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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Semana da Mulher – Arlete Poll: “O estudo é a melhor forma de ser independente”.

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07/03/2013 14h30 – Atualizado em 07/03/2013 14h30

Fonte: Da Redação

“Eu não sou feminista, jamais vou levantar meu sutiã numa bandeira, mas luto pelos meus direitos; a mulher tem que ser feminina, ela tem que manter alguns valores e preservar a sua individualidade”

A afirmação é da médica generalista da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Arlete Elaine Poll, 53 anos, residente em Amambai desde 2001. “Já sou amambaiense”, diz ela.

Nesta Semana Internacional da Mulher, o jornal eletrônico Amambai Notícias entrevistou uma série de mulheres moradoras em Amambai a respeito da condição feminina, da luta pela igualdade entre os gêneros e sobre suas expectativas. Arlete Poll foi uma das entrevistadas.

Para ela, não existe igualdade entre os gêneros, porque a sociedade discrimina bastante a mulher. “A mulher é aquela que tem cuidar dos filhos e da casa, são raras as mulheres como eu, que trabalham e cuidam dos filhos, enfrentam todos os problemas”, fala Arlete.
Ela mesma já se sentiu discriminada. Infelizmente, conta Arlete, no meu próprio trabalho, pelos meus colegas de profissão, que acham que por ser mulher minha capacidade é menor.

“Ainda existe o preconceito da sociedade em cima da mulher, a mulher ainda não é livre; eu não ligo para este tipo para este tipo de convenção, porque fui criada por pais que estavam a frente de seu tempo”, diz ela a respeito de certos valores machistas que coíbem a mulher de sair sozinha a noite, por exemplo.

Para mudar esta situação, Arlete acredita que quem tem que mudar são as próprias mulheres. ”O preconceito vem mais das mulheres que não aceitam ainda a individualidade das mulheres. Elas querem alguém que apoia elas e paga as contas, elas não sabem se virar sozinhas”.

Sobre a participação das mulheres na sociedade amambaiense, ela acha que evoluiu. “De quando eu cheguei aqui, em 2001, para hoje, existem muitas mais mulheres a frente de negócios, eu vejo mulheres mais empresárias; em 12 anos eu vi mudanças, vejo mais mulheres no mercado de trabalho, vejo mais mulheres trabalhando por aquilo que elas querem”.

Por outro lado, ela acha que as mulheres nunca vão se igualar por mais que a sociedade avance, “Jamais vou poder carregar um piano, um homem carrega, mulher não, a força física é do homem, a mulher é a inteligência; sério mesmo, acho que jamais vamos nos igualar, não terá igualdade entre os gêneros, a mulher será sempre feminina”.

E na política? “Na política, a visão da mulher ainda é ver o homem como político e não a mulher, é uma visão fechada”, avalia.

Nas comunidades indígenas, onde ela atende diariamente dezenas de mulheres, Arlete dá sua contribuição para uma sociedade com mais igualdade entre os gêneros.”Tento passar para as mulheres que eu atendo que a gente pode ser independente, falo para os adolescentes que estudem para serem independentes, para não dependerem de outros, essa é minha forma de trabalhar”.

Na aldeia, explica ela, existe uma hierarquia muito grande, ainda é o homem quem manda, e a mulher obedece; cabe à mulher a criação dos filhos e só; ela tem muito pouco espaço, há algumas mulheres corajosas como a Elda [Vasques Aquino]; dentro da aldeia ainda é uma sociedade masculina, é ele quem manda, e vai levar muito tempo para ser diferente.

Ela conta que têm muitas agressões dentro da aldeia, são as mulheres que sofrem, por falta de estudo, porque não tem alguém que as estimule, a mãe viveu daquela forma e passa para a filha que casar é a melhor forma; quando, na realidade, o estudo é a melhor forma de ser independente.

Semana da Mulher – Arlete Poll: “O estudo é a melhor forma de ser independente”.

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