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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Puccinelli tem 1.900 cargos políticos com altos salários no Governo do Estado

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31/03/2013 20h02 – Atualizado em 31/03/2013 20h02

Fonte: Midiamax

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o governo de Mato Grosso do Sul tem 1.900 servidores que ocupam vagas como cargos comissionados. Eles representam 3,5% do total de 54.305 funcionários do Estado. Os dados foram enviados ao IBGE pelo próprio Governo do Estado.

A pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados revelou que o governador André Puccinelli (PMDB) ocupa o 14º lugar entre os governadores com o maior número de comissionados. Se for levar em conta o número de funcinários sem concurso para cada 100 habitantes, Mato Grosso do Sul ocupa o oitavo lugar, com 2,2%. Dos servidores do Estado, quase metade, 47%, não têm nível superior.

A pesquisa do IBGE revelou que os estados abrigam 105,5 mil servidores sem concurso público em todo o País. O líder em contratação de comissionados é o Estado de Goiás, com 10.175 contratados sem concurso público. A Bahia é o segundo estado com o maior número de comissionados, com 9.240 servidores, seguido por Rondônia, Amapá e Paraíba.

O governador André Puccinelli já admitiu que paga no mínimo R$ 3,8 mil para cargos comissionados trabalharem com jornada de apenas quatro horas diárias. Puccinelli entregou que paga o alto salário ao ser indagado especificamente sobre o caso do ex-deputado Reginaldo Ferreira, do PRB, que foi exonerado, mas conseguiu emplacar a esposa, Rosemary Bezerra, com o mesmo salário na governadoria. O governador afirmou que Rosemary não ganha o mesmo salário e acabou entregando os demais: “Existe com produtividade e sem produtividade. Com expediente de 8 horas, de 4 horas. Têm vários. Vai de R$ 3,8 mil, como mínimo, até R$ 7 mil como máximo bruto”, justificou.

Nesta semana ele nomeou Sérgio Roberto Castilho Vieira no cargo em comissão de Direção Superior e Assessoramento, DGA-1, na Secretaria de Estado. Sérgio Roberto era o principal assessor de Dagoberto Nogueira quando ele era deputado federal e já foi presidente municipal do PDT em Dourados.

Puccinelli já ocupou boa parte das 143 vagas abertas com as exonerações do começo do ano. Na lista de abrigados estão os ex-secretários de Nelsinho Trad (PMDB), Rodrigo Aquino e Paulo Nahas, candidatos a vereador derrotados, Magali Picarelli, Mariano Cabreira e Waldemir Poppi, e candidatos a prefeito derrotados, como Solange Ohara, que perdeu a prefeitura de Corumbá para Paulo Duarte (PT).

O governador está usando os cargos comissionados para tentar manter partidos na base de sustentação e garantir uma aliança ampla para as eleições em 2014. Ele não esconde que incha a administração com cargos. Porém, garante que todos trabalham. “Não precisa ficar com o bumbum na cadeira para trabalhar”.

Na prática, é difícil comprovar a presença dos comissionados. O Midiamax foi impedido de entrar no prédio da governadoria para falar com alguns comissionados contratados como DGA-1, com salário que segundo decreto do próprio governo, é de R$ 4.873,01, com direito a mais 60% de representação, podendo chegar a R$ 7.796,81.

O chefe da comunicação de Puccinelli, Guilherme Filho, disse que a reportagem não entraria no prédio e poderia falar com os funcionários pelo telefone. “Não é o caso. Se você quer esclarecer se trabalham de fato. Tem como: liga para eles, para a assessoria de governo e não tem problema nenhum, a gente informa”. A reportagem ligou para tentar falar com uma das comissionadas, Rosemary Bezerra, pelo telefone, mas a secretária Rose informou, as 16h50, que o RH (Recursos Humanos) já estava fechado e não teria como saber onde a funcionária trabalhava.

As suspeitas de fantasmas na governadoria aumentaram depois de comentários feitos pelos próprios vereadores. O caso mais famoso é o do recém exonerado Juvêncio César da Fonseca, ex-senador e prefeito de Campo Grande. Juvêncio foi exonerado com 143 outros comissionados, pouco tempo depois do ex-vereador Athayde Nery (PPS) dizer que ele ganhava um ótimo salário, sem cumprir expediente.

Em novembro do ano passado, uma denúncia de filiados ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) também trouxe a tona as suspeitas de cargos fantasmas no governo de André Puccinelli (PMDB). Os filiados solicitaram afastamento do presidente estadual do PTB, Ivan Louzada, até que fossem esclarecidas denúncias de que o partido estaria “recebendo recursos indiretamente do Poder Público”, por meio da nomeação de 10 apadrinhados do presidente regional, na Casa Civil do governo de André Puccinelli.

Funcionários contratados sem concurso público, por ligação política, representam 3,5% do total de 54.305 servidores do Estado.

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