18/04/2013 14h45 – Atualizado em 18/04/2013 14h45
Comitê ligado à Setas faz mais de 5 mil atendimentos para emissão de documentos a indígenas em Amambai
Fonte: Notícias MS
Amambai (MS) – O governo do Estado, em parceira com a Prefeitura Municipal de Amambai, realizou na segunda-feira (15) e terça-feira (16) ação de cadastramento para expedição de documentação básica aos índios da região.
A Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas) disponibilizou equipe técnica e também logística necessária para realização dos trabalhos. Dados prévios estimam que mais de 5.000 atendimentos foram realizados nos dois dias, sendo a certidão de nascimento um dos documentos mais solicitados.
O cadastramento realizado nas comunidades indígenas das aldeias Limão Verde, Amambai e Jaguari, todas localizadas no município de Amambai, é uma parceria do Comitê Gestor Estadual para a Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e Ampliação do Acesso à Documentação Básica de Mato Grosso do Sul (Ceesrad/MS), que é vinculado à Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), com o Comitê Municipal.
A indígena Cândida Mendonça, 58, foi uma das que aproveitou a ação para buscar atendimento. Nascida na aldeia Bororó em Dourados, ela conta que já morou em Ponta Porã e hoje vive na aldeia em Amambai. Atualmente separada, vive em sua casa com cinco netos, filho e nora. Pensando no próprio futuro, Cândida quer obter documento civil. “Meu desejo é ter o documento para me aposentar. Eu nunca tive esse documento e toda vez que as meninas (funcionárias de saúde e assistência social) passam lá em casa elas falam pra eu fazer pra ter os benefícios que o governo dá”, revela.
Para sustentar a família, Cândida faz diária como doméstica e recebe alimentos em forma de pagamento. “Eu faço faxina, limpo a casa, lavo roupa e as pessoas me pagam com mercadoria, arroz, feijão, açúcar. Pra mim é bom, mas agora com documento ‘novo’ acho que as coisas vão melhorar ainda mais”, conta.
Eliseu Ribeiro, 50, nasceu na aldeia Amambai, é professor de Língua Materna na escola Estadual Mbo’e Roy Guarani Kaiowá, localizada dentro da Aldeia, e conhece bem a realidade de jovens e adultos que moram ali.
O professor conta que ficou muito satisfeito com essa ação dentro da comunidade, e revela que em sua língua materna seus amigos e vizinhos da comunidade vinham mostrar seu contentamento. “É muito bom esse tipo de movimento. Eu aqui, anunciando os informes na minha língua materna, recebo em troca a gratidão da comunidade, que transmito a todos que estão trabalhando aqui hoje. Eles estão vendo que nós não estamos esquecidos, e que tem gente olhando pela gente”, frisa.
Sugerindo ainda mais ações dentro da aldeia, Eliseu vê nesse tipo de realização uma oportunidade para o índio obter ainda mais dignidade. Em sua opinião essa ação motiva e eleva a autoestima de todos da aldeia. “Principalmente o jovem, pode pensar em um futuro e esquecer coisas como drogas e violências, buscar alternativas para viver e trabalhar ainda mais certo”, diz.
Sub-registro
A ação visa erradicar o sub-registro de nascidos vivos e promover o acesso ao registro civil de nascimento e à documentação básica àquelas pessoas que ainda não o possuem em qualquer faixa etária.
Participaram da ação aos indígenas das aldeias em Amambai a Coordenadoria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul (Cppir/MS), Secretaria Estadual de Governo (Segov), Unidade de Prevenção de Combate à Discriminação, da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social, representantes da Subsecretaria da Mulher e da Promoção da Cidadania, Fundação Nacional do Indio (Funai), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado de Saúde, Defensoria Pública e integrantes do Comitê Municipal.

