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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Amambai não está imune a incêndios e pânico; prevenção é a saída

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28/01/2013 18h12 – Atualizado em 28/01/2013 18h12

Fonte: Da Redação

Com a tragédia ocorrida na madrugada do último domingo (27), na boate em Santa Maria, RS, que acarretou a morte de 231 pessoas, vem à tona a questão da segurança dos locais de reunião de público.

Para o comandante do 2º Subgrupamento de Bombeiros de Amambai (SGB), tenente Romiran Oliveira Cerqueira, esta não é ainda uma preocupação constante na sociedade. “Esta preocupação não está incutida [na sociedade]; a preocupação com a prevenção não é bem aceita; é preciso, infelizmente, acontecer uma tragédia para abrir os olhos (…) há males que vêm para o bem”, avalia Romiran. Em sua opinião, “as pessoas ainda veem a cobrança [pela segurança] como uma forma de recolher taxas”.

Em 2012, foram 38 situações de incêndio atendidas pelo 2º SGB de Amambai. Ramiran está no comando dos Bombeiros de Amambai há um ano. Neste período, ele diz que aumentaram as solicitações de vistoria de prédios comerciais, já que o alvará da Prefeitura só é liberado mediante vistoria dos Bombeiros.

Setor comercial em Amambai

Segundo ele, o setor comercial da cidade está estruturado em relação à prevenção de incêndios. E a maioria das casas noturnas, clubes e salões de festas já tinham o Projeto de Proteção contra Incêndio e Pânico (PPCIP), faltando apenas regularizá-lo. O comandante cita o Alphaville Clube, a Associação Milionários, o Recanto dos Caytés, a Boate Orion e o salão de eventos do Parque de Exposições do Sindicato Rural, como exemplos de locais que estão adequados à legislação.

Outros locais, como o CTG Sentinela de Amambai, o tatersal do Parque de Exposições e o Clube Anos Dourados têm pendências. O CTG, por exemplo, solicita certificação dos Bombeiros anualmente, porque o projeto ainda não foi aprovado, e o tatersal falta projeto e vistoria. “Isso não significa que o local oferece risco, mas não foi regularizado”, explica Ramiran.

O Projeto de Proteção contra Incêndio e Pânico

O Projeto de Proteção contra Incêndio e Pânico (PPCIP) é elaborado de acordo com a área do prédio e a população da cidade, dentre os critérios usados. Qualquer imóvel comercial que tenha acima de 100 metros quadrados deve ter o documento. Este projeto limita o número de pessoas no local, que deve ser de duas por metro quadrado, e também a quantidade de extintores, a iluminação e as saídas de emergência.

O PPCIP é uma exigência legal para as edificações, previstas na Lei 1092/90, Decreto Estadual 5672/90 e pela Norma Técnica 002/CBMMS. A exigência depende da atividade comercial e da área edificada. O projeto deve ser elaborado por profissional habilitado que tenha registro no CREA.

Para os prédios com área construída e complexidade inferior a 900 metros quadrados a vistoria e regularização são feitas pelo Corpo de Bombeiros de Ponta Porã e os com área acima de 900 metros quadrados a certificação é feita pelo Comando Geral do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, através da Diretoria de Serviços Técnicos (DST).

O Corpo de Bombeiros de Amambai

Na avaliação do comandante do 2º SGB de Amambai, a estrutura da unidade da cidade está “no limite do aceitável”. Atualmente, 15 profissionais atuam na unidade, sendo 11 no setor operacional e quatro no administrativo. A maioria deles saiu a pouco do Centro de Formação do Corpo de Bombeiros de MS e outros estão fazendo curso de aperfeiçoamento. “O treinamento é contínuo”, explica Ramiran.

A instituição conta com viaturas, tanto de ambulância, como de incêndio. E também os equipamentos disponíveis atendem a demanda.

Uma certa preocupação, fala ele, é com o tamanho da área atendida. O 2º SGB de Amambai atende também os municípios de Paranhos, Tacuru, Sete Quedas e Cel. Sapucaia. Pelo menos duas ou três vezes por mês, eles são chamados a cada um desses municípios.

Medidas Preventivas

O bombeiro Ramiran explica que, como medida preventiva, as pessoas, ao entrarem em um local, devem fazer o reconhecimento da área, se precavendo de um acidente. “É preciso procurar uma rota de fuga, caso seja necessário, observar se tem alarme de incêndio e saída de emergência”, aconselha.

Ele orienta ainda os pais que, permitindo a saída de seus filhos em festas, verificarem se esses locais têm segurança, se estão vistoriados e se têm alvará.

Também a questão da superlotação é citada: “o próprio adolescente, se estiver em um local muito apertado, superlotado, ele deve ficar atento a uma situação de emergência”.

Santa Maria

Primeiro, diz o comandante, a gente lamenta pelo episódio. Ele citou a certificação e regularização do local (Boate Kiss), como medidas necessárias a serem verificadas; da falta de comunicação entre os seguranças do local – os da saída não sabiam o que estava acontecendo dentro, no palco do show – e se havia alarme de incêndio.

Em sua opinião, “foi uma fatalidade que ocorreu por imprudência de um componente da banda ao utilizar um artefato pirotécnico [“sputinik”] proibido em local fechado.

Lição de vida

Questionado sobre o que fica após a tragédia de Santa Maria, Ramiran diz: “Nossa lição de vida é a gente pensar o que é importante na nossa vida; este episódio afetou a juventude. Quantas pessoas morreram que poderiam no futuro ser governantes, por exemplo? Qual a prioridade da nossa vida? “

Estatísticas

No período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2012, os bombeiros de Amambai atenderam a 878 chamados, sendo 38 situações de incêndio. Conheça os casos:

Remoção ao pronto socorro – 173
Emergências clínicas – mal súbito – 146
Acidente de trânsito – colisão – 135
Acidente de trânsito – queda moto – 60
Atendimento a gestante (encaminhamento ao atendimento público) – 50
Queda acidental de pessoa – 41
Agressão física – 39
Combate a incêndio – 38
Extermínio de inseto – 36
Acidente de trânsito atropelamento – 35
Violência interpessoal – 35
Acidente de trânsito queda bicicleta – 28
Queda acidental de pessoa de local elevado – 23
Acidentes de trânsito – capotamento – 21
Emergências clínicas – convulsão – 18

Serviço

No site do Corpo de Bombeiros de MS, existem várias dicas de segurança disponíveis no link.

Também os decretos, regulamentações e normas técnicas estão disponíveis no link

Incêndio em residência em Amambai em 2011.

O comandante do 2º Subgrupamento de Bombeiros de Amambai (SGB), tenente Ramiran Oliveira Cerqueira.

Amambai não está imune a incêndios e pânico; prevenção é a saída

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Amambai não está imune a incêndios e pânico; prevenção é a saída

No centro desportivo, parentes identificam corpos de vítimas do incêndio na Boate Kiss. Mais de 200 pessoas morreram.(Wilson Dias/ABr)

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