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sábado, 28 de março de 2026

Quem perseverou, faturou com o tomate

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27/05/2013 08h15 – Atualizado em 27/05/2013 08h15

Fonte: Folha Web

Ele foi personagem polêmico do agronegócio nos últimos meses. Nas redes sociais, foi comparado a ouro, pedras preciosas e até vilão da inflação em montagens que demonstravam o preço astronômico que o tomate havia atingido. Nada mais natural, então, que todos pensem que os produtores da fruta faturaram este ano. E de fato isso aconteceu. Mas o que foi esquecido é que poucos deles tiveram coragem de se arriscar na produção de tomate após quase três anos de problemas com a cultura. Quem faturou este ano, arriscou – e muito – no negócio.

O histórico mostra problemas em toda a cadeia produtiva de 2011 em diante. Até então, a área e produção de tomates vinham em crescimento significativo no Paraná (veja gráfico), o que fez com que os preços acabassem despencando substancialmente. Nas regiões de Faxinal e Reserva, cidades onde se concentram as maiores produções de tomate do Estado, boa parte dos agricultores não consegui, sequer, pagar as dívidas. “Muitas revendas de insumos faliram, já que a maioria cede os produtos antes do início do plantio. Como a produção foi muito alta, os preços ficaram irrisórios e muitos produtores não conseguiram arcar com suas dívidas”, explica o coordenador de olericultura d Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) da Região Norte, Nilson Ladeia Carvalho.

Aliado a isso, muitos intermediários, que repassam as caixas de tomate para os varejistas e centros de distribuição, também deram calote no produtor. Outro fato é que na cidade de Reserva houve uma grande operação no final de 2011 realizada pelo Ministério do Trabalho, com intuito de encontrar irregularidades na mão de obra no campo. “Tudo isso esfriou totalmente a produção, que deve ter caído pelo menos 30% em dois anos. Muitos migraram para a soja. Os que persistiram, acabaram ganhando dinheiro este ano.”

Mesmo os que possuíam capital para apostar na cultura não tiveram vida fácil. A colheita da soja fez com que a mosca branca voasse diretamente para as olerícolas, o que acabou afetando a produção de tomate da primeira safra de 2013. As chuvas também atrapalharam a produção. Mesmo assim, com uma colheita razoável, foi possível lucros interessantes. “Conheço um produtor que estava quebrado e apostou tudo no tomate, plantando 400 mil pés. Colheu metade do que plantou, mas acabou faturando o dobro em comparativo a condições normais de mercado”, calcula Carvalho.

Mesmo com os bons resultados para quem investiu na cultura, o coordenador do Emater acredita que o mercado deve continuar inflacionado até o final do ano. “Não atingirá os preços elevadíssimos de abril, mas o produtor vai continuar recebendo uns R$ 70 pela caixa de 23 quilos e o consumidor pagando entre R$ 4 e R$ 5 pelo quilo. Apesar dos bons preços, o momento é de frio, podem acontecer geadas, o que deve inibir o aumento de área de plantio. O mercado só deve se estabilizar, com preços interessantes para o agricultor e razoáveis para o consumidor, no ano que vem”, complementa.

Mercado só deve se estabilizar com preços interessantes para o agricultor e razoáveis para o consumidor no ano que vem

Quem perseverou, faturou com o tomate

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