22.2 C
Dourados
quinta-feira, 23 de julho de 2026

Semana da Mulher – Desejo de tornar-se mulher é mais forte que tabu

- Publicidade -

05/03/2013 21h46 – Atualizado em 05/03/2013 21h46

Fonte: Da Redação

Se hoje o preconceito e a discriminação contra o homossexualismo ainda são posturas na sociedade, há 20 anos era bem pior.

Quem tem a coragem de assumir sua opção sexual, diferente daquela que todos esperavam, sabe bem que não é uma tarefa fácil. Os depoimentos asseguram que a luta é árdua e muitas vezes deixa marcas. Ao final da batalha, fica a certeza de que é muito melhor viver assumindo-se.

Esta é parte da história de vida de C.S.S., hoje com 22 anos. “Considero-me mais feliz por ter assumido minha opção sexual”, diz ela.

C.S.S. nasceu homem. Aos 6 anos de idade, seu comportamento afeminado foi alvo de críticas na escola. Nesta época, ela não tinha noção de sua diferença aos olhos dos outros. Sofreu muito nas escolas de Amambai, em mais de uma que passou foi alvo de piadas, de críticas. Os outros alunos colocavam chiclete no seu cabelo. Bullying mesmo.

A intolerância não era só dos alunos, mas também dos professores. Escutou muitas ofensas com os termos gay, veado e tantos outros nomes pejorativos.

Mudou de escola. Não modificou nada. Até mesmo diretores de escolas não aceitaram sua condição, proibiram-na de usar o banheiro feminino, impediram-na de usar roupas de mulher. Passou a estudar a noite, nada mudou. C.S.S. conta que durante o intervalo das aulas, nem saía para o pátio, para evitar o confronto.

Por oito anos fez terapia, muitas das sessões vinham com sugestões para negar sua feminilidade. Até seu modo de andar foi alvo de críticas e pediam a ela que andasse de forma mais masculina. “Era uma pressão para que eu fosse homem”, fala ela. Teve médico que, inclusive, recomendou hormônios depois dos 12 anos, já que havia sido diagnosticado alto índice de hormônios femininos em seu organismo.

Aos 12 anos, começou a assumir-se como homossexual. Talvez a discriminação virou estímulo, fortaleceu sua vontade de ser mulher. “Ser mulher é normal”, confessa. E explica: “Esta foi uma opção que eu fiz, isto não é uma doença, não vem com a criação, porque meus pais não me criaram de um jeito diferente; acho que eu nasci assim”.

O primeiro passo foi dado com a família. “Foi difícil, minha mãe entendeu fácil, mas meu pai e irmão não; depois de um ano é que minha família foi entender bem”.

Entre os amigos foi mais fácil. “Me tratam bem, me enxergam diferente como uma pessoa da sociedade por quem é preciso ter respeito (…) tenho amigos homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais, mas tenho mais afinidades e amizades com mulheres”.

O preconceito e a discriminação ainda estão presentes hoje. A personalidade e a autoestima estão mais fortalecidas, mas não impedem que se sinta excluída. “Não consigo trabalho, porque no meu registro meu nome é um, mas meu nome é outro”, diz ela. Quando está nas ruas de Amambai, vê os olhares maldosos, escuta as risadas mal-intencionadas, principalmente em lugares onde há a presença de homens. “Não reajo, não respondo; mas minha mãe, se está junto, quer tirar satisfação”.

Hoje, acadêmica de curso de Pedagogia, amadurecida, senhora de si, sugere: “Para acabar com o preconceito e a discriminação, é preciso mudar na educação; as escolas precisam trabalhar mais a diversidade sexual, combater o preconceito”.

Na faculdade, todo mundo respeita-a, bem diferente dos tempos de escola.

Hoje, diz C.S.S., sou satisfeita por minha família ter aceitado minha opção sexual e também por poder tornar público isto; minha família assumiu junto comigo; sofri muito, mas hoje sou realizada.

Na Semana da Mulher, C.S.S. comemora o fato de ser mulher, de ter assumido sua opção.

Na Semana da Mulher, C.S.S. comemora o fato de ser mulher, de ter assumido sua opção.

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-