacionais, o que configura o caráter de uma instituição de ensino superior é a possibilidade de proporcionar aos acadêmicosa universalização do conhecimento e a troca de experiências.
O foro concentrou-se em duas conferências e abarcou vários eixos temáticos como: a Grande Guerra: imperialismo e conflito, representações, gênero, educação indígena e cultura, etnologia indígena, história do Paraguai, questões políticas atual do Paraguai, entre outras, houve ainda lançamentos de livros.
No evento, a professora de sociologia das escolas estaduais Coronel Felipe de Brum e Dr. Fernando Correa da Costa, da rede de ensino de Amambai, Josimara dos Reis Santos, que apresentou um trabalho voltado para a socialização de crianças Guarani e Kaiowá que residem no espaço urbano da Vila Cristina, Monte Cristo, Limeira e Santo Antônio. Na oportunidade, ela destacou as relações sociais estabelecidas no que se refere ao tempo e espaço em que essas crianças estão inseridas nesse processo de territorialização, bem como o contato interetnico estabelecido com a população envolvente.
Interdisciplinaridade
Os acadêmicos bolsistas do Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes), que fazem parte do Programa de Incentivo a Docência (PIBID) da UEMS, sob a coordenação da professora e diretora da Unidade Universitária de Amambai, Viviane Scalon Fachin, e sobre a supervisão da professora Josimara dos Reis Santos, também apresentaram resultados de suas ações e atividades desenvolvidas na Escola Coronel Felipe de Brum.
Para Josimara, devido ao fato das temáticas do Fórum terem sido interdisciplinares, mas sem perderem o foco proposto, foi possível um intercâmbio muito grande de informações. Além disso, diz ela, o contato com o povo paraguaio tornou-se fundamental para aumentar o meu conhecimento em relação à estabilidade política pelo qual passou o Paraguai passou há alguns meses atrás, quando o governo de Lugo sofreu um golpe pelo Congresso e foi instaurado no país o poder de Frederico Franco.
Na avaliação da socióloga, o povo paraguaio tem uma concepção um tanto dividida em relação ao governo de Frederico Franco, alguns o vêem como sendo algo bom em relação ao de Lugo, considerado opressor demais e responsável pelo massacre de muito campesinos. Já outros vêem o governo de Franco como ruim demais e que não faz nada pelos pobres.
“Assunção é uma cidade cosmopolita, isso me proporcionou uma grande experiência na medida em que pude manter contato com pessoas que vieram do Chile, Argentina, Polônia e Estados Unidos, esse contato me despertou um olhar sociológico para o urbano, sobretudo ao que concerne a lógica de vida das pessoas e dos “Flânuer”, termo este decorrente do seguinte verbo francês flâner, cuja significação é “passear”, “vagar”, “sem destino”, que também despertou o estudo sociólogo francês representante da Escola de Frankfurt Walter Benjamim”, pondera Josimara.
Sobre o Flânuer
O Flânuer é um andarilho que transita pelas ruas da cidade, mesmo ao ter um olhar distraído, ou em muitos esbarrões diante das pessoas que caminham pelas calçadas, ele se consegue aprender tudo sobre a vida social urbana, além de ser um estudioso da alma humana, sensíveis a muitas situações, como o preconceito e olhar desconfiado das outras pessoas, que parecem se assustar mais deles, do que eles delas, fato este provocado pela percepção estabelecida diante da alteridade.
Os Fâneur apresentam um modo de vida semelhante ao dos hippies, ou seja, não aceitam as ideologias postas pela sociedade envolvente, com isso criam sua própria ideologia formadora de uma consciência específica que eles passam a seguir. Residem algum tempo geralmente em uma cidade, porém sem se fixar ali totalmente logoprocuram outros lugares para viver, para conseguir viajar realizam algum tipo de artesanato, ou praticam malabarismo nas ruas geralmente durante a noite, pois dormem durante o dia.
Os Fânuer, por onde passam adquirem muito conhecimento sobre a história do local, a cultura, a organização social e política do mesmo, além disso, ensinam para os transmitem para outras pessoas o seu saber acumulado que é proveniente da experiência de um narrador digno de ser ouvido, pois é capaz de compartilhar aquilo que ele viveu na prática, como estabelece o sociólogo Walter Benjamim em seu texto “O Narrador”.
“Ao realizamos um passeio noturno, eu e alguns colegas com um Fânuer pelas ruas históricas de Assunção, onde ainda podemos observar os pés de jasmineiros floridos e cheirosos que se debruçam preguiçosos nos muros e portão das casas antigas, pude compreender toda a história do Paraguai desde o processo de Independência até a guerra com a Tríplice Aliança, a partir da experiência de vida do Fânuer, que aqui se configura como o narrador”, explica Josimara
Finalizando, a socióloga diz: “O contato e, em algumas horas de distração, após as palestras e debates acadêmicos, enquanto jogávamos baralho e tomávamos tereré, aprendemos sobre a cosmologia dos chilenos, desde as civilizações incas, astecas, maias, entre outros. Como estudo, os povos indígenas, ao manterem uma interação social com o “outro”, o diferente foi fundamental para aumentar meu conhecimento sobre as etnias existentes no Chile e sua história, como os dos Mamuties (gente da terra), índios estes conhecidos com Aralcanos e sobre algumas etnias da Amazônia, cuja lógica cultural até então desconhecia.”




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