02/06/2013 20h03 – Atualizado em 02/06/2013 20h03
Ameaças aos jornalistas pode revelar futuro incerto do distrito de Taunay, em Aquidauana
*Fonte: Pio Redondo/Midiamax *
Com um futuro indeterminado, os moradores do pequeno distrito de Taunay, que pertence ao município de Aquidauana – distante a 143 km de Campo Grande, podem estar correndo o mesmo risco de serem “convidados” a ser retirar de suas casas, como ocorreu com os até então donos da fazenda Esperança, o casal Nilton Carvalho e Mônica Alves Correa e os dois filhos, mais os trabalhadores rurais.
O mesmo fato se repetiu com os profissionais de imprensa de Campo Grande, quando cobriam a ocupação, ontem.
É que o mesmo estudo antropológico feito pela Funai, que fundamenta a Esperança como terra ancestral dos terena, por ter encontrado vestígios de um antigo acampamento e um cemitério indígena na sua área, também faz a mesma caracterização do distrito de Taunay. Mas não há decisão oficial sobre esse tema fundiário, ainda.
Ao todo, o estudo da Funai abrange uma área de 33 mil hectares. Os terenas de sete aldeias da região estão contidos numa reserva de 6 mil hectares, que abriga em torno de 7 mil pessoas, nas aldeias Taunay, Ipegue, Colônia Nova, Água Branca, Imbirussu, Bananal e Lagoinha. A população local não para de crescer, com alto número de jovens e crianças
Em contraposição ao aumento populacional, os terenas têm dificuldade de subsistência porque trabalham em troca de baixos salários no corte da cana no MS, e, às vezes, são levados para Santa Catarina para participar da colheita de maçã. Muitos trabalham nas fazendas locais, e recebem o Bolsa-Família como auxílio complementar.
A reserva Taunay/Ipegue foi criada pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), substituído pela Funai em 1967. O distrito se situa a 66 quilômetros de Aquidauana, e a 205 de Campo Grande.
O distrito de Taunay, por sua vez, possui hoje tem pouco mais de 90 imóveis, entre moradias e estabelecimentos comerciais, e fica separado da reserva apena por uma rua de terra. O comércio local sobrevive, basicamente, do fornecimento de bens, alimentos e serviços aos terena ou às fazendas locais.
Um dos pequenos comerciantes, que prefere não se identificar por medo de represálias, fez uma pergunta que representa a ansiedade local pelo futuro incerto. “Será que eu também vou ter que sair, depois de tantos anos de trabalho aqui”?, resume o anônimo.
Expulsão da imprensa dá sinais de truculência
Equipes de três veículos de imprensa (entre eles este repórter) que cobriam a ocupação da Fazenda Esperança, ontem, acatando prontamente todas as determinações dos índios terena que controlavam o acesso de entrada das aldeias, tiveram que deixar o local por ameaça de sequestro.
Alegando forte descontentamento em função de uma suposta tentativa de penetração na fazenda Esperança, “por jornalista disfarçado de advogado, junto com o filho do dono” , um grupo armado com bordunas ordenou, severamente, que as equipes se retirassem em 10 minutos, porque senão os carros e os profissionais seriam levados para dentro da aldeia.
Ninguém ali tinha qualquer relação com o fato narrado. Esperava-se a saída dos proprietários da fazenda, e a fala de alguma liderança indígena.
“Se não sair em 10 minutos, nós vamos voltar aqui e levar os carros, e sequestrar vocês também”, disse um dos homens que liderava o grupo.
A afirmação foi feita perante os PMs que trabalham no pequeno posto policial de Taunay, que ofereceram proteção às equipes, apenas dentro do posto, mas recomendaram que todos os profissionais deixassem o local.
Por bom senso, diante da possibilidade do cumprimento da ameaça, que poderia indispor os PMS com os índios, com resultados imprevisíveis, as equipes decidiram deixar o local.
Quando mandaram os jornalistas embora, os terenas se referiram ao fato de que tudo na região é terra indígena, até o limite do rio Aquidauana, inclusive o distrito, que pertence, até agora, ao município de Aquidauana.

