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domingo, 29 de março de 2026

MS tem ganho médio de 9% na produtividade da soja com inoculação

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09/10/2012 07h57 – Atualizado em 09/10/2012 07h57

Fonte: Acrissul

Mato Grosso do Sul registrou nas últimas dez safras um ganho médio de 9% na produtividade da soja com a inoculação anual das bactérias fixadoras de nitrogênio nas sementes. O cálculo é do pesquisador Fábio Martins Mercante, da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados.

Neste período de início de plantio da safra de verão, em que aproximadamente 2% da área que será cultivada no estado, entre 2 milhões e 2,1 milhões de hectares, já foram semeados, de acordo com estimativa da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul), a inoculação, conforme o pesquisador é essencial para a viabilidade econômica da lavoura.

A fixação biológica de nitrogênio, chamada de FBN, conforme Mercante, deve ser realizada preferencialmente no dia da semeadura. Através desse processo alguns grupos de bactérias, coletivamente chamadas de “rizóbios”, captam o nitrogênio do ar e, após sua redução em formas assimiláveis, é disponibilizado para a planta.

Mercante, explica que a soja é uma cultura que demanda grande quantidade de nitrogênio e, ao substituir o uso de adubos nitrogenados, a fixação biológica de nitrogênio influencia positivamente a qualidade do solo por evitar diversos problemas relacionados à poluição causada por estes adubos.

Ele diz que além disso, o processo industrial que transforma o nitrogênio atmosférico em amônia demanda por volta de seis barris de petróleo por tonelada de nitrogênio produzido, implicando em grandes quantidades de gás carbônico liberadas para atmosfera no momento da produção do adubo nitrogenado.

Dessa forma, o pesquisador comenta que a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio é uma tecnologia de custo baixo e que melhora a qualidade do ambiente, reduzindo a emissão dos gases de efeito estufa.

“Considerando a baixa eficiência de utilização dos adubos nitrogenados pelas plantas seria necessário cerca de 1 tonelada de ureia para se obter uma produtividade de 3 mil quilos por hectare de grãos, e isso inviabilizaria economicamente o cultivo de soja no Brasil. A FBN também tem a vantagem de aumentar os rendimentos da cultura. No Brasil, as pesquisas mostram que a média de ganhos é de 8% e em Mato Grosso do Sul, nas últimas dez safras de soja, a média de ganhos obtida chega a 9%”, afirma o pesquisador.

O pesquisador lembra ainda que a FBN é uma das seis tecnologias do Programa Agricultura de Baixo Carbono, criado pelo governo federal em 2010, que fornece linha de crédito para produtores que adotam técnicas agrícolas sustentáveis.

Ele reforça ainda a importância de se associar essa tecnologia a outras práticas, como o manejo no Sistema Plantio Direto (SPD), que propicia as condições para manutenção de níveis de umidade maior do solo e favorece a sobrevivência das bactérias fixadoras de nitrogênio no solo.

“Manejos mais conservacionistas, como o Sistema Plantio Direto e a Integração-Lavoura-Pecuária, têm garantido rendimentos muito maiores quando comparados com sistema convencional que envolve aração e gradagem. O sistema convencional afeta a sobrevivência da bactéria, porque a temperatura do solo ultrapassa facilmente 40ºC; as plantas produzem nodulação mais baixa nestas condições e o rendimento da cultura é menor ao longo do tempo. Já os manejos conservacionistas favorecem o aumento da fixação biológica de nitrogênio, a sobrevivência da bactéria, o aumento na nodulação das plantas e no número de células viáveis no solo e, consequentemente, a elevação do rendimento da cultura. Cada vez mais, é necessário realizar o manejo de práticas mais conservacionistas para obter a sustentabilidade desejada”, ressalta Mercante.

Fixação biológica de nitrogênio aumenta produtividade da soja, segundo pesquisador da Embrapa.Foto: Fábio Martins Mercante/Embrapa Agropecuaria Oeste

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